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Construção coletiva de uma Toalha Cartográfica realizada durante duas oficinas de divulgação da Cartilha de Educação Permanente em Saúde (EPS) (Silva et al., 2025). A iniciativa foi coordenada pelo Núcleo de Educação Permanente em Saúde (NEPS) do Departamento Regional de Saúde IV – Baixada Santista, em articulação com os NEPS dos nove municípios que compõem a região e representantes da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Católica de Santos. Fundamentou-se na proposta das cartografias têxteis, compreendida como uma metodologia participativa que utiliza processos têxteis em um suporte de dimensões fixas para favorecer a produção de vínculos, a interação entre sujeitos e a expressão de narrativas, neste caso articuladas aos contextos de trabalho em saúde e à sustentabilidade dos territórios (Eça, 2022). Enquanto dispositivo pedagógico e metodológico, a atividade possibilitou a problematização coletiva da rede de serviços de saúde e dos sentidos atribuídos à Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) (Brasil, 2007), ancorando-se nos pressupostos da aprendizagem significativa e do ensino problematizador. Tal abordagem mobilizou conhecimentos prévios, experiências e práticas dos trabalhadores da saúde, favorecendo a construção compartilhada de saberes, a reflexão crítica sobre o cotidiano do trabalho e a elaboração de estratégias coletivas para o enfrentamento dos desafios presentes nos territórios (Ceccim Feuerwerker, 2004).
OBJETIVO GERAL Experimentar o fazer têxtil como dispositivo de Educação Permanente em Saúde para desta forma especificamente, problematizar coletivamente os sentidos, os desafios e as potencialidades da Educação Permanente em Saúde na Região Metropolitana da Baixada Santista. OBJETIVOS ESPECÍFICOS •Produzir uma cartografia que reproduza as experiências do território no contexto dos Núcleos de Educação Permanente em Saúde da Região Metropolitana da Baixada Santista. •Fortalecer vínculos, afetos e pertencimento entre todos os atores envolvidos nas oficinas de divulgação da Cartilha de Educação Permanente em Saúde na Região Metropolitana da Baixada Santista.
A experiência metodológica integra um projeto iniciado em 2024, a partir da proposição de elaboração da Cartilha de EPS pelo NEPS do DRS IV – Baixada Santista, como estratégia de fortalecimento da política de EPS no território. No escopo das ações de divulgação e mobilização da Cartilha, em novembro de 2025 foi desenvolvida uma oficina que incorporou a construção coletiva de uma toalha cartográfica como dispositivo pedagógico e metodológico. A atividade envolveu aproximadamente 180 participantes, entre trabalhadores, gestores, usuários dos serviços de saúde, estudantes e docentes. Os participantes foram organizados em cinco grupos e convidados a construir, de forma colaborativa, partes da Toalha a partir de quadrados de tecido de 10 cm × 10 cm e materiais diversos, enquanto dialogavam sobre concepções, práticas, desafios e potencialidades da EPS no cotidiano dos serviços. Inspirada nas cartografias têxteis (Eça, 2022), a proposta buscou fomentar processos de diálogo, problematização e construção coletiva de saberes, operando como um dispositivo criativo capaz de ativar narrativas, afetos e memórias, em consonância com a noção de travessias de sentido (Rolnik, 2006). O tempo do bordado instaurou uma experiência marcada pela lentidão, atenção e abertura ao encontro (Bondía, 2002), favorecendo um ambiente de escuta, convivência e produção coletiva (Agra, 2022). Em dezembro de 2025, a experiência foi retomada com a apresentação da toalha em sua totalidade.
A Toalha Cartográfica constituiu-se como um espaço de expressão, no qual as experiências do trabalho em saúde foram transpostas para o tecido por meio de gestos, cores, palavras e narrativas compartilhadas, ampliando os sentidos de cuidado, memória e transmissão intergeracional presentes na experiência. Fala, memória e afeto tornaram-se matéria, compondo uma cartografia sensível das vivências com a EPS na região. A Toalha exposta como um troféu gerou alegria aos envolvidos, afeto que indica a ampliação da potência de agir de um “bom encontro” (Spinoza, 2018). A produção da toalha propiciou bem-estar coletivo, uma vez que o homem que alia seus afetos à razão deseja para os outros o mesmo bem que deseja a si mesmo (Gregorini & Cristi, 2025).
A Toalha Cartográfica não se constitui como um produto final, mas como a materialização de um processo coletivo, vivo e em permanente construção. Artefato relacional, afetivo e político que expressa uma EPS tecida a muitas mãos, histórias e encontros, na qual o fazer compartilhado favorece a reflexão crítica sobre o trabalho em saúde, os territórios e os modos de produzir cuidado. Trata-se de um dispositivo metodológico e simbólico alinhado aos princípios da PNEPS, ao mobilizar a problematização do cotidiano, a valorização das experiências dos trabalhadores e a construção coletiva de saberes. Ao articular formação, gestão e participação, a experiência contribui para o fortalecimento de práticas transformadoras no âmbito do SUS. Por fim, a metáfora do tecer amplia a compreensão do envelhecimento para além de um marcador cronológico, reconhecendo-o como a densidade do próprio tecido social e institucional. Cada fio carrega memórias, saberes e modos de fazer acumulados ao longo do tempo, reafirmando que a sustentabilidade do SUS depende não apenas da incorporação de novos fios, mas da valorização da transmissão intergeracional de conhecimentos e da memória coletiva que sustenta a rede.
Cartografia, SUS, Educação Permanente em Saúde.
MARIA JOSÉ DA SILVA, ANA CRISTINA ZORDAN RANI YONAMINE, LAURA CAMARA LIMA, DANIEL MARQUES DOS SANTOS, GUILHERME AUGUSTO BRAGA SILVA, SANDRA LÚCIA FURQUIM DE CAMPOS, DANIELA CRESCENTE ARANTES ARAUJO MARQUES