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A Estratégia de Saúde Digital tem sido intensificada na Rede de Atenção à Saúde (RAS) e nas práticas de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) mediante processo de trabalho baseado em cuidado, vigilância, comunicação e educação permanente, promovendo a territorialização mediada por tecnologias digitais. As técnicas de georreferenciamento das áreas de abrangência (AA) e microáreas (MA) das Unidades Básicas de Saúde (UBS), possibilitadas pelo emprego de um Sistema de Informações Geográficas (SIG) integrado à infraestrutura de dados espaciais, permite uma compreensão mais assertiva do território e contribuem para ampliação e aprimoramento da Atenção Primária em Saúde (APS) em curso no município. A integração dos SIG de forma interoperável subsidia o compartilhamento de dados e contribui para o aprimoramento da RAS, promovendo transparência e acesso à informação em saúde. A territorialização em saúde emerge como uma estratégia para consolidar o SUS, reorganizar o processo de trabalho e atender às demandas regionais específicas das comunidades, promovendo a construção de sistemas de informação em saúde plurais e eficientes. O Mapa Falado é uma técnica utilizada na construção de um desenho representativo do território a partir dos relatos dos participantes sobre os diversos aspectos da realidade local. Nesta experiência, os ACS e suas equipes, pela realidade local vivenciada, são protagonistas na representação territorial a partir da construção do conhecimento coletivo.
Aplicar a inteligência coletiva e o protagonismo dos ACS para desenvolver o processo de territorialização em saúde com base em conhecimentos historicamente vivenciados do território visando à delimitação das AA e MA das UBS municipais. Utilizar o SIG para análise espacial e visualização das informações de saúde, facilitando a tomada de decisão informada. Promover a interoperabilidade ao integrar as informações geográficas das secretarias municipais à infraestrutura de dados espaciais na forma de dados abertos governamentais e disponibilizar a informação aos usuários do SUS e gestores. Permitir revisão periódica das AA, tendo em vista a disponibilização dos dados em formato eletrônico. Subsidiar o planejamento em saúde no âmbito do SUS na perspectiva do apoio ao gerenciamento das informações geográficas.
Em Franco da Rocha, município da Região Metropolitana de São Paulo, observou-se a necessidade de desenvolver informações geográficas padronizadas na RAS, em formato digital, tendo em vista que muitos mapas temáticos eram impressos ou desenhados a mão. Os encontros foram organizados nas UBS e, inicialmente, aplicado o método de Mapa Falado, com participação ativa dos ACS nas fases de coleta, relatos e compartilhamento de informações sobre o conhecimento adquirido no território, atuando como informantes chave. As AA e MA, outrora representadas na forma impressa, foram reorganizadas a partir da descrição territorial pelos ACS, inclusive documentos, recursos, equipamentos, necessidades e características sanitárias identificadas nas comunidades. Em seguida, visando à interoperabilidade das bases cartográficas, os relatos foram convertidos em formato digital e vetorizados, utilizando a base cartográfica municipal como referência. Para utilização do SIG, foram utilizados dados ambientais e de loteamentos desenvolvidos pela administração municipal para orientar a definição dos limites territoriais. Em seguida, houve revisão das AA com os ACS para maior precisão e elaboração dos arquivos geográficos com as malhas territoriais do município e compartilhamento dos dados espaciais. Para a criação dos mapas temáticos, foi utilizado o SIG QGIS9, software livre e gratuito.
O protagonismo dos ACS no processo de territorialização em saúde aplicado na composição do Mapa Falado possibilitou a criação de dados geoespaciais e delimitação das AA em formato digital, resultando em melhor organização e conhecimento do território. A digitalização das bases cartográficas permitiu melhor registro das informações coletadas, permitindo acesso eletrônico em formato aberto. A identificação das demandas específicas de cada região do município, inclusive o processo de ampliação da APS, permitiu dimensionar a oferta de serviços de forma mais assertiva na reconfiguração do modelo de atenção à saúde. A utilização de uma metodologia inovadora para reorganizar o processo de trabalho permitiu reconfigurar o modelo de territorialização em saúde, processo no qual se identificam grupos, famílias e indivíduos de umterritório adscrito, bem como os fatores condicionantes e determinantes da saúde. A integração do SIG com as secretarias municipais, permitiu uma visão ampliada das necessidades da população em relação à infraestrutura do município, de forma interoperável. A apropriação de conhecimento dos recursos digitais pelos ACS, permitindo um olhar qualificado sobre o território e as tecnologias disponíveis para sua compreensão, fortalece a Estratégia de Saúde Digital em curso no município.
A experiência reafirma o protagonismo dos ACS e utilização inovadora das técnicas de georreferenciamento na territorialização em saúde. Com a aplicação do mapa falado e a utilização de um SIG, o projeto ressalta a inteligência coletiva e a participação ativa dos ACS ao enriquecer o processo de mapeamento digital, contribuindo significativamente para uma compreensão mais aprofundada das necessidades de saúde da população adscrita. A composição e a organização das AA e MA em formato eletrônico proporcionaram maior precisão dos limites territoriais. A integração dos mapas às instituições municipais é um avanço na gestão dos serviços, oferecendo uma perspectiva mais abrangente dos recursos públicos. Deve-se continuar valorizando o conhecimento adquirido pela vivência dos ACS sobre as informações espaciais como ferramentas estratégicas para aprimorar a territorialização em saúde, visando à melhoria contínua do SUS e o fortalecimento da APS. A futura disponibilização desses dados em formato interoperável e aberto reforça o compromisso com a transparência e o acesso à informação, essenciais para o controle social e a tomada de decisão informada em saúde, fortalecendo a compreensão das vantagens obtidas pela cultura do software livre.
Saúde Digital, Territorialização ACS.
CARLOS CESAR DA SILVA SOARES, LARISSA MARQUES SILVA, HILDETE LENI CARDOSO HAMAMOTO, SELMA REGINA DA SILVA FARIA, ROSÂNGELA RAMOS GONÇALVES