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A Terapia Comunitária Integrativa é um espaço de conversa coletiva, através de troca de experiencias, que nos permite criar redes sociais solidárias, de promoção de qualidade de vida, mobilizando os recursos e competências dos indivíduos, das famílias e das comunidades. Nasceu na década de 90, no Brasi. Foi criada pelo Profº Dr Adalberto de Paula Barreto, teólogo e psiquiatra. Foi na busca de diálogo entre a sabedoria popular e os conhecimentos científicos, pensamento sistêmico, teoria da comunicação, pedagogia de Paulo Freire, dentre outros, que nasceu a Terapia Comunitária como instrumento de trabalho., capas de construir redes sociais solidárias de promoção de saúde. No município de Itanhaém, foi implantado, numa parceria entre o IBDPH e a secretaria municipal de saúde, promovido pelo polo de formação em terapia comunitária UAKTI* Ara, realizado em 2007. A proposta é que fossem implantadas em toda rede intersetorial do município: Educação, Serviço Social e Saúde. Desde então, como psicóloga atuando na USF Suarão, iniciei o Grupo de Terapia Comunitária, junto com a médica de minha equipe e os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) da unidade. Hoje, atuo sozinha com os ACS da equipe. Percebi também, que era uma excelente estratégia de atendimento o acolhimento, já que nossa unidade atende em média, 14000 habitantes e minha agenda sempre estava lotada. Ele servia perfeitamente como “porta de entrada” e triagem para os casos que precisava de atendimento individual.
Promover um espaço de escuta e acolhimento, aonde o usuário é corresponsável na busca de soluções para seu sofrimento e sua promoção de saúde. Fortalecimento de vínculos sociais, formando uma rede solidária. Deslocamento da perspectiva centrada no profissional, tirando o profissional de saúde de uma atenção curativista e promovendo uma maior horizontalização dos saberes.
Local: Salão Comunitário da Igreja Católica. Período: toda segunda-feira (semanal). Duração: 2 horas. Como funciona: É uma porta de entrada da unidade. Não precisa de nenhum encaminhamento. Qualquer pessoa pode participar, inclusive usuários de outras áreas de abrangência. Meus ACS e equipe, a recepção da unidade e a própria comunidade encaminham e divulgam. Durante a minha ausência, no período de férias, os próprios ACS coordenam o grupo. Há uma alternância dos profissionais de saúde, da própria equipe, que se interessam em participar.
A importância da participação conjunta da médica e dos ACS, promoveu uma melhora na qualidade do atendimento do usuário, pois conseguíamos discutir o caso conjuntamente. Percebeu-se uma diminuição dos medicamentos antidepressivos, maior autonomia e corresponsabilidade e melhorar de sua autoestima. Diminui a minha demanda de atendimento, deixando o atendimento individual para os casos mais graves. Os casos menos graves já eram resolvidos no próprio grupo. Durante a pandemia, fiz o grupo de terapia comunitária com minha própria equipe, pois também é um excelente instrumento terapêutico de cuidado dos profissionais de saúde, pois também adoecemos e serve como uma rede de apoio e acolhimento par a própria equipe.
Tenho muito orgulho desse grupo. Desde 2007, que iniciamos esse trabalho e apesar de todas as dificuldades, nunca desistimos e já são “17 anos de existência”. Desde a nossa formação nesse curso, em 2007, fomos a única unidade que continua esse trabalho até hoje. Em setembro de 2015, participamos do programa “Bem Estar”, da rede Globo, cujo tema do programa era sobre “Depressão”, e vários usuários deram seu depoimento de superação da doença. E muitos pacientes, que melhoraram de sua doença, fazem questão de vez em quando, aparecer no grupo e dar seu relato de superação. Eu sou apaixonada pela Terapia Comunitária Integrativa, porque acredito que ela é a “alma”, do Programa de Saúde da Família, porque ela acolhe a todos, sem distinção fortalecendo as diferenças, os vínculos afetivos, integrando a equipe e usuários com a horizontalização de saberes e provocando a saúde com um todo, tornando-os corresponsáveis pelo seu processo de cura.
Terapias Complementares, Saúde Mental, Depressão
Luciana Nakai