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O CAPS III Farina integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de São Bernardo do Campo e desenvolve ações que vão desde campanhas de conscientização, com distribuição de material panfletário e representação em eventos comunitários, até visitas domiciliares e internações de curta duração para pacientes em situação de crise. O desafio da gestão de Saúde Mental é definir estratégias específicas para a atuação do serviço no território em que está inserido. Tal desafio requer uma análise criteriosa dos indicadores de qualidade que mensuram o real impacto das ações desenvolvidas e que embasam as decisões a serem tomadas e a prestação de contas referente à aplicação dos recursos públicos. À esteira do processo de informatização do SUS, à época do início desta experiência, o CAPS III Farina ainda estava na expectativa da integração com o sistema de informação Hygia, sendo que, até então, os registros de atendimentos no serviço eram realizados de forma manual, o que tornava demasiadamente trabalhosa e imprecisa a coleta de informações para elaboração de relatórios gerenciais. Diante de tal cenário, utilizando-se recursos de informática já disponíveis, foi desenvolvido um sistema que solucionou a problemática relacionada à produção de indicadores, vindo, posteriormente, a ensejar novas possibilidades de análises com o advento da integração da unidade com o prontuário eletrônico, através da experiência que será descrita a seguir.
Esta experiência foi desenvolvida no intuito de resolver o problema existente na unidade CAPS III Farina em relação ao registro e coleta de dados para elaboração de relatórios com indicadores que embasassem a análise gerencial acerca do desempenho das ações desenvolvidas no serviço. Para tanto, fazia-se necessário garantir a qualidade (precisão e integridade) das informações. O objetivo secundário desta experiência foi evitar que o profissional da administração e o diretor da unidade ficassem sobrecarregados, visto que estes, durante os períodos de fechamento, se dedicavam exclusivamente à árdua tarefa de meramente consolidar e apresentar dados, sem que sequer houvesse tempo hábil para a etapa de análise das informações resultantes
Levando-se em conta que não seriam disponibilizados recursos adicionais para o sistema proposto, o desenvolvimento se deu a partir do Excel, software que já fazia parte do rol de aplicações licenciadas para uso nos computadores da unidade. O Excel possibilita que suas funções básicas sejam incrementadas através uma série de recursos para desenvolvedores, sem despender gastos adicionais. Sendo assim, foram empregadas a ferramenta Power Query para implementação de consultas a tabelas de dados e aas linguagens de programação M e Visual Basic, lançando-se mão do conjunto de funções DAX para manipulação dos dados. O tráfego de dados foi configurado através de endereçamento via rede PMSBC (inicialmente por IP e, posteriormente, por hostnames, visto que algumas máquinas possuíam endereçamento dinâmico), a fim de submeter a operação às políticas hierárquicas de segurança da tecnologia da informação, controlando-se o acesso de usuários e o ingresso de computadores por meio de autenticação. Também foi realizado um levantamento dos principais indicadores a serem mostrados no relatório final. Com base nisso foram definidos os atributos necessários para composição das tabelas sobre as quais posteriormente seriam criadas as relações para cruzamento de informações.
A metodologia adotada resultou em uma aplicação composta de duas planilhas que se comunicam entre si, sendo a primeira, denominada “GI_operador”, localizada na recepção, e a segunda, denominada “GI_gestor”, localizada na administração. A interface amigável fornece um acesso guiado e intuitivo até mesmo para quem não possui familiaridade com o Excel. O design da aplicação é compatível com a identidade visual utilizada nos meios de comunicação oficiais da gestão municipal, guardando pouca semelhança com planilhas comuns. Além de fornecer relatórios gerenciais através de um clique, o sistema também apresenta botões customizados para aumento do nível de detalhamento e extração de arquivos no formato ideal para envio via e-mail. Na aplicação foram incluídos os módulos: RH, que permite comparar a capacidade produtiva com a produção executada; Eventos Destaque; Ações Institucionais (que não envolvem o atendimento direto ao paciente); e Notificações de Ideação Suicida. Outra função disponibilizada é a listagem de ações faturáveis (SIGTAP), com linhas dispostas/classificadas de forma a facilitar o processo de lançamento pelo RAAS. O módulo de dashboard entrega uma visão geral das principais variáveis inseridas no escopo da unidade tornando viável a realização de auditorias averiguação da qualidade dos registros e eventual readequação das ações desenvolvidas com base em resultados prévios, constituindo-se, portanto, como uma resolução satisfatória para o problema apresentado.
O sucesso da experiência no CAPS Farina fez com que a coordenação de Saúde Mental solicitasse a implementação da aplicação nos demais CAPS do município, tornando padronizada a métrica de análise do desempenho entre todas essas unidades. A aplicação virtualiza o funcionamento das unidades CAPS e isso contribuiu para a definição da lógica a ser empregada mais tarde na integração das unidades com o sistema de informação Hygia. Cabe ressaltar que o processo de informatização de todas unidades CAPS só foi iniciado recentemente e, após ter sido concluído, os passos seguintes serão: 1. A eliminação da necessidade de alimentação manual da planilha da recepção, evitando redundâncias no lançamento; 2. A realização de aprimoramentos na coleta e análise de dados, uma vez que passarão a ser extraídos do banco de dados do novo sistema, podendo estes serem extrapolados para apresentações gráficas, através de softwares de business intelligence (como o Power BI e o Tableau), cujas análises se tornarão úteis aos níveis mais altos da administração do Departamento de Atenção Especializada, auxiliando nas projeções e na definição de metas, com base no estudo de variáveis ao longo do tempo e observação de tendências.
DADOS; TECNOLOGIA; SUS; DATASUS; DASHBOARD; BI
Rodrigo de Araujo Leonardo