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Crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional constituem um grupo em alta vulnerabilidade social e sanitária, freqüentemente exposto a barreiras de acesso aos serviços de saúde, incluindo a atenção odontológica. Observa-se que muitos apresentam histórico de cuidado irregular, hábitos de higiene bucal insuficientes e presença de agravos como cárie dentária, dor e infecções. Considerando o princípio da equidade e a necessidade de estratégias extramuros para garantia do direito à saúde, equipes de cirurgiões-dentistas da Atenção Primária do município de Santo André-SP estruturaram ação interunidades voltada à assistência odontológica periódica diretamente nos abrigos. A proposta visa reduzir desigualdades de acesso, promover prevenção, fortalecer vínculo e garantir cuidado integral a essa população, respeitando suas especificidades e contexto de vida.
Promover atenção integral em saúde bucal às crianças acolhidas; Ampliar acesso aos serviços odontológicos; Prevenir agravos e reduzir necessidade de tratamentos complexos; Desenvolver ações educativas que estimulem autonomia e autocuidado; Identificar precocemente alterações bucais; Garantir encaminhamento oportuno para tratamento clínico especializado quando necessário.
A ação foi idealizada pela coordenadora de Saúde Bucal do município, Cristiane Costa que designou equipes de saúde bucal de diferentes unidades de saúde do território, que se organizam em cronograma periódico de visitas institucionais aos abrigos. Durante os encontros são desenvolvidas atividades educativas dialogadas, orientações individuais e coletivas, escovação supervisionada, avaliação clínica odontológica, aplicação tópica de flúor e intervenções restauradoras minimamente invasivas, quando indicadas. Casos que demandam tratamento clínico convencional são encaminhados para unidades de referência, com articulação prévia para garantir continuidade do cuidado. A estratégia prioriza abordagem humanizada, linguagem lúdica e participação ativa das crianças, além de articulação com cuidadores e equipes institucionais para manutenção das práticas preventivas no cotidiano.
Desde a implantação da experiência, observou-se aumento significativo do acesso das crianças acolhidas ao cuidado odontológico, com redução de queixas de dor, infecções e agravos bucais. As ações educativas favoreceram melhora na adesão às práticas de higiene oral e fortalecimento do vínculo entre equipe de saúde e usuários. A realização de atendimentos no próprio local de acolhimento diminuiu barreiras logísticas e institucionais, ampliando a resolutividade da atenção. As instituições demonstraram elevada receptividade às atividades, facilitando a continuidade das ações que são realizadas anualmente, e a integração entre serviços de saúde e rede socioassistencial.
A experiência evidencia que estratégias territoriais e extramuros são fundamentais para garantir acesso equânime à saúde bucal para populações em situação de vulnerabilidade. O atendimento odontológico em abrigos mostrou-se efetivo, resolutivo e socialmente relevante, fortalecendo o princípio da integralidade do cuidado e a articulação intersetorial. A iniciativa demonstra potencial de replicabilidade em outros territórios e reforça a importância de práticas inovadoras que aproximem os serviços de saúde das populações que mais necessitam.
Equidade em Saúde, crianças institucionalizadas.
CRISTIANE DA COSTA, ELIANA CRISTINA DE SÁ MORETTI, FABIO EDUARDO SPINOSA, LÚCIA CARDOSO LIMA, FÁBIO LUIS GIORDANI, LENEMAR SANTOS BIGLIAZZI DE CASTRO, KEYLA DAVID RAMOS, ELAINE DE FABRIS, NATÁLIA POSSEDENTE, VIVIANE APARECIDA RAMOS