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O Pré-natal do Parceiro (a) constitui uma estratégia fundamental da Atenção Primária à Saú- de (APS) para a ampliação do cuidado integral, alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente à universalidade, equidade e integralidade da atenção. Historicamente, o acompanhamento de pré-natal esteve centrado na gestante, o que limitou a participação do parceiro (a) às ações de promoção, prevenção e cuidado em saúde, a partir da elaboração de um documento municipal padronizado e pensado em um território marcado pela diversidade cultural, a inclusão do parceiro (a) nas etapas de gestação, parto, pós-parto e cuidado com o bebê é fator de proteção não só para a criança, mas também para a saúde materna. Destaca-se ainda a relevância para o SUS ao garantir a equidade no cuidado, reconhecendo e incluindo diferentes arranjos familiares, deste modo, o protocolo utiliza o termo parceiro (a) en- tendendo a diversidade de arranjos familiares como casais homoafetivos, pais biológicos ou não, cisgêneros ou transgêneros, gays, bissexuais ou heterossexuais, independentemente de raça, cor, origem ou classe social, mas que é compreendido como parceiro (a) para a gestante. Dessa forma, o Protocolo de Pré-natal do Parceiro (a) consolida-se como uma estratégia es- truturante da APS, ampliando o alcance das ações do SUS e promovendo cuidado integral, inclusi vo e resolutivo à população beneficiada.
Implantar e fortalecer o Pré-natal do Parceiro (a) na APS como estratégia de cuidado integral à fa- mília, ampliando o acesso aos serviços de saúde durante o período gestacional; Promover a participação ativa do parceiro (a) no acompanhamento do pré-natal, no parto e no puerpério, incentivando a corresponsabilização no cuidado, o fortalecimento dos vínculos familiares e a parentalidade responsável; Garantir ações de promoção da saúde, incluindo acolhimento, avaliação clínica, testes rápidos, exames laboratoriais, atualização vacinal e orientações sobre saúde sexual, reprodutiva e planejamento familiar; Assegurar equidade no cuidado, respeitando a diversidade de arranjos familiares e incluindo casais homoafetivos, reconhecendo os parceiros como sujeitos de direitos, com acesso integral às ações de saúde, incluindo o rastreamento do câncer do colo do útero e das mamas, quando indicado, contribuindo para a humanização da atenção pré-natal e o fortalecimento da APS.
Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido entre 2024 e 2025, a partir de reuniões intersetoriais envolvendo o NEPS, APS e Atenção Especializada. O processo iniciou-se com a escuta das demandas trazidas pelos profissionais da APS durante encontros para construção do Protocolo Municipal de Pré-Natal, e, a necessidade de padronização e inclusão do parceiro (a) em todas as Unidades Básicas de Saúde do município, com destaque para as atribuições do enfermeiro e a organização dos fluxos assistenciais. A partir dessas demandas, foi construído de forma coletiva o Protocolo de Pré-Natal do Par- ceiro (a) oficial do município, que inclui desde a consulta inicial do pré-natal da gestante: avaliação clínica, aferição de pressão arterial, verificação de peso, altura e cálculo do IMC, solicitação de exames laboratoriais como hemograma, glicemia de jejum, perfil lipídico, sorologias para HIV, sífilis e hepatites B e C, tipagem sanguínea e eletroforese de hemoglobina, testes rápidos de IST’s, atualização do cartão vacinal, orientações sobre planejamento familiar, incluindo vasectomia, além da inclusão do parceiro (a) e familiares em atividades educativas. A implementação do protocolo ocorreu com ações de educação permanente para profissio- nais da APS, apresentação e discussão do instrumento, orientações sobre seu uso no pré-natal e pactuação do cuidado, a apresentação final ocorreu nos dias 17 e 18/09/2025 para médicos e enfermeiros da APS.
A implantação do Protocolo de Pré-natal do Parceiro (a) resultou em adesão satisfatória por parte dos enfermeiros das Unidades de APS, que passaram a incorporar o protocolo à rotina assis tencial do pré-natal. Observou-se a padronização das condutas, maior segurança técnica dos profissionais e organização dos fluxos de atendimento ao parceiro (a) da gestante, conforme diretrizes estabelecidas. Os enfermeiros passaram a realizar de forma sistemática o acolhimento do parceiro (a) a par- tir da confirmação da gestação, com o agendamento da primeira consulta compartilhada com a gestante, realização de testes rápidos como HIV, sífilis e hepatites, solicitação de exames laboratoriais, verificação do esquema vacinal e o registro das ações em prontuário. Houve também maior alinha mento das equipes quanto à abordagem educativa, ao planejamento familiar e à inclusão do parceiro (a) e familiares nas atividades de educação em saúde. Embora não tenha sido possível mensurar, neste momento, o aumento quantitativo da partici- pação dos parceiros nas consultas, a experiência evidenciou avanço na institucionalização do Pré-natal do Parceiro (a), com incorporação do protocolo como ferramenta de qualificação do cuidado e fortalecimento das práticas assistenciais na Atenção Primária à Saúde.
A experiência de implantação do Protocolo de Pré-natal do Parceiro (a) representa um avanço na qualificação do cuidado integral na APS, ao ampliar o olhar para além da gestante e reconhecer o parceiro (a) como sujeito de direitos processo gestacional. O processo de construção coletiva do protocolo favoreceu a reflexão crítica sobre as práticas assistenciais, a organização dos fluxos de atendimento e a padronização das condutas, fortalecendo a atuação das equipes de saúde. A avaliação dos resultados assistenciais ainda está em fase inicial, espera-se que o protocolo contribua para a ampliação e inclusão dos parceiros (a) aos serviços de saúde, com o fortalecimento das ações de promoção e prevenção de agravos. Um diferencial relevante da iniciativa é a inclusão intencional do olhar para os casais homoafetivos, assegurando equidade no cuidado, reconhecimento das diferentes configurações familiares e acesso integral às ações de saúde, incluindo rastreamentos e cuidados específicos, conforme necessidades individuais. Destaca-se, nesse contexto, o papel estratégico do NEPS como articulador do processo, inte- grando gestão, ensino e apoiando as equipes na incorporação do protocolo à rotina assistencial.
pré-natal, parceiro,
ELISABETE CABRAL BORGES DE MATOS, AMÁLIA ROCHA BARROS VIEIRA, MARIA OLÍVIA PIMENTEL SAMERSLA, NATALIA GOUVÊA GASPAR, ADELINA DE OLIVEIRA LEITE, ALDELINA SANTOS ROSA