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A humanização da atenção à saúde é um princípio estruturante do Sistema Único de Saúde e assume especial relevância no cuidado materno-infantil, período marcado por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. O nascimento de um bebê, especialmente quando acompanhado de internação neonatal, mobiliza sentimentos profundos nas famílias, como medo, insegurança, expectativa e esperança, exigindo do cuidado em saúde uma abordagem que ultrapasse o aspecto exclusivamente técnico. Nas unidades neonatais, a presença de equipamentos, protocolos e rotinas assistenciais, embora indispensável à segurança do recém-nascido, pode reforçar a percepção de um ambiente frio e impessoal. Nesse cenário, o uso de tecnologias leves — como acolhimento, escuta qualificada, vínculo, empatia e comunicação sensível — torna-se fundamental para promover cuidado integral e fortalecer as relações entre famílias, bebês e equipes de saúde. No Hospital e Maternidade Amador Aguiar (HMAA), reconhecendo a importância de olhar para além da doença e valorizar a experiência do usuário, foram desenvolvidas, ao longo do ano, ações de humanização voltadas à construção de um ambiente mais acolhedor e afetivo. Essas iniciativas buscaram fortalecer o vínculo mãe–bebê, ampliar a participação familiar e ressignificar a vivência da internação neonatal, reafirmando o cuidado como um encontro entre pessoas, histórias e afetos.
Relatar experiências exitosas de humanização do cuidado e uso de tecnologias leves desenvolvidas ao longo do ano na atenção materno-infantil, com foco no fortalecimento do vínculo, na valorização da experiência do usuário e na promoção do cuidado integral. Promover acolhimento e vínculo entre famílias, bebês e equipe de saúde. Humanizar o ambiente hospitalar nas unidades neonatal e de alojamento conjunto. Valorizar datas simbólicas como estratégia de cuidado. Incentivar a doação de leite materno por meio de comunicação sensível e educativa.
As ações de humanização foram desenvolvidas ao longo do ano envolvendo a UTI Neonatal e o alojamento conjunto, fundamentadas no uso de tecnologias leves e na atuação multiprofissional. No planejamento das atividades, foram elencadas datas comemorativas que nortearam as ações. O planejamento e a execução ocorreram de forma integrada entre as equipes, respeitando os fluxos institucionais e as condições clínicas dos recém-nascidos. Destaca-se a iniciativa “Neo é Natal”, já realizada no ano de 2024, que consistiu na realização de registros fotográficos humanizados de recém-nascidos internados na UTI Neonatal, posteriormente ampliada para o alojamento conjunto. Também foram realizadas ações fotográficas alusivas ao Dia das Mães e Dia dos Pais, envolvendo bebês e familiares (pais, mães, irmãos e avós). Para o Dia da Doadora de Leite Humano, foi produzido material audiovisual institucional com a participação de mães e bebês, como estratégia de promoção do aleitamento materno. Para a realização das ações, foram previamente colhidas autorizações dos pais ou responsáveis e realizados agendamentos, garantindo organização, conforto das famílias e segurança dos bebês. A equipe foi responsável pela preparação dos cenários conforme a temática proposta e pelo acolhimento dos familiares. Na UTI Neonatal, os registros foram adaptados à realidade do setor, com adequações às incubadoras e aos dispositivos assistenciais, respeitando rigorosamente os protocolos de segurança e controle de infecção.
As ações de humanização desenvolvidas ao longo do ano impactaram positivamente a experiência das famílias e a ambiência do cuidado, especialmente no contexto da internação neonatal. Na iniciativa “Neo é Natal”, observou-se expressiva participação dos pais nos registros fotográficos, vivenciados como momentos de acolhimento, emoção e aproximação com o recém-nascido hospitalizado, muitas vezes prematuro. A presença de avós e irmãos durante os ensaios fotográficos ampliou a participação familiar e favoreceu o fortalecimento do vínculo com o bebê, mesmo em um ambiente historicamente marcado pela rigidez técnica. Esses momentos possibilitaram a ressignificação da experiência de hospitalização, contribuindo para a redução da percepção de frieza do ambiente hospitalar e promovendo maior conexão afetiva entre o recém-nascido e sua rede de apoio. As ações também contribuíram para o fortalecimento do vínculo mãe–bebê e família–bebê, estimulando sentimentos de pertencimento, cuidado e esperança durante o período de internação. Observou-se maior proximidade entre famílias e equipes de saúde, com reflexos positivos na satisfação dos usuários, na valorização da parentalidade e na autoestima materna. Adicionalmente, a produção de material audiovisual sobre a doação de leite humano ampliou a sensibilização das usuárias e fortaleceu a visibilidade do Banco de Leite Humano, reforçando o aleitamento materno como prática de cuidado e humanização no SUS.
As ações de humanização desenvolvidas ao longo do ano demonstraram que o uso intencional de tecnologias leves é capaz de produzir mudanças significativas no cuidado materno-infantil, mesmo em contextos de alta complexidade, como a internação neonatal. As iniciativas favoreceram o fortalecimento do vínculo entre o recém-nascido hospitalizado, frequentemente prematuro, e sua família, contribuindo para experiências mais afetivas e significativas durante a internação. A ampliação da participação familiar possibilitou maior aproximação com o bebê e ressignificou o ambiente hospitalar, tradicionalmente percebido como frio e impessoal. Além disso, as ações promoveram maior integração entre as equipes de saúde, fortalecendo o trabalho coletivo, a corresponsabilização pelo cuidado e a sensibilização dos profissionais para práticas centradas na pessoa. Observou-se que a humanização, quando incorporada ao cotidiano do serviço, fortalece vínculos, qualifica as relações de cuidado e contribui para ambientes mais acolhedores. As experiências apresentadas evidenciam que ações simples, planejadas de forma compartilhada, potencializam o cuidado e reforçam o compromisso do SUS com uma atenção mais humana e integral.
Humanização; Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
MAYLA PEREIRA DONON, ANA CLARA DANTAS GOMES DE CASTRO, IVONE BATISTA PEDROSO DOS SANTOS, ELOIZIA ROBERTA AGUIAR DA VEIGA