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A auriculoterapia, prática da Medicina Tradicional Chinesa, trata desequilíbrios por meio da estimulação de pontos na orelha. A lógica clínica chinesa é essencial para um atendimento eficaz, pois compreende o ser humano de forma integral e vitalista. Ao avaliar a formação dos profissionais de saúde que participaram do curso de auriculoterapia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), identifiquei lacunas significativas, especialmente na localização dos pontos auriculares, suas funções, combinações terapêuticas e no conhecimento da anatomia da orelha. O curso consistiu em um único encontro presencial para ensinar a localização dos pontos, com o restante do conteúdo online. Esse formato mostrou-se insuficiente para garantir a formação prática necessária, comprometendo a qualidade do atendimento. Para suprir essas lacunas, foi implementada uma supervisão aprofundada, proporcionando maior compreensão da lógica clínica chinesa. Os encontros supervisionados corrigiram erros técnicos e fortaleceram os princípios da Medicina Tradicional Chinesa, garantindo uma prática mais alinhada com seus conceitos e ampliando a eficácia do tratamento.
Os objetivos da supervisão foram ensinar a localização dos pontos auriculares a partir da padronização definida pela OMS e pela escola Huang Li Chung de auriculoterapia, garantindo que os profissionais dominassem a técnica de forma precisa e eficiente. Além disso, buscou-se aprofundar o conhecimento sobre as combinações de pontos mais eficazes para diferentes condições clínicas, promovendo um atendimento mais assertivo. Outro objetivo importante foi transmitir os principais conceitos teóricos da Medicina Tradicional Chinesa, validando o olhar integral e vitalista do paciente, essencial para o tratamento. A supervisão teve como foco também aumentar a segurança e a competência técnica dos profissionais, com a correção de equívocos, e como consequência, proporcionar um aprimoramento na qualidade do atendimento, elevando a eficácia dos resultados terapêuticos.
A metodologia da supervisão foi completamente presencial, com encontros realizados uma vez por mês, com duração de 3 horas. Cada encontro seguiu uma abordagem teórico-prática, buscando integrar o conhecimento teórico da Medicina Tradicional Chinesa com a aplicação prática da auriculoterapia. A discussão de casos clínicos foi um dos pilares da supervisão, e seguiu referências teóricas da etiopatogenia da medicina chinesa, além dos métodos diagnósticos que dela derivam, como a observação, a palpação, a escuta e a pergunta. Essa abordagem permitiu que os profissionais aplicassem o conhecimento teórico diretamente em suas práticas clínicas, promovendo um entendimento mais profundo da lógica da medicina chinesa. Durante os encontros, também foram realizadas práticas de colocação das sementes auriculares, com correções diretas e orientações para a combinação dos pontos. As correções técnicas e teóricas, juntamente com a análise crítica dos casos, visaram aumentar a confiança dos profissionais e melhorar a precisão no diagnóstico e no tratamento, resultando em maior eficácia nos atendimentos.
Os resultados da supervisão foram amplamente positivos, segundo os relatos dos profissionais. A maioria destacou o impacto significativo na prática clínica, ressaltando que, apesar de outros cursos, a supervisão foi essencial para compreender a lógica da Medicina Tradicional Chinesa, aprimorar o diagnóstico e a localização dos pontos. As discussões teóricas e o estudo de casos clínicos estimularam um raciocínio mais reflexivo e individualizado. Após a supervisão, os profissionais relataram maior segurança e confiança, especialmente ao aplicar técnicas como a sangria, com alívio imediato dos pacientes. A interação entre colegas foi enriquecedora, ampliando a compreensão dos benefícios da auriculoterapia. Muitos destacaram a importância da supervisão para desmistificar abordagens padronizadas e personalizar os atendimentos. O impacto foi evidente nos resultados terapêuticos, com melhora nas queixas de dores, ansiedade e insônia. Mais que capacitação técnica, a experiência despertou maior interesse pela Medicina Chinesa e incentivou a busca contínua por conhecimento.
As considerações finais deste trabalho de supervisão destacam a importância de uma formação mais completa e aprofundada em auriculoterapia, que deve incluir não apenas a teoria, mas também a prática constante. Uma capacitação voltada para o atendimento e tratamento, especialmente no contexto das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), não pode ser predominantemente online, com apenas um dia dedicado à prática. É nítida a necessidade de capacitações que integrem teoria e prática de forma equilibrada, para que o profissional seja capaz de elaborar um plano terapêutico individualizado, levando em consideração a idiossincrasia de cada paciente. O olhar integral e multifatorial é fundamental para o sucesso do tratamento, conforme preconiza a racionalidade médica chinesa. Cada paciente deve ser tratado de forma única, o que exige conhecimento aprofundado dos métodos diagnósticos e da teoria da Medicina Chinesa. A supervisão demonstrou que, embora haja avanços significativos, a continuidade das supervisões e o aprofundamento constante são essenciais para garantir que os profissionais tenham a segurança e o conhecimento necessários para oferecer um atendimento de qualidade, eficaz e verdadeiramente integrativo.
PICS, Auriculoterapia, Capacitação
FERNANDO SILVA