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Em 2019, criamos o Núcleo de Obesidade para oferecer um cuidado multiprofissional a pessoas com obesidade grau III encaminhadas pela Atenção Primária à Saúde (APS). Nosso objetivo sempre foi olhar além dos números na balança e considerar os valores, preferências e necessidades individuais de cada paciente. O estigma da obesidade é um grande desafio para quem busca tratamento, e sabemos que isso pode gerar frustrações e dificultar a adesão ao cuidado. Quando falamos de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), os desafios aumentam ainda mais. Estudos indicam que 1 em cada 3 crianças e adolescentes com TEA tem excesso de peso, e muitos apresentam seletividade alimentar, tornando o acompanhamento nutricional ainda mais delicado. Por isso, buscamos estratégias inovadoras para garantir um tratamento eficaz, respeitoso e acessível para esse público.
Melhorar a qualidade de vida do usuário com super-super obesidade (IMC >60 kg/m²) e TEA, promovendo um cuidado personalizado e acolhedor.
Em fevereiro de 2020, recebemos um paciente com super-super obesidade (IMC=69,06 kg/m2), encaminhado pela APS, com expectativa de realizar cirurgia bariátrica. Até então, ele não sabia que tinha TEA. Durante 3 anos, realizamos 44 consultas multiprofissionais, com endocrinologia, nutrição e psicologia. O vínculo entre o paciente, sua família e a equipe foram essenciais para adaptar o tratamento às suas necessidades. Entre as dificuldades enfrentadas, destacamos: ✔ Necessidade de ser atendido em horários específicos para evitar locais cheios. ✔ Dificuldade de comparecer frequentemente às consultas presenciais. ✔ Aversão a certos alimentos. Para tornar o tratamento mais acessível, reformulamos a estratégia de acompanhamento e incluímos o uso de um aplicativo de nutrição para interações à distância.
✔ Diagnóstico tardio de TEA: Após anos sem respostas, o paciente finalmente compreendeu muitas situações que faziam parte de sua rotina, trazendo um grande alívio emocional. ✔ Redução de 32,9 kg e melhora nos exames laboratoriais. ✔ Melhora da qualidade do sono ✔ Aumento da capacidade de locomoção e melhora do condicionamento físico e disposição: Inicialmente, caminhava 800 metros/dia; hoje, já percorre 3,5 km/dia. ✔ Melhora na alimentação: A variedade alimentar aumentou, respeitando suas preferências de consistência e textura. ✔ Autoestima renovada: Relatou felicidade ao conseguir mudar o tamanho das roupas e se sentir mais confiante.
Mesmo diante dos desafios dos estigmas da obesidade e do TEA, é possível garantir um cuidado humanizado e acessível. O vínculo entre a equipe de saúde, o paciente e sua família fizeram toda a diferença para alcançar mudanças significativas e melhorar sua qualidade de vida. Essa experiência reforça que o acesso à saúde deve ser inclusivo, respeitoso e baseado em um projeto terapêutico singular, onde o paciente é protagonista da própria jornada.
estigmas, obesidade, TEA, cuidado.
JULIANA PARREIRA VASCONCELLOS SCIORILLI, MARIA CAROLINA PESTANA DE ANDRADE DO NASCIMENTO, EDENEIA MULTINI, ALEXANDRE BORGHERESI, SERGIO MURILO MARQUES DE SOUZA, PEDRO HENRIQUE RUIZ SENO