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O Setembro Amarelo surgiu no Brasil em 2015, como uma campanha de prevenção ao suicídio, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da saúde mental e do cuidado psicológico. A iniciativa foi criada pela CVV (Centro de Valorização da Vida), em parceria com diversas organizações, e recebeu esse nome devido à escolha da cor amarela, que simboliza a vida e a valorização da existência1. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os casos de suicídio aumentaram 43% no Brasil em uma década, passando de 9.454, em 2010, para 13.523, em 2019. Os números mostram que, a cada dia, 38 pessoas tiram a própria vida no Brasil, sendo que, para cada caso de suicídio, há até 20 tentativas frustradas. Isso afeta não apenas o bem-estar dos indivíduos, mas também a economia e a sociedade como um todo2. Apesar da alta prevalência, pouco se debate sobre a temática, pois é considerada um tabu em diversos núcleos sociais. Nesse sentido, uma das estratégias adotadas para explanar o assunto no HMAA foi a realização de um Workshop de Educação na Saúde. Esta compreendida como um processo educativo de construção de conhecimentos em saúde, visando à apropriação da temática, a construção de subjetividade, em que o sujeito molda o objeto a si, ressignificando o a partir das suas percepções, expectativas e interesses, e desta forma, contribui para a autonomia dos sujeitos quantos aos cuidados necessários para a manutenção da saúde e dos aspectos que a envolvem.
1. Acolher os colaboradores 2. Explanar sobre o “Setembro Amarelo”; 3. Sensibilizar os colaboradores sobre a importância do debate sobre o tema; 4. Explicar sobre os principais sinais de vulnerabilidade ao suicídio; 5. Identificar os principais fatores e risco para a saúde mental; 6. Fornecer estratégias preventivas e promover práticas saudáveis para reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida dos colaboradores
Para criar um conteúdo direcionado, interessante, relevante que desperte o interesse do público-alvo, criou-se a persona. A persona é uma ferramenta cujo propósito é reunir informações objetivas para avaliar questões subjetivas do indivíduo. Ou seja, os seus medos, anseios, dores, sonhos entre outras características que, essencialmente, fazem com que uma pessoa tenha uma experiência positiva com algum produto ou serviço que lhe é oferecido. Assim, primeira etapa foi realizar um planejamento para construção da persona e do workshop: • o estabelecimento de objetivos: • a determinação do público-alvo; • a determinação do método; • a determinação dos instrumentos; • a determinação do conteúdo. O Conteúdo focou nas causas mais comuns da depressão, como questões psicológicas, sociais e culturais. Foi abordado o impacto do preconceito, salientando como estigmas e desinformação dificultam a busca por ajuda e tratamento adequado. Além disso, foi enfatizado a pressão exercida pelas redes sociais, que reforçam padrões estéticos e de comportamento inalcançáveis, intensificando sentimentos de inadequação e ansiedade, especialmente entre jovens. O objetivo foi sensibilizar os trabalhadores sobre a importância da empatia, do apoio psicológico e da desconstrução de padrões nocivos, promovendo a reflexão crítica sobre o papel das redes sociais e da sociedade na saúde mental. E a segunda etapa foi sensibilizar os trabalhadores a participarem do workshop, por meio de abordagens e de convites.
O workshop realizado em virtude do Setembro Amarelo teve um impacto positivo e significativo na conscientização dos trabalhadores sobre a importância de cuidar da saúde mental. Durante a apresentação, os trabalhadores foram convidados a refletir sobre a ideia de que “tudo bem não estar bem” e que não há culpa em passar por dificuldades emocionais. A discussão sobre a necessidade de pedir ajuda e a pressão das redes sociais e da sociedade, que muitas vezes impõem padrões inatingíveis, gerou um ambiente de empatia e acolhimento. No final da apresentação, ao ser questionado “o que você faria de diferente a partir deste momento?”, os trabalhadores demonstraram grande reflexão sobre as próprias atitudes em relação à saúde mental, com muitos expressando a intenção de buscar ajuda profissional quando necessário, assim como oferecer apoio a outras pessoas que possam estar enfrentando dificuldades semelhantes. A dinâmica final de convidar os trabalhadores a se abraçarem promoveu um momento de solidariedade e reforçou a mensagem de que, juntos, podemos promover uma rede de apoio emocional mais forte. Essa ação não só proporcionou uma experiência de autocuidado e acolhimento, mas também incentivou uma mudança de atitude coletiva, incentivando os trabalhadores a cuidarem melhor de si mesmos e a oferecerem suporte aos outros, especialmente aqueles que podem estar enfrentando situações de sofrimento mental.
Pode se observar que houve um grande interesse dos trabalhadores sobre o tema. Houve relatos de melhorias significativas no entendimento, de mudanças de atitude e quebra de tabus, ao pontuarem maior conscientização sobre a importância do debate do tema, além de intenção de adotar práticas saudáveis para reduzir o estresse. Avaliação geral: os trabalhadores consideraram o workshop útil e relevante. É fundamental continuar com ações preventivas e educativas para proteger a saúde mental e melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, e nesse sentido foi acordado que toda equipe do HMAA está disponível a acolher o outro.
Setembro Amarelo, Prevenção, Cuidado
IVONE BATISTA PEDROSO DOS SANTOS, EDNA ALVES MADEIRA ZIMMERMANN, MAYLA PEREIRA DONON