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O município de Guarulhos tem em seu território dois Centros de Detenção Provisória (CDP) e duas Unidades Prisionais (UP), com 6376 Pessoas Privadas de Liberdade (PPL). A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade tem como objetivo ampliar as ações de saúde nas UP e, através da pactuação entre município e Ministério da Saúde da CIB 24 (que define que os municípios sede de estabelecimentos prisionais poderão optar pela da gestão municipal das UP de seu território, assumir o financiamento e a contratação das Equipes de Atenção Primária Prisional – EAPP. Desta forma, como estratégia de superar as adversidades impostas pela condição de confinamento que dificulta o acesso às ações e serviços de saúde de forma integral e efetiva e, especialmente, dificulta o acesso das PPL ao cuidado em saúde mental, a oficina “Tecendo Histórias” foi pensada como um espaço para a expressão e o compartilhamento de vivências que pudessem trazer sentido ao viver das PPL.A partir das experiências (re)vivenciadas, da compreensão da singularidade de suas histórias e da reflexão sobre si mesmas, as PPL eram convidadas a refletir sobre autoconhecimento, auto-estima e auto-superação, na expectativa de compreenderem a importância de sua trajetória na construção da própria individualidade e sobre o protagonismo que lhes compete em sua própria história.
OBJETIVO GERAL:Desenvolver estratégias de sensibilização para reflexões que auxiliassem na prevenção e promoção da Saúde Mental. Objetivos Específicos: Resgatar memórias afetivas capazes de envolver as PPL no protagonismo da própria história; Facilitar a expressão das memórias afetivas com o objetivo de acolher as histórias compartilhadas;Compartilhar as emoções advindas a partir das memórias, refletir sobre elas e sobre o quanto elas foram importantes na construção da história individual; Sensibilizar as PPL para a compreensão da própria dinâmica em sua trajetória de vida.
A oficina foi realizada no período de fevereiro a setembro de 2024 nas UP Adriano Marrey, Parada Neto e no CDP 2. Contou com um grupo de 20 PPL em cada oficina. Foram disponibilizados vários objetos contemporâneos e antigos às PPL (brinquedos antigos, peças de porcelana antiga, panelas de ferro, relógios de bolso, objetos em crochet, utensílios de cozinha, etc) que pudessem estimular o despertar das memórias afetivas e mobilizá-los a compartilhar as emoções que essas memórias traziam. As PPL foram estimuladas a escolher o objeto que mais lhes trouxesse recordações de sua história e a expressar as emoções suscitadas pelo objeto.
A equipe observou que os participantes foram colaborativos, demonstrando boa aceitação do que foi proposto, trazendo seus relatos com respeito à própria história. Muitos relataram que, de forma lúdica, eles relembraram momentos marcantes com pessoas por quem tinham afeto, fazendo-os reviver o quanto essas pessoas foram importantes em suas vidas.
Com o objetivo de resgatar o sentimento de singularidade e o respeito às diferenças, em consonância com os princípios de universalidade, equidade e integralidade do SUS, proporcionando às pessoas, momentos em que se pudesse trabalhar a prevenção e promoção da saúde mental de forma humanizada e equânime e considerando a dificuldade de acesso das PPL a espaços onde possam falar sobre suas questões, refletir sobre sua trajetória e sentir-se integradas ao mundo em que vivem, essa oficina foi idealizada como espaço de expressão e acolhimento. Viver em isolamento da sociedade traz desafios para a manutenção da saúde como um todo. No entanto, o desafio se torna maior quando se pensa em promoção e prevenção em saúde mental em condições adversas ao acolhimento incondicional e à escuta qualificada das questões internas que precisam ser trabalhadas.
Privados de Liberdade; Protagonismo; Saúde Mental
REGIANE VIEIRA SOUZA, LETÍCIA DE BORBOREMA NEVES, SOLANGE APARECIDA MIGUEL