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A dengue é um problema de saúde pública que ocorre no mundo, especialmente em países tropicais e subtropicais. No início de 2024, o Brasil já noticiava a epidemia de Dengue com índices elevados de casos graves e óbitos, fechando o ano com 5.973.343 de casos confirmados. O Estado de São Paulo (ESP) totalizou 2.164.453 casos da doença e no município de Santos 5.395 casos confirmados. Em 2025, o município seguiu em epidemia, totalizando 4.834 casos confirmados. Diante dos dados apresentados, destacam-se alguns recursos tecnológicos no enfrentamento e controle de tais epidemias em curso. O município conta com um sistema inteligente de capturas de mosquitos através de armadilhas para fins de captura de mosquitos e, Geoprocessamento, sistema que foi aperfeiçoado a partir de 2024, sendo monitorado pela equipe de controle de vetores. Além disso, em 2025, houve ampliação do método de diagnóstico laboratorial, como oferta do teste rápido em todas as unidades de saúde, bem como oferta de teste de biologia molecular para grupos específicos, de acordo com o novo protocolo laboratorial do ESP, a fim aumentar a possibilidade de identificação dos sorotipos circulantes do vírus Dengue. Outro recurso válido foi a estratégia de intensificar a comunicação/informação através das redes sociais, canais oficiais da prefeitura de Santos para informar a população. Ofertou-se, ainda, treinamentos de modo síncrono/online e presencial aos profissionais de saúde sobre o novo protocolo e manejo clínico.
O presente trabalho tem como objetivo evidenciar os avanços tecnológicos utilizados no âmbito do enfrentamento às epidemias de dengue no município de Santos que contribuíram para as práticas de cuidado integral com a população, considerando os determinantes sociais de saúde, o território, os fatores de risco para transmissão e o agravamento da doença, reduzindo, assim, o número de óbitos e mitigando os impactos da doença na cidade de Santos.
No que cerne o monitoramento do Aedes Aegypti, o sistema permite que a Vigilância tenha um retrato semanal da infestação na cidade. Atualmente, fazem parte desse sistema duas etapas: Mosquitraps: armadilhas desenvolvidas para a captura de mosquitos adultos, possuindo um atraente sintético de oviposição chamado AtrAedes, que visa atrair fêmeas para o dispositivo, e o Geoprocessamento que são as vistorias semanais das armadilhas realizadas pelos agentes de endemias, onde se utiliza um aplicativo em um dispositivo móvel, gera um resultado que é disponibilizado através de mapas, gráficos e tabelas no sistema MIAedes. Existem hoje 471 armadilhas instaladas com a anuência do responsável do imóvel, identificando as áreas prioritárias para ações de controle. Com relação a ampliação do método diagnóstico, no início de 2025, houve a disponibilização de teste rápido e a ampliação de coleta de amostras até o 5º dia do início dos sintomas para crianças menores de 5 anos, maiores de 60 anos, gestantes, pacientes com comorbidade, pacientes internados graves, devido maior risco de complicações e óbitos pela doença. Esta tecnologia permite identificar os sorotipos circulantes. Na vigência do novo protocolo, foram capacitados cerca de 500 profissionais de saúde da Atenção Primária, Upas e hospitais de modo síncrono/online e presencial, oportunizando participação à distância da rede de assistência, além da divulgação no site da prefeitura do município sobre os novos métodos diagnósticos.
Frente as capacitações, os atendimentos de casos leves de suspeita de dengue passaram ser absorvidas pela Atenção Primária, nas Upas e hospitais, os casos mais graves ou com sinais de alarme, sobretudo, com um diferencial: os pacientes após o atendimento inicial, passaram a ser referenciados para as unidades mais próximas de suas residências para os acompanhamentos diários, melhorando a qualidade da assistência no sentido do cuidado integral considerando os determinantes sociais de saúde, o território onde está inserido, os fatores de risco para transmissão e agravamento da doença, reduzindo os riscos para o paciente, e principalmente o número de óbitos. Em 2024, houve circulação de dois sorotipos: DENV1 (Dengue do Tipo 1) e DENV2 (Dengue do Tipo 2) com predomínio de DENV1 (19 casos positivos do sorotipo 1). Em 2025, houve detecção de 3 sorotipos: DENV1, DENV2 e DENV3 com predomínio de DENV2 (21 casos positivos do sorotipo 2). Percebeu-se ainda que a maioria dos casos confirmados pelo critério laboratorial, em decorrência da implementação do novo protocolo laboratorial, pelo método RT-PCR no ano de 2025, a maior parte dos confirmados foi pelo sorotipo 2 (DENV2). No que tange as armadilhas e o Geoprocessamento, nos anos de 2024 e 2025, para além da importância deste trabalho que gera dados entomológicos de monitoramento na cidade, serviram como ferramentas norteadoras de apoio às classificações de casos confirmados pelo critério clínico epidemiológico na VE do município.
Para avançar no enfrentamento às epidemias de dengue é preciso mais do que tecnologias, é preciso retomar princípios doutrinários do SUS como a integralidade, que pressupõe o atendimento das múltiplas necessidades do indivíduo, sendo assim, a tecnologia contribuirá em diferentes etapas deste processo, desde a prevenção, controle vetorial até o cuidado ao paciente e o monitoramento epidemiológico. Nessa perspectiva, a incorporação de novas tecnologias no enfrentamento às arboviroses, sob a ótica da integralidade do cuidado, envolve uma abordagem abrangente que articula recursos inovadores de ações educativas e assistenciais, de controle vetorial, de comunicação e de informação.
Tecnologias, monitoramento, dengue, arboviroses
FABIANA LOYDE WAKAI JORGE PINHO, LUCIANA SOUZA DA ASSENÇÃO DE JESUS, DANIELLI SOUZA NASCIMENTO PEREIRA, NIVIA TORRES DOS SANTOS, MARIANA MOREIRA BONIFÁCIO, LARISSA BUENO, CAROLINE NASCIMENTO ALBERGHINI