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Violência é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como “uso intencional da força, real ou em forma de ameaça, contra outra pessoa ou contra um grupo, em circunstâncias relacionadas com o trabalho que resulte ou possa resultar em lesão, morte, dano psicológico, mau desenvolvimento ou privação”. Em uma pesquisa apresentada na Conferência Centenária da OIT – Organização Internacional do Trabalho em 2019, 25% dos profissionais de saúde do mundo alegam sofrer ou ter sofrido violência no ambiente de trabalho. Essa mesma pesquisa aponta que 50% das vítimas são profissionais da enfermagem, 28% médicos, 12% assistentes operacionais e 5% outros profissionais. No Brasil, de acordo com um estudo do Conselho Federal de Medicina (CFM) em parceria com a ONG “Mexeu Com UM, Mexeu Com Todos” divulgado em 2020, cerca de 80% dos médicos brasileiros relataram ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão, sendo 74,4% violência verbal, 25,2% violência verbal e 13,6% violência psicológica. Apesar de as UPAS serem o equipamento público de saúde que atua como porta de entrada para atendimento aos usuários vítimas de violência, vemos que a violência sofrida por profissionais de saúde nas unidades ainda têm poucas ações concretas de acolhimento a esses trabalhadores, de conscientização pública sobre essa violência e seus impactos negativos, bem como medidas que tratem esses incidentes como um acidente de trabalho e adote medidas para garantir um ambiente de trabalho seguro.
Estabelecer um atendimento acolhedor por meio de um protocolo com procedimento padrão para os episódios de violência que acontecem na unidade, garantindo o devido registro desses incidentes, acolhimento psicossocial aos profissionais vítimas de violência, sensibilizar profissionais e usuários SUS sobre os impactos negativos da violência e contribuir para a garantia de um ambiente de trabalho seguro para todos os trabalhadores.
A construção desse protocolo partiu das diversas queixas dos servidores nos anos de 2023, que ampliou em 2024 com o aumento de casos, a exposição de servidores e o acionamento de órgãos externos como o COREN – Conselho Regional de Enfermagem, Conselho Municipal de Saúde, Comissão de Saúde da Câmara Municipal, o gabinete do Secretário Municipal de Saúde e o Ministério Público. Foi observada a falta de um procedimento padronizado na ocorrência desses incidentes de violência e qualquer uma de suas formas – física, psicológica, patrimonial, moral e sexual. Após a observação, foi feita escuta qualificada dos servidores de todos os setores, estudos sobre violência ocupacional, especificamente para profissionais de saúde, articulação e consulta dos procedimentos do SESMET – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho e do Núcleo de Saúde do Trabalhador. A partir dessas análises, observamos os fluxos e procedimentos dos setores da unidade, no sentido de propor ações unificadas e conjuntas entre os setores que protegesse o servidor.
O primeiro resultado tangível que podemos enumerar é a adoção de um documento unificado que formaliza o registro de incidente de violência, amenizando a subnotificação (especialmente casos em que devem ser registrado SINAN e PAT) e qualificando os dados de cada uma das ocorrências. O protocolo também desnaturaliza a violência no ambiente de trabalho, acolhe o servidor naquele primeiro momento de vulnerabilidade por exposição à violência, faz o primeiro acolhimento com psicóloga na unidade e o encaminha – caso seja necessário – para acompanhamento psicossocial no Núcleo de Saúde do Trabalhador. Outro resultado observado é a diminuição da tensão no ambiente de trabalho por oferecer ao servidor um instrumento que o resguarda em possíveis questões jurídicas, o acolhe para prevenir ou tratar adoecimentos ocasionados pela exposição à violência e à tensão constante em que os servidores estão em estado de alerta constante, promovendo a saúde e processos de trabalho saudáveis com a adoção do protocolo como um parâmetro protetor da saúde dos servidores.
Contudo, adotar um processo de trabalho que sensibilize a usuários e trabalhadores para prevenção de episódios de violência, bem como de seus impactos negativos, ter o registro que além de resguardar e acolher o servidor subsidie a formulação de políticas públicas nesse sentido e ainda oferecer suporte para acompanhamento de saúde desses servidores que porventura venham a ser vítimas de violência é uma iniciativa que consideramos fundamental para garantir a qualidade de vida dos servidores, promover um ambiente de trabalho saudável e para qualidade do serviço prestado a todos os usuários.
saúde, violência, servidor, trabalhador
ÉRIKA GOMES DE OLIVEIRA, CLAUDIA ADRIENE SILVESTRE MACHADO DE MELO, ELIANE ALVES VIEIRA, GIANE MATIAS DA COSTA SOUZA