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A vigilância e o monitoramento clínico de crianças expostas ao HIV constituem estratégias essenciais para o controle da transmissão vertical e para a redução da morbimortalidade infantil associada ao vírus. A transmissão vertical pode ocorrer durante a gestação, o parto ou a amamentação, sendo a principal forma de infecção pelo HIV em crianças. Com diagnóstico precoce e implementação adequada das medidas de prevenção no pré-natal, parto e pós-natal, incluindo o manejo adequado da amamentação, o risco de transmissão pode ser reduzido para menos de 2%. Entretanto, sem acompanhamento adequado, esse risco pode variar entre 15% e 45%. Até 2023, o monitoramento da criança exposta ao HIV em Atibaia era realizado por meio de registros fragmentados no prontuário da gestante ou da criança. Observou-se deficiência na sistematização das informações e perda de dados relevantes, resultando em lacunas assistenciais, como atrasos na realização de exames, falhas na profilaxia neonatal e dificuldades na adesão ao tratamento materno ou infantil. Diante desse cenário, a equipe técnica do SAE Atibaia elaborou uma ficha específica de acompanhamento da criança exposta ao HIV, com o objetivo de centralizar e padronizar as informações do pré-natal ao seguimento pós-natal, garantindo encerramento do caso apenas após definição diagnóstica.
A implantação da ficha de monitoramento da criança exposta ao HIV teve como objetivos: Assegurar a notificação e o acompanhamento sistemático dos casos em tempo oportuno; Monitorar a adesão ao tratamento da gestante; Garantir a realização e o acompanhamento dos exames nos períodos recomendados; Implementar o protocolo de profilaxia da criança no tempo adequado; Organizar e padronizar as informações de forma objetiva, uniforme e de fácil consulta; Facilitar a comunicação interdisciplinar entre os profissionais responsáveis pelo monitoramento e cuidado.
A ficha de monitoramento da criança exposta ao HIV foi elaborada com base nas orientações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais (Ministério da Saúde, 2022), bem como nos dados essenciais para o preenchimento da ficha de notificação/investigação de crianças expostas ao HIV do SINAN. O instrumento permite o registro sistemático de dados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, incluindo: Dados maternos (data do diagnóstico, início da terapia antirretroviral, carga viral, sorologias e testes rápidos no pré-natal); Informações sobre o parto (via de parto, idade gestacional, classificação de risco da exposição e profilaxia do recém-nascido); Esquema profilático e acompanhamento clínico; Seguimento laboratorial da criança desde o nascimento até a definição diagnóstica. Durante o pré-natal, a ficha permanece arquivada no prontuário da gestante e é atualizada a cada consulta. Após o parto, é transferida para o prontuário da criança, onde continua a ser alimentada com dados referentes ao parto, às profilaxias e ao seguimento laboratorial, conforme protocolo vigente. Participam do processo todos os profissionais do SAE envolvidos no cuidado e monitoramento dos dados da gestante e criança.
A elaboração e implantação da ficha de monitoramento das crianças expostas ao HIV qualificaram o cuidado, fortaleceram a vigilância epidemiológica e garantiram maior continuidade da assistência desde o pré-natal até o encerramento da investigação e fechamento do caso. A sistematização das informações contribuiu para a notificação adequada e o encerramento oportuno dos casos, além de possibilitar monitoramento contínuo das ações e avaliação das taxas de transmissão vertical no município. O registro formal e padronizado das condutas também proporcionou maior segurança técnica e respaldo legal aos profissionais e ao serviço. Ao final de 2024, o Ministério da Saúde certificou o município de Atibaia pela eliminação da transmissão vertical do HIV, conforme critérios estabelecidos pela OMS e OPAS. Entre as diversas ações que contribuíram para esse resultado, como qualificação do pré-natal, ampliação da testagem e assistência adequada ao parto e puerpério, destacou-se, durante a avaliação externa, a organização e a completude das informações registradas nos prontuários, incluindo a sistematização promovida pela ficha de monitoramento.
A inclusão da ficha de monitoramento da criança exposta ao HIV na rotina do SAE consolidou-se como estratégia fundamental para assegurar acompanhamento sistemático, diagnóstico precoce e qualidade da assistência, além de fortalecer a vigilância em saúde. A experiência demonstrou que instrumentos simples, quando bem estruturados e integrados à rotina dos serviços, podem qualificar o cuidado, melhorar a comunicação interdisciplinar e contribuir para resultados epidemiológicos expressivos. A continuidade e o aprimoramento dessa prática representam importante perspectiva para a sustentabilidade da eliminação da transmissão vertical no município.
Criança, HIV, cuidado, vigilância
DENISE CRISTIAN QUIRINO DE OLIVEIRA CHINEN, GLAUCIA ADRIANE TEIXEIRA