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A educação popular em saúde é um processo essencial para promover a participação social e a conscientização sobre a prevenção de doenças. Como uma abordagem de educomunicação, a Divisão de Controle de Vetores do Departamento de Vigilância em Saúde, desenvolveu um teatro educativo e interativo no tema Dengue que envolve ativamente os alunos na construção do conhecimento, garantindo que sejam parte ativa do processo de aprendizagem. A estratégia visa mobilizar os estudantes para que se tornem agentes multiplicadores da prevenção contra a dengue, incentivando a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti e o uso de repelente no ambiente familiar e na comunidade.
1. Promover a educação popular em saúde sobre a dengue por meio de uma abordagem teatral interativa, baseada nos princípios da educomunicação. 2. Estimular a participação ativa dos alunos na construção do conhecimento a respeito do tema dengue, tornando-os protagonistas da experiência. 3. Incentivar hábitos preventivos de eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti dentro das escolas, no ambiente familiar e na comunidade. 4. Desenvolver estratégias pedagógicas dinâmicas que ampliem o engajamento escolar e comunitário no combate ao Aedes aegypti.
A iniciativa foi implementada em 2023 e expandida em 2024. No primeiro ano, foram atendidas oito escolas municipais, com 3.099 alunos do Ensino Fundamental I, com idades entre 5 e 14 anos. Em 2024, a ação foi direcionada para alunos do 1º ano do Ensino Fundamental I, contemplando 19 das 21 escolas municipais e particulares do município, atendendo 1.350 crianças com idades entre 5 e 7 anos. A encenação foi conduzida por dois agentes da Divisão de Controle de Vetores, que atuaram como narradores e mediadores, orientando a participação dos alunos. A encenação incluiu: a) Narração interativa e participação ativa dos alunos, que assumiam papéis na história. b) Participação de alunos voluntários, sendo um representando o mosquito fêmea e os outros dois, uma pessoa saudável e uma com dengue. c) Figurinos representando o mosquito e pessoa com os sintomas da dengue, além de cenário representando um quintal, com locais propícios para a reprodução do Aedes aegypti. d) Demonstração do ciclo de transmissão da dengue, com a troca de placas indicativas de “saudável” e “com dengue” conforme o desenrolar da história. e) Explicação sobre sintomas e uso do repelente. f) Apresentação de amostras reais das fases do ciclo de vida do mosquito (ovos, larvas, pupas e mosquito adulto). g) Demonstração prática de eliminação de criadouros. h) Distribuição de histórias em quadrinhos sobre dengue, para que as crianças pudessem colorir e levar para casa.
A estratégia do teatro interativo como ferramenta de educomunicação mostrou-se eficaz, garantindo a participação ativa dos alunos na construção do aprendizado e promovendo o engajamento coletivo na prevenção da dengue. A adaptação do público-alvo para alunos do 1º ano se mostrou mais eficiente, permitindo a participação de instituições de ensino públicas e particulares, garantindo a continuidade da atividade anualmente. Diversos docentes relataram que a atividade despertou interesse e envolvimento das crianças, tornando o aprendizado mais significativo. Além disso, alguns pais elogiaram a iniciativa, comentando que seus filhos chegaram em casa entusiasmados para colocar em prática o que aprenderam e mostrar a história em quadrinhos recebida. Além do impacto direto no aprendizado, a abordagem lúdica e participativa do teatro desempenhou um papel essencial na fixação do conhecimento. Ao vivenciarem a história de maneira participativa, as crianças puderam associar os conceitos de forma mais concreta, facilitando a retenção das informações e a transformação desse aprendizado em atitudes diárias. A entrega do material impresso permitiu que a informação ultrapassasse os muros da escola, alcançando as famílias e incentivando práticas preventivas dentro do ambiente familiar. Diante do sucesso da experiência, a iniciativa foi incorporada ao planejamento anual da Divisão de Controle de Vetores, consolidando-se como uma ação fixa para os alunos do 1º ano do Ensino Fundamental.
A experiência evidenciou a importância da educomunicação como estratégia para a promoção da educação em saúde. Ao invés de uma abordagem tradicional, centrada apenas na transmissão de informações, o teatro interativo possibilitou um processo de ensino-aprendizagem dinâmico e participativo, em que os alunos tiveram papel ativo na construção do conhecimento sobre dengue. O envolvimento direto dos estudantes na encenação e interação permitiu uma assimilação significativa dos conceitos sobre a dengue e da importância do controle do Aedes aegypti. Esse protagonismo infantil permitiu que as crianças não apenas absorvessem o conhecimento, mas também se sentissem parte do processo de prevenção, replicando as boas práticas no ambiente familiar e comunitário. Ademais, a realização do teatro interativo se mostrou uma estratégia pedagógica eficaz e replicável. A continuidade da iniciativa nos próximos anos fortalecerá as ações educativas no município, promovendo uma comunidade mais consciente e ativa na prevenção da dengue, consolidando a experiência como um modelo inovador de educação em saúde.
educomunicação, educação em saúde, teatro, dengue
NAHOMI BARBOSA YAMAKI, JAQUELINE FEBRAIO, HANNA AUGUSTA MACHADO, CAMILA DE ANDRADE CAMARGO