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As infecções sexualmente transmissíveis (IST) impõem desafio permanente ao Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo em territórios marcados por vulnerabilidade social e barreiras de acesso aos serviços de saúde¹. A ampliação da testagem concentrada em campanhas vinculadas a datas específicas, embora importante para a mobilização social, apresentava limitações em razão da descontinuidade das ações e da dificuldade de alcançar populações com frágil ou inexistente vínculo com as Unidades Básicas de Saúde (UBS). No município de Franco da Rocha, identificou-se que o modelo campanhista contribuía para a invisibilização de grupos socialmente vulneráveis, retardando o diagnóstico oportuno das IST e limitando a efetividade das ações de vigilância epidemiológica². Esse cenário evidenciou a necessidade de superar intervenções episódicas e avançar para estratégias sistemáticas de vigilância ativa. A partir de julho de 2024, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) passou a desenvolver ações extramuros em bairros periféricos, serviços de acolhimento e espaços de grande circulação, com priorização do período noturno. A Coordenação Municipal do Programa IST/HIV/Aids e Hepatites Virais incentivou as UBS a incorporar regularmente essas ações, integrando a testagem ao processo de trabalho da vigilância em saúde. A experiência fortaleceu a vigilância ativa, ampliou o acesso ao diagnóstico e integrou pontos da Rede de Atenção à Saúde (RAS)3–6, qualificando a resposta oportuna às IST.
Ampliar o acesso ao diagnóstico das IST no município de Franco da Rocha por meio da realização de campanhas extramuros em territórios de maior vulnerabilidade social, fortalecendo a atuação do CTA e incentivando as UBS a desenvolver ações extramuros de forma continuada, contribuindo para o diagnóstico oportuno, a equidade no acesso aos serviços de saúde e a integração dos pontos de atenção da RAS.
A experiência foi desenvolvida a partir de julho de 2024, com a implementação de ações extramuros sistemáticas coordenadas pelo CTA no município de Franco da Rocha, como estratégia de vigilância ativa e ampliação do acesso ao diagnóstico das IST. Foram realizadas ações nos territórios de maior vulnerabilidade social, incluindo bairros periféricos, serviços de acolhimento, casas de tratamento e estação ferroviária, o principal ponto de fluxo diário de pessoas no município, priorizando o período noturno para alcançar populações com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde em horário comercial. Durante as ações, foram ofertados testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites virais, associados a acolhimento, orientações em saúde e encaminhamento oportuno para os pontos de atenção da RAS. Os usuários diagnosticados com resultados reagentes foram regulados para seguimento nos serviços de referência, garantindo a continuidade do cuidado. De forma articulada, a coordenação municipal do Programa IST/HIV/Aids e hepatites virais incentivou as UBS a incorporar ações extramuros de forma regular em seus territórios adscritos como prática permanente de vigilância em saúde no município.
As ações extramuros sistemáticas realizadas pelo CTA possibilitaram a ampliação do acesso ao diagnóstico das IST em territórios de maior vulnerabilidade social, alcançando populações anteriormente não vinculadas aos serviços de saúde. No período analisado, fora, diagnosticados casos de HIV, sífilis e hepatite C, evidenciando a presença de IST em grupos que permaneciam invisíveis. A realização das ações em horários alternativos e em espaços comunitários contribuiu para a redução de barreiras de acesso, favorecendo o diagnóstico oportuno e o encaminhamento imediato dos usuários para seguimento nos serviços de referência. A integração entre CTA, UBS e coordenação municipal permitiu a regulação dos casos identificados, garantindo continuidade do cuidado e fortalecendo a pronta resposta da rede assistencial. A incorporação das ações extramuros pelas UBS ampliou a capilaridade da testagem no território, superando a lógica de intervenções pontuais e consolidando a vigilância ativa como prática regular. A experiência resultou em maior integração dos pontos da RAS, qualificação das ações de vigilância epidemiológica e fortalecimento da equidade no acesso ao diagnóstico das IST no município.
A institucionalização de ações extramuros sistemáticas no município de Franco da Rocha demonstrou-se exitosa para fortalecer a vigilância ativa das IST, ao ampliar o acesso ao diagnóstico em territórios de maior vulnerabilidade social e reduzir barreiras históricas de acesso aos serviços de saúde. A superação do modelo campanhista, baseado em intervenções pontuais, permitiu a incorporação da testagem como prática permanente do processo de trabalho da vigilância em saúde, ampliando a capacidade de identificação oportuna de casos e resposta mais efetiva às necessidades do território. A integração entre CTA, UBS e coordenação municipal qualificou a organização da RAS, garantindo encaminhamento, seguimento e continuidade do cuidado aos usuários diagnosticados. A experiência evidencia que ações territorializadas, sistemáticas e articuladas entre os pontos de atenção da rede são fundamentais para promover equidade, qualificar a vigilância epidemiológica e fortalecer o SUS. Trata-se de iniciativa sustentável e replicável em municípios com populações vulneráveis e desafios de acesso semelhantes, alinhada às diretrizes nacionais de vigilância em saúde e prevenção combinada.
Vigilância epidemiológica; Testagem; Equidade.
ANDREZA ALMEIDA RAMOS, ADRIANA MARIA DE LIMA, MARIA OLÍVIA PIMENTEL SAMERSLA, CARLOS CESAR DA SILVA SOARES