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A Comissão de Revisão de Óbitos (CRO) tem por finalidade atender a resolução do CREMESP Nº 114/2005. Analisar os óbitos, os procedimentos e condutas profissionais realizadas, bem como a qualidade de informações dos atestados de óbitos. Perfil de Morbimortalidade é um conceito complexo que combina dois subconceitos como a morbilidade e a mortalidade. Morbilidade é a presença de um determinado tipo de doença em uma população. A mortalidade, por sua vez, é a estatística sobre as mortes em uma população. Assim, ambos os subconceitos podem ser entendidos com a ideia de morbimortalidade, mais específica, significa em outras palavras, aquelas doenças causa das de morte em determinadas populações, espaços e tempos (Federal, 2023) Considerando estas definições, o presente estudo tem por objetivo, apresentar metodologia para revisão dos óbitos, baseada no uso do Microsoft Excel® e do Visual Basic for Application® (VBA) para viabilizar a coleta de dados estruturados.
Desde o início da sua operação o Hospital conta com Comissão de Revisão de Óbitos atuante, analisando a totalidade dos óbitos em conformidade com a resolução do CREMESP Nº 114/2005 e com o objetivo de desenvolver atividades de caráter técnico-científico e subsidiar conhecimentos relevantes a Instituição, porém, os dados coletados na metodologia vigente até nov/2017 eram insuficientes para a construção do perfil de morbimortalidade hospitalar e para a identificação de oportunidades de melhoria no processo. Considerando a certificação do Hospital na Organização de Acreditação Hospitalar (ONA), considerando, em 2014, do “Desafio Zero Mortes Evitáveis 2020” promovido pelo Programa Brasileiro de Segurança do Paciente em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI), considerando a publicação da resolução do CFM N° 2.171/2017 e considerando ainda a necessidade de promover a melhoria continua, a Comissão de Revisão de Óbitos do Hospital foi provocada a rever a sua metodologia.
Diante do cenário exposto e contando com o apoio da equipe de Engenharia local, a Comissão de Revisão de Óbitos do referido Hospital optou por fazer uso do Microsoft Excel® e do editor de Visual Basic for Application® (VBA), nativo em todos os produtos do pacote Office® para construir um formulário eletrônico multipágina e dinâmico, a fim de estruturar a coleta de dados e padronizar a revisão dos óbitos. A escolha da ferramenta foi motivada pela sua disponibilidade, visto que o pacote Office já era utilizado no Hospital e, portanto, não haveria custo para desenvolvimento de software customizado.
A Comissão de Revisão de Óbitos do Hospital, palco deste estudo, iniciou o uso do instrumento descrito em dezembro de 2017, totalizando 5.485 óbitos analisados até o dia 26/09/2023. O volume de dados coletados permitiu a construção e divulgação do perfil de morbimortalidade, bem como a sua atualização semestral.
A pirâmide etária correspondente ao número total de óbitos revisados pela Comissão, agrupados por faixa de idade dos pacientes e o sexo. Nota-se que, no Hospital Cidade Tiradentes, a distribuição dos óbitos por sexo nos primeiros quatro anos de vida é simétrica, já entre 5 e 34 anos, faixa etária que inclui o período fértil, há uma prevalência de óbitos entre as mulheres (o número de óbitos do sexo feminino nesta faixa é 17,2% superior ao número de óbitos do sexo masculino). Na faixa etária entre 35 e 69 anos, há uma forte prevalência de óbitos entre os homens. O número de óbitos do sexo masculino é 36,3% superior ao número de óbitos do sexo feminino, demostrando a necessidade de campanhas, por parte do poder público, para sensibilizar a população masculina sobre medicina preventiva. Na faixa etária superior a 75 anos, a prevalência de óbitos é entre as mulheres. O número é 34,4% maior, o que demonstra que as mulheres, usuárias do referido Hospital, têm uma vida mais longeva. A Sepse se confirma como uma das principais causas de morte no ambiente hospitalar, este resultado motivou a intensificação das campanhas para melhorar adesão ao Protocolo. Já se observa uma tendência de queda em 2023.
comissão de óbito, morbimortalidade, melhoria
Denise Lemes de Freitas, Ana Cristina Silvestre da Cruz, Welbe Atanásio de Sousa