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Trata-se de uma ação desenvolvida em uma unidade de saúde do Município de Garça, sob gestão da SBCD. A Hanseníase Virchowiana é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, afetando principalmente a pele e os nervos periféricos. Possui tratamento gratuito e eficaz ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ainda assim é cercada por preconceito e desinformação, o que acarreta muitas vezes ao diagnóstico tardio e ao sofrimento emocional dos pacientes. Trouxemos este relato como foco uma paciente de 64 anos, residente na área de abrangência da Unidade Básica de Saúde Mariana I, localizada na cidade de Garça – SP, que teve seu tratamento finalizado em 2024 para hanseníase. A escolha deste caso específico justifica-se pela importância de dar visibilidade à vivência de pessoas acometidas pela doença, com ênfase aos desafios enfrentados durante o tratamento, o impacto físico e psicológico, e a relevância desde o diagnóstico ao acompanhamento multiprofissional garantindo adesão e qualidade de vida. Visando compreender a experiência dessa paciente contribuindo para sensibilizar os profissionais de saúde e a comunidade quanto à necessidade de acolhimento, combate ao estigma e fortalecimento das ações de vigilância e educação em saúde, fundamentais para o controle da hanseníase e a cura. Este caso teve início da investigação em junho de 2023, quando a paciente M.A.S de 63 anos procurou a unidade em demanda espontânea no período da manhã, com queixa de lesões
Os principais objetivos para esse caso foram, promover o cuidado integral à paciente em processo de diagnóstico para hanseníase, visando a adesão terapêutica, a redução das complicações físicas e o fortalecimento do acolhimento e vínculo com a equipe de saúde. Promover o acompanhamento de forma contínua a evolução clínica da paciente durante o diagnóstico e tratamento. Incentivar a ade são ao tratamento e às consultas de acompanhamento. Identificar precocemente possíveis reações da hanseníase e prevenir incapacidades físicas. Oferecer apoio emocional e educativo para enfrentar o estigma social relacionado à hanseníase. Promover ações de educação em saúde para a paciente e sua família, fortalecendo o autocuidado. Integrar o acompanhamento da paciente às ações da equipe multiprofissional, garantindo acolhimento humanizado e resolutivo.
Em demanda espontânea, a paciente, ao ser atendida pela enfermeira da unidade e encaminhada para consulta médica, não apresentou manchas no momento da avaliação. Assim, foi realizado pelo médico o encaminhamento para a especialidade de dermatologia, e o caso foi notificado na Vigilância Epidemiológica. A consulta com a dermatologista foi agendada para o mês de agosto, ocasião em que foram constatadas placas eritematosas em dorso e ausência de lesões em braços. Na ocasião, a paciente esclareceu que seu esposo teve hanseníase há 12 anos. Foi solicitada biópsia para conclusão do diagnóstico. Em janeiro de 2024, foi realizada a biópsia, e a notificação foi efetuada por meio do SINAN (Sistema de Informações de Agravos de Notificação) na data de 07/02/2024. Em fevereiro de 2024, a enfermeira da Vigilância convocou a paciente a comparecer à unidade de saúde para esclarecimentos sobre o resultado da biópsia para Hanseníase Virchowiana e para a coleta de dados referentes à sua história clínica. A paciente referiu ser divorciada; seu ex-marido, que atualmente residia em Gália, era portador de hanseníase há 12 anos. No momento, residia sozinha, uma vez que seu filho havia se casado há dois anos e passado a morar em outra residência. Aos domingos, familiares passavam o dia com ela em sua residência. Exercia atividades laborais na zona rural há 10 anos, e sua principal queixa era a falta de sensibilidade em membros superiores.
Durante um período de 1 ano e 8 meses de tratamento, iniciado em junho de 2023 e encerrado em fevereiro de 2025, a paciente passou por consultas para acompanhamento com a Enfermeira e a Médica na unidade de referência, totalizando 39 consultas; com a Dermatologista, 5 consultas; com a Oftalmologista, 3 consultas; com a Assistente Social, 7 consultas; com a Nutricionista, 2 consultas; realizou 3 visitas domiciliares; e 2 consultas na UPA. A paciente apresentou melhora na sensibilidade das mãos no 9º mês de tratamento. Após a prática de acompanhamento sistemático e humanizado no tratamento da hanseníase, foi observada significativa evolução clínica e emocional da paciente ao longo dos 12 meses de acompanhamento, com boa adesão. A adesão ao tratamento foi satisfatória, com uso correto da poliquimioterapia e comparecimento regular às consultas. Apesar dos sintomas apresentados durante o tratamento, a paciente foi orientada sobre possíveis reações aos medicamentos e foi assistida regularmente, apresentando melhora clínica e estabilidade ao longo do período. Os principais impactos positivos foram a melhora das lesões cutâneas, a ausência de reações hanseníacas graves e a prevenção de incapacidades físicas. Além dos resultados clínicos positivos, a paciente demonstrou maior compreensão sobre a doença e segurança no autocuidado, refletindo em melhora da autoestima e no enfrentamento do estigma social. O acompanhamento multiprofissional e o vínculo estabelecido com a equipe de saúde.
Essa experiência vivenciada no acompanhamento da paciente em tratamento para hanseníase nos proporcionou importantes aprendizados, tanto para a equipe de saúde quanto para a própria usuária. O desenvolvimento de uma prática centrada no acolhimento, na escuta ativa e no acompanhamento contínuo demonstrou ser essencial para fortalecer o vínculo profissional/paciente, garantir a adesão ao tratamento e promover qualidade de vida. Essa vivência reforçou a relevância da abordagem humanizada e multiprofissional no cuidado à pessoa com hanseníase, contribuindo para a superação do estigma social ainda existente em torno da doença. A prática possibilitou compreender que o sucesso terapêutico ia além da cura clínica, envolvendo também aspectos emocionais, sociais e educativos. Diante dos resultados positivos observados, destacamos a possibilidade de replicação dessa experiência em outras unidades de saúde, adaptando as estratégias de acompanhamento e educação em saúde conforme as realidades locais. A troca de conhecimento, experiências e o fortalecimento do trabalho em equipe contribuíram significativamente para o controle da hanseníase e para a construção de um cuidado mais humanizado e resolutivo dentro da Atenção Primária à Saúde.
HANSENIASE, UNIDADE DE SAÚDE
YASMIN BIASETTO CASARIM, RAQUE JORGE DA SILVA, NATÁLIA SANTOS ROSÁRIO AGOSTINI, GUIDO GAION FILHO