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Uma das definições da terminologia telemedicina é à prática da medicina à distância, onde diagnóstico, intervenções e decisões terapêuticas podem ser discutidas e mediadas por profissionais especializados através do uso de tecnologias (ROMÃO, 2023; CFM, 2019). Sendo regulamentada e reconhecida no Brasil em março de 2020 (BRASIL, 2020). Doenças cardiovasculares é a maior causa de morte no Brasil e no mundo representando 30% de todos os óbitos no país (BRASIL, 2022). A dor torácica é uma queixa comum nas unidades de pronto atendimento, sendo um sinal de alerta para risco eminente de morte (SOCESP, 2018). O Projeto Boas Práticas em cardiologia realizado pelo Hospital do Coração (Hcor) oferece apoio às instituições públicas no desenvolvimento de estratégias e intervenções voltadas à melhoria da assistência e segurança do paciente, enfatizando a realização do Eletrocardiograma (ECG) para diagnóstico do IAM e Arritmias Cardíacas em um tempo reduzido. Além disso, a iniciativa promove a capacitação de médicos plantonistas, por meio de teleconsultorias e sessões de aprendizagem virtual, para a realização do laudo e apoio à decisão clínica dos profissionais, favorecendo o fluxo de atendimento mais ágil no SUS (BRASIL, 2024). O atendimento precoce e a rápida identificação de uma síndrome coronariana aguda fazem toda diferença no prognóstico e reabilitação do paciente, assim como apresentado na presente experiência do município de Batatais.
Qualificar o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento em Batatais-SP nas urgências cardiovasculares do Sistema Único de Saúde (SUS) e implementar as diretrizes assistenciais e de manejo clínico seguro a pacientes com doenças cardiovasculares.
A UPA conta com um notebook conectado à internet 24h com acesso direto aos profissionais do HCOR, onde os Eletrocardiogramas são laudados em tempo real pelo cardiologista de plantão no Hospital do coração naquele momento. Em casos de alterações agudas e de emergência cardiológica é feito o contato direto com vídeo chamada para uma condução especializada e de boas práticas na cardiologia através de telemedicina. A iniciativa atua na realização de laudos qualificados de ECG, analisados 24h por dia e em até 10 minutos a partir de seu recebimento, apoio à decisão clínica por meio da segunda opinião médica para os casos sugestivos de Infarto Agudo do Miocárdio e Arritmias, avaliação de desfecho clínico após 48 horas da realização do exame, bem como na qualificação profissional e melhoria dos processos assistenciais por meio das Sessões de Aprendizagem Virtual e Implementação das Diretrizes Assistenciais em Cardiologia. A unidade de Pronto Atendimento também conta com a retaguarda de um cardiologista 24 horas para resolução de urgências cardiológicas.
No segundo semestre de 2023 foram atendidos 138 pacientes com queixa de dor torácica na unidade de pronto Atendimento. Desse total, 81% (112) foram diagnosticados como angina instável, 11% (15) Infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do seguimento ST e 8% (11) Infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do seguimento ST. Um dos principais indicadores avaliados no projeto é o tempo “Porta ECG” onde se leva em consideração o tempo em que o paciente dá entrada na unidade, até a realização do primeiro exame. O objetivo ideal proposto pelos guidelines em cardiologia é que o exame seja realizado preferencialmente em 10 minutos da entrada do paciente na unidade. Nesse período foi avaliado o desempenho após a implementação do protocolo de dor torácica onde o tempo médio de eletrocardiograma da unidade era de 40 minutos, e no final do ano de 2023 com o tempo médio foi reduzido para 17 minutos desde a entrada do paciente até a realização do primeiro ECG. A adesão a terapia medicamentosa indicada pelos cardiologistas também teve aumento de 85% para 100% após inserção e capacitação do protocolo. Desse total 103 pacientes (75%) receberam alta e 35 pacientes (25%) foram transferidos para unidades especializadas.
A Unidade de Pronto Atendimento apresentou melhoras nos índices de qualidade preconizados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia no atendimento ao paciente com síndrome coronariana aguda, tanto no tempo de realização do ECG, quanto na adesão a terapia medicamentosa preconizada. A busca pela qualificação permanente e a continuidade do trabalho se fazem necessárias para que a unidade esteja cada vez mais próxima do indicador ideal para atendimento ao paciente com dor torácica.
Dor tóracica; Telemedicina; Urgência e Emergência.
Joab Barbosa da Silva, Alessandra Cristina pereira Milan, Gabriela Diniz Tavares, Viviane Aparecida Faria Batista, Tais Poliseli Teles, Laura Teodoro Furtado Faleiros, Fernanda Soares de Amorim Barbosa, Bruna Francielle Toneti, Rogério Donizeti Tercal, Silvana Frezza Pisa