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A vacina Bacilo de Calmette e Guérin (BCG) é utilizada para a prevenção das formas graves da tuberculose (miliar e meníngea), devendo ser aplicada preferencialmente na maternidade, logo após o nascimento. A tuberculose (TB) é uma doença infectocontagiosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, também conhecido como bacilo de Koch. Afeta principalmente os pulmões (tuberculose pulmonar), mas pode acometer outros órgãos e sistemas. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente pela via aérea, por meio da inalação de partículas eliminadas pela tosse, espirro ou fala de indivíduos infectados. A TB permanece como um dos principais agravos de saúde pública no Brasil e no mundo, apresentando maior gravidade em crianças, especialmente nos recém-nascidos, devido à imaturidade do sistema imunológico(2). Nessa faixa etária, a infecção pelo Mycobacterium tuberculosis pode evoluir rapidamente para formas graves e disseminadas, como a meningite tuberculosa e a TB miliar, associadas a altas taxas de morbimortalidade. Nesse contexto, a vacinação com BCG ao nascer constitui medida preventiva fundamental, uma vez que protege principalmente contra formas graves da doença. O enfrentamento do problema, o município de Lins conta com um serviço especializado para atendimento de pacientes com TB,no período de julho de 2024 à junho de 2025 trinta e quatro casos notificados com tuberculose, sendo: 01 TB óssea, 02 TB pleural,01 TB genituriná 1 TB miliar, 1TB ganglionar e 28 TB pulmonar.
O presente informe tem por objetivo apresentar a situação da aplicação da vacina BCG em recém-nascidos nas maternidades públicas e privadas do município de Lins, por meio do cálculo da proporção de recém-nascidos vacinados na maternidade no período de julho de 2024 a junho de 2025 e comparação dos resultados com a meta preconizada pelo Programa Nacional de Imunização (PNI)1, possibilitando identificar possíveis causas da não vacinação imediata e subsidiar as ações de vigilância epidemiológica e imunização.
Os hospitais envolvidos, cujas maternidades são responsáveis pela aplicação da vacina BCG, são os seguintes: um hospital público que atende ao SUS, convênios e particular, e que serve como referência para oito municípios da região; e dois hospitais particulares, ambos atendendo convênios e clientes particulares. Esses hospitais foram identificados como Hospital Público, Hospital Particular A e Hospital Particular B. Foram utilizados os dados provenientes do livro de registro das maternidades dos três hospitais e Sistemas de Informações do Programa Nacional de Imunização (SIPNI)4 novo. A população alvo incluiu todos os nascidos vivos entre 01/07/2024 e 30/06/2025. Foram analisados como variáveis: o número de nascidos vivos, número de doses aplicadas de BCG nas maternidades e o percentual de cobertura.
no período de julho de 2024 a junho de 2025, os hospitais do município de Lins apresentaram diferenças na cobertura vacinal da BCG em recém-nascidos. O hospital público manteve uma cobertura elevada, com 987 nascidos vivos e 911 aplicações da vacina, resultando em aproximadamente 92,3% de cobertura, valor próximo ao recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Já os hospitais particulares apresentaram desempenho inferior: o Hospital Particular A registrou 215 nascidos vivos e 172 vacinados (80,0% de cobertura), enquanto o Hospital Particular B notificou 152 nascidos vivos e 118 vacinados (77,6% de cobertura). Esses dados sugerem maior efetividade da aplicação da BCG na rede pública. Apesar dessas situações, os dados apontam que as crianças dos hospitais particulares que nascem prematuras ou com outros agravos e que precisam ser transferidas para leitos de UTI neonatal tem a vacinação da BCG comprometida, uma vez que esses hospitais as referenciam para outros municípios. Observou-se também que os hospitais particulares não têm acesso ao cadastro do cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) e por isso gera um atraso no lançamento dessa vacina pelo SIPINI, muitas vezes essas crianças tem o lançamento registrado na Atenção Básica como transcrição de caderneta o que acaba reduzindo a cobertura vacinal para os hospitais particulares. Analisamos que algumas vacinas lançadas ficam represadas “cor cinza” devido ao não reconhecimento do cartão do SUS.
Analisa-se que após a implantação da vacina BCG nas maternidades do município, mesmo diante das dificuldades apresentadas encontra-se satisfatória (106,56%) no ano de 2024 (figura 1), acima da meta nacional (95%). Portanto, recomendam-se ações para reduzir perdas ocasionais na vacinação dos recém-nascidos, compreendidas por capacitação de profissionais continuamente, lançamento adequado nos sistemas de vacinação, monitoramento sistemático de estoques e orientação contínua no pré-natal às famílias sobre a importância da aplicação imediata da vacina.
BCG; Tuberculose, Imunização, Recém-nascido.
MARIANA BATELOCHI SIONI ROZENO