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Sabe-se que em contextos de vulnerabilidade e violência, historicamente as mulheres são as que mais sofrem e sobrecarregam-se com as mais diversas dimensões deste cenário. Pensando, portanto, nas mulheres como o público que mais procura por atendimento à saúde mental nos serviços públicos de saúde, percebe-se a necessidade de espaços coletivos de autocuidado, suporte, fortalecimento e rede de apoio. Para tanto, iniciou-se nas UBS Jardim Helga e Alto do Umuarama um grupo terapêutico conjunto somente para mulheres em fevereiro de 2022 realizado pela psicóloga, e em junho de 2023, a Terapia Comunitária Integrativa passa a ser realizado neste grupo, qualificando-o e potencializando-o ainda mais. A TCI é lugar de encontros para partilha e valorização de histórias de vida das participantes, onde as mulheres presentes se apoiam, criam/fortalecem laços, constituindo-se num espaço comunitário poderoso de suporte à saúde mental.
Garantir espaço terapêutico coletivo que promova bem-estar, vínculo, fortalecimento e apoio emocional às mulheres das 2 unidades de saúde.
São convidadas mulheres pertencentes da UBS: Alto do Umuarama e Jardim Helga, com algum sofrimento, sobrecarga ou que estejam vivendo algum momento de tensão. É realizado pela psicóloga das 2 UBS que tem a formação em TCI, e eventualmente a APA (Agente de Proteção Ambiental) da UBS Jardim Helga também colabora com o grupo. Os encontros são abertos e tem 1h30 de duração e acontecem quinzenalmente em espaço comunitário do território que abrange as duas unidades. Nos encontros, a partir de situações problema trazidas pelos participantes, o terapeuta comunitário estimula que o relato seja ouvido e respeitado por todas, além de favorecer desenvolvimento emocional, clareza e consciência para quem fala. Por fim, todas as participantes são beneficiadas e sensibilizadas pelas histórias compartilhadas.
Os temas mais abordados foram luto, perdas e relações familiares, Por serem temas comuns a todas, causam identificação e empatia imediata uma com a outra. Os resultados mostram a melhora de sintomas de ansiedade das participantes, como também o aumento e sensação de bem-estar. Os relatos recebidos pelas participantes são como esse: “ como é importante esse grupo, a força que o projeto tem, nós unidas, compartilhando nossas dificuldades e desafios umas com as outras, é terapêutico sim. E cura sim! Sou prova viva disso.…” e evidenciam uma auto percepção de melhora. A TCI no grupo de mulheres já é um espaço terapêutico consolidado no território e as próprias participantes acabam convidando outras mulheres a se juntarem. Muitas delas tornaram-se amigas, se encontram e se apoiam fora do espaço de grupo. Foi criado um grupo de whatsapp entre todas elas, em que vão mantendo contato e fortalecendo vínculos.
Trata-se, portanto , de um lugar seguro, de confiança e empatia em que a Terapia Comunitária e sua metodologia possibilita melhora dos sintomas de ansiedade, angústia e solidão nas mulheres das 2 UBS, além de ser um espaço agregador e de fortalecimento das participantes.
terapia comunitária, comunidade, saúde mental.
MARCELA DE AMORIM SOARES