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O projeto SUS na Praça nasce em junho de 2024, na Unidade de Saúde de Família (USAFA) Caiçara, no município de Praia Grande, a partir de uma necessidade do bairro. A unidade de saúde conta com uma população atual de 15.386 pessoas dividida em quatro equipes de saúde da família. Apesar do território contar com apoio dos equipamentos Conviver e Programa de Integração e Cidadania (PIC), a distância entre os equipamentos para a população adstrita, na maioria idosos, é um fator agravante para a aderência dos usuários a estes serviços. Reforçando uma das diretrizes do SUS (Sistema Único de Saúde), por muitas vezes com seu poder negligenciado, esse projeto tornou vivo e ativo a Participação da Comunidade (1), utilizando a praça mais conhecida do bairro, Praça da Feirinha de Artesanato. O enfoque do grupo é criar um diálogo além das paredes da unidade de saúde e além dos consultórios, e encontrar junto à comunidade espaços para trocas, educação em saúde e apresentar todos os recursos vivos dentro do próprio bairro. Assim, o projeto SUS na Praça torna-se uma iniciativa de grande relevância, propaga-se com o incremento no número de pessoas participantes, propõe uma comunicação ativa e um melhor relacionamento entre a USAFA e a população do bairro. Sua essência é a atuação do ser humano como peça terapêutica fundamental quando colocado em comunidade a partir de um ponto de vista sociocultural em saúde.
• Promover integração e fortalecer vínculos entre USAFA e população, a partir de um ambiente acolhedor e familiar; • Melhorar a qualidade de vida da comunidade ressaltando suas potencialidades e protagonismo junto a equipe eMulti, unidade de saúde e equipamentos do território; • Dialogar sobre prevenção, promoção de saúde, além de estimular as relações interpessoais e práticas corporais.
O grupo foi criado em formato de grupo aberto e teve como público alvo a população idosa, correspondente a 34,5% dos usuários cadastrados na USAFA, e foi definido a partir do diagnóstico local e reuniões entre as equipes. A periodicidade do grupo é mensal e conta com a participação das médicas, enfermeiras, agentes comunitários de saúde e com o apoio de voluntários. Os temas definidos em reuniões são programados junto aos equipamento da rede de atenção à saúde. A população é convidada a partir de uma lista de transmissão com 4767 pessoas por meio do whatsapp, usando o telefone do cadastro de cada usuário. A praça da Feira de Artesanato, localizada no centro do território e já usada como lazer, foi escolhida como local com o intuito de trazer um lugar em comum para a população. Foram realizados nove encontros envolvendo sempre a discussão de um tema de educação em saúde vinculado a uma prática esportiva ou cultural. Contou-se com a participação do time de vôlei adaptado do bairro, Grupo de Dança Passinhos do Caiçara, Carmen da Horta do Espaço Conviver, Aula de Yoga do PIC, aulas de dança do Conviver e aula de Tai Chi Chuan. Os temas discutidos abordaram a importância do exercício físico na terceira idade, higiene do sono, alimentação saudável, plantas medicinais, prevenção de quedas e cuidados posturais, saúde mental e prevenção ao suicídio, outubro rosa, prevenção de dores e meditação guiada.
Este projeto trouxe a ferramenta do grupo como possibilidade terapêutica e hoje tem-se uma média de 80 pessoas por encontro. O aumento da interação social, aliado à facilidade de acesso aos serviços do SUS em um ambiente mais acolhedor e próximo, alterou o comportamento da população em relação ao atendimento médico tradicional. O público se acostumou a participar de encontros em grupo, ampliando o vínculo com a equipe de saúde e fazendo parte de um processo coletivo. O SUS na Praça enfatizou a saúde não apenas no sentido curativo, mas também como um processo contínuo de promoção e prevenção. Essa perspectiva ampliada fez com que os cidadãos compreendessem melhor a importância dos serviços preventivos e educacionais (1). Também demonstrou à população que os serviços do SUS não precisam ser limitados à unidade de saúde, uma vez que as atividades comunitárias passaram a ser vistas como uma extensão do cuidado que a USAFA proporciona. Trazendo a voz da população para o papel, segue alguns depoimentos: “Boa tarde!!!! Eu agradeço demais foi uma tarde maravilhosa, vocês estão de parabéns por a equipe nota 10 da usafa caiçara” “Ótimos profissionais, exercícios, dica, tudo de bom. Muito obrigada” Eu agradeço imensamente por vocês proporcionarem esses encontros esclarecedores e maravilhosos. Muito obrigada”“Eu também agradeço por esses momentos maravilhosos, iniciativa, criatividade, acolhimento. Muito obrigada, Parabéns a todas participantes”.
O SUS fortalecido vai além do número de consultas individuais, vagas ofertadas e demandas do dia. Realizar uma ação contínua em um ambiente fora do conforto do consultório é acreditar que o SUS acontece quando há motivação do trabalhador, quando há esperança em qualificar a saúde para os usuários e quando se tem certeza que a força motriz do nosso sistema de saúde é a Atenção Primária: quem atende e entende as necessidades patentes do território. As portas da comunicação devem se ampliar para todos os níveis de gestão do cuidado, buscando o fim que é comum a todos: acesso à saúde de qualidade. Ter espaços para diferentes tipos de atendimento, espaços respeitados para reuniões de equipe e mais acesso às equipes eMulti é necessário para se alcançar resultados de maior bem estar e satisfação. Equipar a Atenção Primária para que a Saúde da Família e Comunidade possa ser exercida em sua integralidade é extremamente importante para a população e para a equipe de saúde. Esse projeto retoma o contato e o vínculo com os equipamentos e USAFA. O SUS na Praça é sobre potência em comunidade, além da medicina. É ver propósito além do trabalho.
atenção primária, saúde da família, grupo de saúde
KELLI CRISTINA DE JESUS, JULIANA PALOMANES SIMOES