Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Territórios Conectados nasce no mês de agosto do ano de 2019 diante da necessidade de um olhar direcionado à integralidade dos bebês, crianças, adolescentes e jovens da rede municipal de ensino de São Caetano do Sul. A integralidade pressupõe olhar para esse sujeito em suas especificidades, contexto onde vive e sobretudo sua condição biopsicossocial. Compreendendo a saúde, o social e a aprendizagem do indivíduo como questões indissociáveis. A criação de rede em saúde é fundamental para garantir o percurso eficiente do usuário nas unidades de saúde do SUS. Mas ainda assim, percebe-se as limitações das ações quando pensamos em integralidade. Extrapolar os limites da saúde, educação e assistência social aumenta as chances de intervenções mais assertivas. A necessidade de interligar as ações, criando uma rede mais ampla e fortalecer os vínculos com as demais pastas fizeram surgir o Programa Territórios Conectados. Das primeiras reuniões, outubro de 2019, a implementação piloto em 2020, passando pela interrupção devido a Pandemia, até o momento em que é forjado como Política Pública em agosto de 2022. Instituído pela Lei 6.026 de 18 de agosto de 2022, o programa vem consolidando-se como um espaço privilegiado de ações integradas e articuladas intersetorialmente no município de São Caetano do Sul.
O Programa Territórios Conectados apresenta os seguintes objetivos: •Construir rede através de estabelecimento de vínculo entre profissionais da saúde, educação e assistência e inclusão social; •Propiciar atendimento de modo articulado, multidisciplinar e intersetorial aos estudantes e familiares da Rede Pública Municipal; •Discutir casos complexos e construir PTS (Plano Terapêutico Singular) intersetorialmente considerando que o indivíduo está inserido em uma família, comunidade e território; •Qualificar encaminhamentos das secretarias afins; •Capacitar profissionais da comunidade escolar sobre questões relacionadas ao processo saúde/doença e vulnerabilidade social; •Discutir problemas que afetam o território e definir estratégias para solucionar ou minimizá-los; •Evidenciar qualidades do território e ampliá-las a toda comunidade.
O programa pauta-se na territorialização proposta pelo SUS de São Caetano do Sul. Dessa forma, são 15 territórios, por sua vez, correspondentes aos bairros do município. Cada território pode contemplar escolas da educação infantil ao médio, UBS e CRAS referência. Os atores diretamente envolvidos na ação são as equipes Estratégia Saúde da Família e emulti das UBSs. Na educação temos a presença dos gestores escolares, podendo ser o diretor, orientador educacional e coordenador do ensino infantil. Assistentes Sociais e/ou técnicos do CRAS também compõem o grupo de articulação intersetorial do programa, além disso, conselheiros tutelares também integram o grupo. A comissão gestora do programa é composta por servidores das pastas envolvidas. As reuniões ordinárias acontecem bimestralmente com atores dos territórios e comissão gestora, além disso ocorrem reuniões espontâneas sempre que houver a necessidade de demandas específicas de um território. As pautas dividem-se em “comunitárias”, tratam de assuntos e demandas da comunidade e “casos complexos” na qual são debatidos e encaminhados casos desafiadores que requerem articulação em rede. O programa utiliza-se de instrumentos já consolidados por cada uma das pastas, como os horários de trabalhos coletivos das escolas, os matriciamentos que ocorrem nas unidades de saúde, bem como, o acionamento da rede protetiva pela área de assistência e inclusão social.
Através do Territórios Conectados foi possível criar vínculos e construir rede intersetorial. Houve compreensão dos profissionais da Educação e Assistência Social sobre como funciona o SUS, hierarquização, portas de entrada, papel de cada nível de atenção e de cada unidade de saúde do município. Qualificação nos encaminhamentos das secretarias afins. Conscientização sobre o papel de cada um, contribuindo nas discussões, mas sem invadir a alçada da outra pasta. Cada território possui um grupo de whatsapp que facilita a disseminação das informações e fortalecimento de vínculos, além de desburocratizar e agilizar na evolução das demandas, sem exposição de dados sigilosos (LGPD). Criação de ficha de encaminhamento da escola para UBS do território que contempla as informações necessárias que o profissional de saúde necessita para uma consulta mais efetiva. Participação de profissionais das escolas em reunião de matriciamento. Implantação da Visita Compartilhada Domiciliar, recurso que o profissional da escola vai à residência da família juntamente com profissionais da ESF e CRAS, quando necessário. A troca de saberes e trabalho em equipe com profissionais de outras pastas agregou muito conhecimento a todos envolvidos, ajudou no exercício de empatia e compreensão do trabalho do outro, além de trazer apoio e sensação de que não estamos só, principalmente nos casos mais desafiadores.
A expressão “trocar o pneu com o carro andando” diz respeito a capacidade de lidar com as ações ao mesmo tempo em que elas acontecem, pode ser aplicada com propriedade para a compreensão de um programa de articulação intersetorial. A cada ação desenvolvida na busca pela melhor forma de se resolver um caso desafiador, nota-se o fortalecimento do vínculo, aprendizado e a compreensão dos servidores envolvidos na ação de que agir de maneira articulada é um grande passo na resolução das demandas que surgem nos territórios. O aprendizado é constante e com isso os caminhos construídos são revistos e alterados sempre que necessário. A humildade no olhar desse modo de trabalho é essencial para que seja possível manter a parceria e consequentemente alcançar as conquistas. Após 5 anos, percebe-se que as ações intersetoriais ampliam o olhar profissional para a integralidade do cuidado.
Intersetorialidade, Integralidade
MARILIA FELISMINO PINTO, FABIO TORO