Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
A violência, nas diversas faces interpessoal, autoagressão, crônica ou aguda, seja física, sexual, psicológica, negligência, automutilação, intoxicação exógena ao suicídio, é um sério desafio na saúde pública mundial, exige ações rápidas e humanizadas dos serviços. É a 6º maior causa de internações hospitalares, e, 3º lugar em mortalidade, resulta em altos custos individuais e coletivos (Reichenheim et al., 2011). A OMS destaca a urgência de ações na prevenção e combate, pois atinge a qualidade de vida de todos. No Brasil, as unidades de saúde executam um papel crucial como porta de acesso ao acolhimento, notificação e direção dos casos. O pronto atendimento é um dos primeiros locais que as pessoas buscam ajuda, com o grito de socorro, simbolicamente dizendo eu ainda estou aqui. A vítima chega, em estado de fragilidade, e requer não apenas tratamento clínico, mas também abordagem integral que avalie os aspectos físicos, emocionais, sociais e legais. Nisto, o acolhimento da equipe multidisciplinar é fundamental na garantia do acesso de qualidade, respeitoso, coordenado, promovendo a proteção da vítima e o cuidado vital. Em Guarulhos, fortalecemos o apoio no PA Paraventi, conectando o cuidado com a rede protetiva e de direitos, ofertando o serviço acolhedor, humanizado, ético e multiprofissional durante assistência de urgência/emergência e no pós alta, conforme a necessidade de cada caso, vinculando ao tratamento preventivo ou curativo, mitigando sequelas e evolução ao óbito.
Objetivos Gerais: Acolher e avaliar as situações de violências e risco social e demais situações de violação de direitos. Realizar articulações de assistência, prevenção e promoção de saúde em âmbito local e intersetorial, visando oferecer o cuidado integral às pessoas que estão em situação de violência. Objetivos Específicos: Notificar todos os casos que sejam suspeitos ou confirmados de violência que chegam ao serviço. Proporcionar um atendimento acolhedor, humanizado, ético e multiprofissional no acolhimento das pessoas em situação de violência, durante o atendimento de urgência/emergência e no pós alta. Articular ações de assistência conforme a necessidade de cada caso, no sentido de estabelecer o cuidado integral às pessoas em situação de violência, notificando a rede intra e intersetorial, vinculando ao tratamento preventivo, curativo, mitigando sequelas e evolução ao óbito.
Trata-se de um estudo retrospectivo, analítico, de uma amostra representativa dos casos de violências notificados pelo SINAN (Sistema de Informações de Agravos de Notificação) do Pronto Atendimento Paraventi, de jan/24 a out/25. Na análise de dados, foram retratados o perfil das violências identificadas no P.A Paraventi e fatores de risco e mortalidade. Durante os atendimentos, foram realizados escuta qualificada para melhor compreensão da saúde, vínculos familiares e comunitários, planos de vida, e orientação, bem como, feitos relatórios e compartilhado com a UBS, Redes de Atenção em Saúde: Rede AB (Atenção Básica), RADH (Rede de Atenção aos Direitos Humanos), RAPS (Rede de Atenção Psicossocial), Vigilância epidemiológica, Redes de Atenção intersetorial: Casa das Rosas, Margaridas e Betes, GCM (Guarda Municipal Metropolitana), CRAS, CREAS, conselho tutelar, delegacias especializadas para crianças, adolescentes, mulher, idoso e pessoas com deficiência, Educação, Ministério Público, disque 100, ONG´s, casas abrigos sigilosas e demais serviços protetivos para o acompanhamento integrado e contínuo, assim potencializando espaços protegidos e efetivos na garantia dos direitos e da cidadania, conforme a demanda de cada caso. Através do estudo, esperamos dar continuidade à assistência em saúde e à transversalidade do cuidado entre os serviços da Rede Socioassistencial, bem como vincular ao tratamento preventivo ou curativo, mitigar sequelas e evolução ao óbito.
O PA notificou 173 casos de violências de jan/24 a out/25. Desses, agrupamos: • Intoxicação exógena/automutilação na tentativa do suicídio: 39; • Suicídios: 2; • Automutilação sem ideação suicida: 4; • Intoxicação por substâncias psicoativas: 20; • Violência sexual estupro: 9; • Violência doméstica mulher 50; • Violência LGBTQIAPN+: 4; • Violência comunitária: 18; • Violência idoso: 10; • Violência deficiente: 1; • Violência familiar 18 a 59 anos: 10; • Violência escolar: 5; • Violência funcionário saúde: 4; Analisando todas violências (173), o perfil retrata, maioria mulheres 133, homens 39, mulher trans 1. No sistema de saúde, achamos 8 gestantes em pré natal, mais triste ainda, são duas vidas sofrendo violência. No quesito raça cor 103 brancos, 15 pretos, 55 pardos, maioria é brancos, refletindo, negros/pardos não estão acessando o serviço de saúde? estão invisibilizados? falha no preenchimento do sinan? ou autodeclaração definida? Na violência sexual, 7 (M) e 2 (H) gay estuprados. Na violência doméstica, destaca-se o baixo nº de BO´s registrados — apenas 2 casos — sugerindo barreiras importantes como medo, vergonha, dependência financeira, idealização afetiva do agressor ou descrença judiciais, perpetuando o ciclo da violência. Nos relatórios compartilhados com os serviços Socioassistenciais e de atenção em saúde, inserimos no acompanhamento 173 pessoas, nº importante e de desafios, na eficácia dos cuidados, se tratando de grupos com alta vulnerabilidade e risco de morte.
O acolhimento qualificado, humanizado e protetivo são possíveis, é urgente e deve ser feito por todos os profissionais da saúde a todas as pessoas que sofrem algum tipo de violência. A integração entre os serviços da Rede Socioassistencial e da Atenção em Saúde tem possibilitado o acompanhamento dos casos notificados, auxiliando a articulação da rede e o direcionamento adequado de pacientes com alta vulnerabilidade e risco. No entanto, os dados também revelam desafios frente a efetividade dos cuidados, à adesão aos encaminhamentos e ao enfrentamento das desigualdades de acesso. Muitos pacientes, não trazem a queixa principal de violência sofrida, apresentam um histórico de múltiplos atendimentos na saúde, queixas recorrentes de dores persistentes, quadros de ansiedades generalizadas, pânico, distúrbios do sono, mudanças comportamentais e transtornos alimentares, ou mesmo aumento no consumo de drogas legais ou ilegais, e esses pacientes, acabam sendo rotulados, como “poliqueixosos”, “DNV”, “de novo na unidade”, “só quer atestado”, entre tantos outros termos, mas precisamos ficarmos em sentinela, ao atendimento desses casos, pois há um grito entalado na garganta, é o corpo físico e a mente pedindo socorro, eu ainda estou aqui!
UE, Violências, acolhimento, Política Pública.
MARCELO CORDEIRO BARRETO DE OLIVEIRA, ADRIANA DA SILVA QUEIROZ, ANGÉLICA MENDES DE OLIVEIRA, ANTÔNIA LUCILEIDE RODRIGUES FERREIRA, CAMILA CAETANO DE SOUZA, CRISTIANE SOLIMÃ CARREIRA GOBATTO,, EDNA SARLO, ELIETE SANTANA DE FREITAS, FÁTIMA DO ROSÁRIO OLIVEIRA CASTELO, MARIA APARECIDA NUNES SAMPAIO JONES, RITA DE CÁSSIA ALVES BEZERRA, SABRINA FERREIRA DOS REIS