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Entre todos os vetores de relevância para a saúde pública, podemos destacar o mosquito Aedes aegypti, vetor das arboviroses urbana (Dengue, Chikungunya, Zika Vírus e Febre Amarela Urbana), considerado um dos “seres” mais mortais do mundo, pela Organização Mundial da Saúde, OMS. Este vetor de origem egípcia, no ano de 2002 foram encontradas as primeiras amostras aqui no município de São Bernardo do Campo; mesmo ano em que foi criado o PNCD – Programa Nacional de Controle da Dengue, tendo em vista a alta incidência do mosquito no Brasil. Este vetor se disseminou por vários paises do mundo não pela sua competência de migração e sim graças as ações antrópicas, onde o homem com sua necessidade de consumo de água levou consigo o Aedes aegypti para locais onde ainda não havia o mesmo; além de impactos ambientais, como urbanização sem planejamento, industrialização e apropriação do meio ambiente; resultando em mudanças climáticas e aquecimento global, interferindo no período sazonal do vírus da Dengue e ampliando o período de proliferação do mosquito. As altas temperaturas já vinha ano a ano aumentando a incidência de casos de Dengue em todo o Brasil, no Estado de São Paulo e em São Bernardo do Campo; caracterizando o ano de 2024 como o mais crítico até o momento, mas devido as ações pontuais, inovação tecnológica e medidas sustentáveis, o avanço do vetor foi controlado, respeitando o ambiente para futuras gerações.
Descrever a Implantação do Sistema para automação da coleta de dados de atividades do controle das Arboviroses – SISAMOB para os Agentes de Combate de Endemias e para os Supervisores de Combate de Endemias do município de São Bernardo do Campo. Uma iniciativa com o objetivo de otimizar o registro de dados coletados nas visitas aos imóveis realizadas pela Equipe de Combate a Dengue; retirar dos digitadores a demanda de digitar os dados das visitas e utilizar a mão de obra dos mesmos na abertura e baixa de notificações de casos de Dengue; atingir metas em menor prazo de tempo; traçar estratégias para combater o mosquito Aedes aegypti em tempo oportuno para evitar a disseminação do vírus para outras pessoas; diminuir a dependência de veículos automotivos para trazer os dados por escrito em boletim de papel até o Controle de Zoonoses para serem digitados, colaborando assim, com a diminuição da emissão de gases poluentes; e eliminando o consumo de papel para o registro das visitas.
Em todos os anos no período epidemico de Dengue, a equipe se depara com muitas demandas tanto operacionais, quanto administrativas, para atender as mesmas e inclusive notificações compulsórias de Arboviroses (Dengue, Chikungunya, Zika Virus e Febre Amarela Urbana), necessitando da nossa parte uma intervenção imediata para salvar vidas; como desde o ano de 2023 recebemos o alerta da Secretaria de Estado da Saúde para um ano de 2024 com alta incidência de casos de Dengue, traçamos uma estratégia para conter a proliferação do mosquito Aedes aegypti, sendo assim, para otimizar a análise dos dados coletados nos imóveis vistoriados e consequentemente em determinado bairro, implantamos o Sistema para automação da coleta de dados de atividades do controle das Arboviroses – SISAMOB, o que nos permitiu acompanhar na integra as visitas sendo realizadas em bairros diferentes, pois o aplicativo instalado no tablete permite que as visitas sejam sincronizadas no ato para o Sistema SISAWEB, podendo inclusive dimensionar a incidência de infestação do mosquito Aedes aegypti, ou seja, permite ao gestor em menor tempo de prazo traçar a estratégia correta quanto a realização de bloqueios químicos (aplicar inseticida). A equipe administrativa não tendo os boletins das visitas para digitar, ficou exclusivamente a cargo de registrar imediamente as notificações para serem atendidas pelas equipes operacionais. Além também de acelerar o processo de baixa das notificações e conclusão dos casos.
Em todos os anos a média de consumo de boletins de atividades para registrar as visitas era de 600 blocos de 50 vias por ano, com a implantação desta nova ferramenta o consumo em 2024 foi de 15 blocos devido a tabletes em manutenção, sendo assim, além de economia financeira, esta ferramenta permitiu um trabalho de combate ao mosquito Aedes aegypti de forma sustentável ambientalmente; além de dispensar o arquivo físico de papéis que seriam descartados com o passar de 3 meses. Conforme o Painel de Monitoramento de Casos de Arboviroses / Ministério da Saúde, atualizado em 07/11/2024, São Bernardo do Campo está com 9.988 casos confirmados de Dengue, enquanto Santo André com 14.165; Mauá com 11.468; São Caetano do Sul, com menor território e menor densidade populacional, com 8.766 casos; este comparativo evidencia que a estratégia traçada em São Bernardo do Campo foi bem sucedida, graças a rápida análise das visitas, levando em consideração a dimensão territorial e a densidade populacional. Saliento que todas as notificações compulsórias foram registradas e atendidas conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. Execução dos relatórios de gestão com dados atualizados em data oportuna. Redução da dependência de veículos para transporte de boletins, o que evita gastos com combustível e manutenção, mas principalmente reduzindo também a emissão de CO2 para a atmosfera, responsável pelo aquecimento global, mudanças climáticas e consequentemente proliferação de vetores de doenças.
Momentos importantes da história da humanidade como Revolução Industrial (1760) e Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), movidos por ideais capitalistas, potencializaram a industrialização e a apropriação de forma indevida do meio ambiente por parte do homem, porém toda a ação tem uma reação, o que impactou em um planeta que vem atualmente “pedindo socorro” e nos “chamando a atenção” para os nossos próprios atos, através de sua “voz ativa” o clima, com elevadas temperaturas, fortes chuvas, queda do nível dos mananciais, doenças respiratórias e novos vírus introduzidos na sociedade, resultado da própria manipulação do meio ambiente realizada pelo homem, como a COVID 19. “A mãe natureza” assim como todas as mães, só quer nos alertar antes que seja tarde demais, é como se fosse um “acordem meus filhos, olha para o que estão fazendo com vocês mesmos”. Sendo assim, não podemos nos resumir em escrever ou ler sobre impactos ambientais, mas sim por em prática no dia a dia, tanto na vida pessoal, como profissional, medidas sustentáveis pensando nas futuras gerações. Iniciativas como o SISAMOB trouxe benefícios financeiros para o município, mas principalmente uma ampla colaboração para o meio ambiente.
SUSTENTABILIDADE
MARJORI FABRICIA CERCHIARI, MARCO AURÉLIO FERREIRA, MANUEL PEREIRA MARTINS, RONALDO NOVAES DE SOUZA