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De acordo com estudos, grande parte dos casos de violências a grupos vulneráveis acontece de maneira intrafamiliar, e muitas famílias consideram e legitimam seus animais como membros das mesmas. Essa interação humano-animal-ambiente possui relações positivas e negativas, sendo a violência como uma relação negativa, como é o casos de maus-tratos aos animais e a violência doméstica (SOUZA, 2023). Neste sentido, há um Elo entre a possibilidade de ocorrência de maus-tratos aos animais e a violência interpessoal. A Teoria do Elo compreende a violência como parte de um ciclo entre gerações, neste sentido, Gomes (2021) aponta que um adulto que agride e maltrata uma criança ou animal geralmente o faz como consequência de ter vivenciado ou presenciado algum tipo de violência na infância, especialmente dentro do ambiente familiar. Há dados que sinalizam que há uma chance de 76% de haver violência contra outros membros da família quando há uma situação de maus-tratos a animais. Com a proposta de ampliar a abordagem integral da violência nas estratégias de prevenção/intervenção com uma visão intersetorial e multiprofissional, foram selecionadas duas unidades de saúde da Coordenadoria Sul (uma de cada STS de abrangência do CEJAM) que já possuíam atividades voltadas para os animais, saudáveis ou abandonados, com instrumentos de monitoramento próprios para trabalhar a Teoria do Elo no cotidiano das equipes e dos serviços de saúde.
Identificar casos de alerta da Teoria do Elo e desenvolver ações de prevenção das violências com base no estado animal/saúde animal e sua relação com a saúde humana; Aumentar a identificação de possíveis situações de violências, tendo a saúde do animal como um marcador de identificação por parte dos profissionais de saúde; Levantar o quantitativo de animais do território – seja pelo cadastro domiciliar ou seja pelo levantamento em instrumento próprio das unidades; Sensibilizar os profissionais de saúde das unidades participantes sobre os fluxos de saúde animal do município; Sensibilizar os profissionais para passarem a ter um olhar treinado para observar animais em possíveis situações de maus tratos, e a relação com possíveis violências (doméstica ou intrapessoal); Estabelecer parcerias intersetoriais, especialmente a rede de proteção seja para o animal ou voltados para as vítimas de violências; Ampliar o projeto para todas as unidades de saúde de Atenção Primária à Saúde do CEJAM.
Foi utilizada a análise exploratória, de forma qualitativa. A implantação do projeto teve início em junho/24 com a primeira sensibilização dos profissionais da UBS Alto Do Riviera, e no mês seguinte na UBS Jardim Germânia. A primeira etapa foi a sensibilização das equipes nas duas unidades. Após este primeiro momento, houve a intensificação da identificação dos animais do território, sejam os domiciliados e/os abandonados, com a revisão do formulário no PEP, para que outros elementos pudessem ser registrados em relação ao estado animal com possíveis casos de alerta para a Teoria do Elo. A etapa do preenchimento do formulário iniciou em novembro/2024 pelas duas unidades piloto do projeto. Com o formulário, dois casos foram selecionados com vistas a serem analisados sob a perspectiva da Teoria do Elo. Todas as etapas do projeto foram construídas por um condutor formado pela equipe da APS, Gestão PAVS com os Agentes de Promoção Ambiental das unidades, a gerência das unidades de saúde, e equipe de EEV. Foi criado um grupo na plataforma whatsapp onde são combinados horários de reuniões, bem como os agendamentos das reuniões nas unidades com o apoio dos APAS na articulação.
Foram selecionados dois casos que tinham como suspeitas a Teoria do Elo. O primeiro caso partiu da observação em visita domiciliar de um animal que estava com a “ração antiga, molhada e com formigas”. Após esse possível sinal de alerta, o caso foi levado para a equipe discutir e confirmar se era um caso de violência. No segundo momento, a visita aconteceu com a APA e junto com a equipe buscou entender o que poderia estar acontecendo. Ao analisarem o caso, descobriu -se que a responsável da casa trabalhava fora e o adolescente que ficava sozinho não conseguia realizar as refeições de maneira adequada, substituindo refeições por biscoitos e outros ultraprocessados. Com uma abordagem cautelosa, a equipe sugeriu para a responsável o Centro para Criança e Adolescente como uma alternativa de socialização, integração e a oportunidade de realizar a alimentação de maneira adequada. A sugestão foi aceita e com a articulação necessária o mesmo hoje participa das atividades do CCA. O segundo caso levantado e suspeita da Teoria do Elo, foi identificada uma residência com mais de dez animais, sendo um possível caso de acumulador. A equipe discutiu o caso e também realizou as tratativas para a construção de uma rede de apoio para a família que enfrenta a situação. Em ambos os casos, ao olhar para o estado animal como um alerta para casos de violência, desencadeou uma abordagem integral da violência e as intervenções com uma visão intersetorial e multiprofissional.
Espera-se com a implementação do projeto o aumento da identificação ”antecipada” de possíveis situações de violências, tendo a saúde do animal como um marcador de identificação por parte dos profissionais de saúde. Além disso, o projeto permite o fortalecimento da rede intersetorial de enfrentamento às violências na medida em que há a discussão dos casos por parte das equipes de saúde e dos núcleos de prevenção, promovendo a troca e a elaboração de estratégias que visem interromper o ciclo de violência enfrentado por essas famílias/indivíduos que estão nesta situação.
teoria do elo; saúde animal; violências.
TAYNÃ DO NASCIMENTO COSTA MOREIRA, LUCIA REGINA GATTI MURAKAMI, GUILHERME MOURA BEJO, ANA PAULA RODRIGUES NAVAS MANHANI, BRUNO DE OLIVEIRA SANTOS SAITO, MICHELE SANTOS DE ASSUNÇÃO, EVELLIN DOS SANTOS SANTANA, LAYS DA SILVA INACIO, TATIANA MENDES ALENCAR, RUTE FERREIRA DIMPORZANO, PERCIVAL PINTO RAMALHO JUNIOR