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Embora, em nosso meio, a percepção do uso da tecnologia para apoiar as interações no âmbito da saúde tenha ocorrido principalmente no cenário da recente pandemia por Covid-19, o uso de tecnologias para apoiar ações de saúde é antigo. A disseminação da internet, na década de 1990, ampliou a expectativa em relação a esse tipo de tecnologia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) A telessaúde e o telematriciamento envolve mediação por TICs (Tecnologia de Informação e Comunicação) em interações à distância no âmbito da saúde, permitindo a comunicação entre pessoas e/ou equipamentos e/ou aplicações. Além disso, os eventos podem ser síncronos ou assíncronos, bem como possuírem finalidade assistencial ou educacional. Os avanços tecnológicos, a redução dos custos e a popularização do acesso à tecnologia transformaram o modelo da telessaúde A divisão de saúde bucal e a central de regulação ambulatorial de São Bernardo do Campo (SP) considerando a definição de telessaúde e as modalidades de telemedicina resolução CFM nº 2.314/2022 e resolução CFO nº 63/2005(Teleconsulta, Teleinterconsulta, Telediagnóstico, Telecirurgia, Telemonitoramento ou Televigiância, Teletriagem e Teleconsultoria), já tem utilizado essas ferramentas com a finalidade de melhorar o acesso aos serviços de saúde através do uso de TICs, otimizando o aproveitamento dos recursos ofertados , ampliando o acesso aos serviços de saúde mediante a integralidade dos serviços, uma das diretrizes do SUS .
Estimular aproximação dos profissionais da atenção básica, especializada e hospitalar, oferecer suporte às decisões clínicas e aos processos técnicos, otimizar aproveitamento dos recursos ofertados, qualificar solicitações através da educação permanente dos profissionais, aprimorar processos de gestão através da incorporação de novas tecnologias, gerar novos projetos clínicos e terapêuticos favorecendo a estruturação de atendimentos integrais fazem parte dos objetivos desta ação.
A partir das ferramentas disponíveis na Central de Regulação municipal, o atual sistema de informação (Hygia) ,o prontuário eletrônico , protocolos de regulação, plataforma de telecomunicação Zoom, watsapp, e- mail,telefone,google meet a equipe de Reguladores técnicos (equipe multidisciplinar contando com médicos, enfermeiros e dentistas), em 05/07/2023 ,iniciou o processo de implantação do Telematriciamento com estrutura física adequada, sala silenciosa, computadores com recursos para vídeoconferências e utilização de headset. O agendamento do telematriciamento, é realizado no Hygia, em agenda disponível pelos matriciadores. Os registros das informações referente às discussões ficam salvos em prontuário eletrônico e formulário eletrônico .As áreas de atuação dos matriciadores na Odontologia envolvem todas especialidades odontológicas embasados nos respectivos protocolos de acesso . Em relação ao telematriciamento/teleconsultoria, a atividade se configura pelo aspecto assistencial e, ao mesmo tempo, educativo. Atualmente, pode ser realizado de forma presencial ou à distância e tem por objetivo apoiar o profissional da assistência diante da necessidade de uma avaliação mais específica para o estabelecimento da conduta.
O projeto piloto do telematriciamento surgiu como uma ferramenta promissora no auxilio à gestão de saúde publica .gerando melhor aproveitamento dos recursos ofertados ,ampliação do apoio técnico na rede assistencial , identificação, priorização e monitoramento dos casos graves. Dentre os resultados obtidos com a implantação do telematriciamento encontram-se a troca de conhecimentos e experiências práticas entre os profissionais nas mais diversas especialidades, aumento da resolutividade dos serviços prestados,aprendizado e desenvolvimento de novas habilidades pelos profissionais envolvidos, a capacitação continuada na rede assistencial e estreitamento da relação entre os profissionais de complexidades distintas. O telematriamento iniciou-se na odontologia e gradativamente houve expansão para outras especialidades médicas da rede assistêncial ; dermatologia, ginecologia e obstetrícia, medicina de família e comunidade , Oftalmologia, Ortopedia, Pediatria, Pneumologia , psiquiatria, Regulação e Oncologia , resultando em uma melhor gestão da fila de espera nas especialidades e qualificação dos laudos nos encaminhamentos quanto à descrição dos casos clínicos e indicação correta das respectivas especialidades Desde a implantação foram realizados 2345 telematriciamentos , sendo 236 por dentistas e 2116 por médicos , gerando oitenta e um por cento de resolutividade casos clínicos cotidianos na rede assistencial .
Nossa rede assistencial é heterogênea em todas as suas amplitudes, a implantação do telematriciamento trouxe aprendizados em construção compartilhada de propostas de intervenção pedagógico- terapêutico acarretando em constantes e crescentes melhoras em nossos processos de trabalhos. Identificando em fila casos potencialmente graves, faz-se discussão e priorização no cuidado. É possível o reconhecimento de temas que podem obter resolução na Atenção Primária à Saúde ou temas de maior dificuldade de condução e promover discussões e orientações. Dentre os desafios encontramse a resistência de alguns profissionais em aderir a essa forma de serviço de saúde, dificuldade de utilização de equipamentos digitais nas unidades de saúde, necessidade de adequar infraestrutura e materiais necessários para o recurso ou dificuldade do profissional em organizar sua agenda de trabalho e inserir a prática do telematriciamento na sua rotina. A telessaúde tem potencial para transformar e reorganizar o setor saúde, com redução de custos e ganhos na qualidade e no acesso, estando inserida na prática diária de forma híbrida e sustentada, entregando serviços de uma nova forma, inclusive de forma aditiva ou mesmo substitutiva em locais de pouco acesso.
TELEMATRICIAMENTO
RAPHAEL MARCELLO, ELAINE GOMES DA SILVA, VIVIANE COPPINI TOYOFUKU, ANALUCIA MONTALVÃO NUNES TERRON