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A psicologia tem o papel de compreender fatores psicossociais associados ao tabagismo, usando a abordagem cognitivo comportamental do fumante e tratamento medicamentoso. Fumar está ligado a transtornos psiquiátricos como depressão, esquizofrenia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, abuso de substâncias e aumento do risco de episódios de pânico (MALBERGIER; OLIVEIRA, 2005). Um recurso para trazer mais consciência para o fumante é a meditação. A técnica é a respiração diafragmática, que consiste em respirar de forma profunda envolvendo o músculo do diafragma (BROWN, GERBARG, 2005). O sistema nervoso autônomo, é responsável pelo controle das funções involuntárias do corpo. O sistema nervoso simpático é aquele que é ativado em situações de estresse, como o momento de fissura. Ele aumenta a frequência cardíaca e pressão arterial, libera adrenalina, etc (DUARTE, 2018). Para voltar ao equilíbrio, o sistema nervoso parassimpático é ativado pela respiração diafragmática. Isso ajuda a equilibrar as respostas do sistema nervoso simpático (responsável pelo modo de luta ou fuga) e do sistema nervoso parassimpático (responsável pelo modo de descanso e digestão), promovendo um estado de restauração (JERATH et. al., 2006).De acordo com Vidrine (2009), quanto maiores os níveis de atenção plena, menores os sintomas de abstinência e fissura.
Instrumentalizar pacientes com recurso para o manejo de situação e estressoras pela técnica de relaxamento no tratamento da cessação do tabagismo.
O tratamento para a cessação do tabagismo deve ser realizado em sessões periódicas estruturadas (em 4 grupos, seguido de manutenção até um ano), embasadas na terapia cognitivo-comportamental e acesso a medicamentos, realizada por profissionais da unidade treinados. Na segunda sessão de cada grupo é aplicada a técnica de relaxamento, sendo conduzida por essa profissional. A técnica de relaxamento desenvolvida foi baseada no método de Jacobson (1938), presente no Caderno 40 do Ministério da Saúde, que foi adaptada pela psicóloga. A técnica durou em torno de 30 minutos. Foram utilizados colchonetes e música de relaxamento que possuía sons da natureza, de água corrente e passarinhos. No momento em que os participantes decidem parar de fumar, sofrem da síndrome de abstinência e fissura. A técnica é realizada no segundo encontro do grupo, justamente por esse ser o período ser o “Planejamento das mudanças a realizar e uso de técnicas de autocontrole”(BRASIL, 2015). Pacientes foram ensinados a realizar a respiração de quatro tempos sentados nas cadeiras: “Soltar o ar durante 4 segundos. Segurar a respiração por 4 segundos. E inspirar por 4 segundos.” Foi orientado que eles repetissem esse processo 3 vezes. Depois, os participantes se deitaram e foram orientados a encontrar uma posição confortável. As luzes foram apagadas da sala, e a psicóloga colocou a música de relaxamento. Primeiro foi aplicada uma técnica de mindfulness e em seguida narrou uma meditação guiada.
Do mês 05/2023 a 12/2023 tivemos 24 participantes. Dentre eles usuários de maconha, ex-usuários de cocaína, pessoas com diagnósticos de transtorno bipolar, esquizoafetivo, ansiedade, depressão, câncer de pulmão, sendo que um dos participantes havia tido um surto psicótico recém manejado. Todos são usuários de tabaco há mais de 20 anos. Ao final do relaxamento, os participantes puderam compartilhar suas experiências. A paciente com transtorno esquizoafetivo disse que nunca havia sentido nada assim. Se entregou ao relaxamento de tal forma que se sentiu muito bem, deixando o cigarro ir embora durante, sentindo ele se desprendendo dela. Contou que apesar de não saber nadar, sentiu que estava boiando na água e muito calma. Os pacientes usuários e ex-usuários de drogas contaram que tiveram dificuldade em relaxar no início, mas que depois se entregaram por conta de se sentirem seguros com a psicóloga. O paciente que recentemente havia saído de um surto psicótico contou que se entregou para o relaxamento que se viu balançando em cima de uma pedra, se sentindo livre. O paciente mais idoso contou que relaxou, quase dormiu. Posteriormente contou que estava utilizando dessa técnica de respiração quando sentia os sintomas da fissura. Quando ficava muito nervoso, dava socos na parede para tentar aliviar sua agressividade. Nos momentos que quer brigar, atualmente realiza a técnica, respira e se sente melhor, sendo que até sua família relatou uma melhora do paciente lidar com a fissura.
ABRINDO NOVOS CAMINHOS POR DENTRO O trabalho teve como intuito descrever sobre a aplicação da técnica de relaxamento em grupo de cessação de tabagismo como um novo recurso ensinado para instrumentalização dos pacientes no manejo de situações estressoras. A experiência de realização deste trabalho foi gratificante por conta da possibilidade de explorar os aspectos físicos do relaxamento/estresse em um espaço tão dinâmico quanto um grupo. Os pacientes relataram que utilizam dessa técnica para além da fissura, utilizando-a em momentos de conflitos interpessoais e como forma de se autorregular, demonstrando que a mesma permitiu “abrir novos caminhos por dentro”.
Técnicas de Relaxamento,Tabagismo,Doenças Crônicas
Maria Eugênia Feierabend Gonçalves, Ana Carla Sousa de Araújo, Gustavo Leão Lucindo, Rute Aparecida Casas Garcia, Rute Tosta Machado Rezende, Maria Teresa Costa Torquato, Mayara Liye Arita, Alexandra Castilho Gomes Amaral