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Estima-se que no Brasil, a população idosa seja de 30 milhões de pessoas, cerca de 14% da população total. Isso é resultado da contínua queda de fecundidade e da queda de mortalidade. Esse envelhecimento acelerado nos exige atenção e nos traz desafios enquanto serviço de saúde, pois, nessa população, as doenças crônico-degenerativas e as incapacidades funcionais são mais prevalentes, exigindo respostas do sistema público. O envelhecimento naturalmente promove modificações no corpo. Na população idosa é comum a redução de massa muscular e densidade óssea, reduzindo a força e enfraquecendo o componente ósseo do indivíduo, favorecendo alterações de equilíbrio, postura e marcha, podendo facilitar o evento da queda. A queda é definida como um evento não intencional que tem como resultado a mudança da posição inicial do indivíduo para um mesmo nível ou nível mais baixo, porém, merecem maior atenção na população idosa, pois são mais prevalentes, geram maior impacto funcional, além de maior prejuízo econômico para a família e serviços de saúde. O trabalho em grupo na Atenção Básica é uma possibilidade de estimular uma vida mais saudável, além de gerar um espaço para o cuidado e troca de experiências, favorecendo a compreensão sobre as formas de lidar com o envelhecimento. Diante do exposto, percebemos a necessidade da criação de um projeto voltado para atender a população idosa, buscando a independência e autonomia dessa população, promovendo maior qualidade de vida.
Atuar na prevenção de quedas em idosos no âmbito da atenção primária, reduzindo as incapacidades e melhorando a qualidade de vida dos usuários, por meio do grupo de idosos nas Estratégias de Saúde da Família (ESF).
O projeto iniciou no mês de fevereiro/2023 na ESF São Roque e em março/2023 na ESF Parque Rodovias. Após aprovação do projeto pela Atenção Básica, iniciei apresentando o grupo para a ESF e comunidade. Realizei avaliação dos usuários no início e ao final do grupo, na ESF São Roque e na ESF Parque Rodovias, foi realizada somente avaliação inicial. A avaliação é composta de oito itens que compreendem cinco domínios fisiológicos de risco: visão, sensibilidade, força de membros inferiores, tempo de reação e equilíbrio em pé. Avaliou-se também, o histórico de quedas no último ano e uso de 4 ou mais medicações e uso de psicotrópicos, além dos testes funcionais de baixo contraste de acuidade visual, teste de sensibilidade tátil, teste de semi-tandem, teste do passo alternado e teste de sentar e levantar e sentar da cadeira. Foram realizados 7 encontros, com duração de 50 minutos. Nesses encontros, os usuários recebiam orientações sobre prevenção de quedas, realizavam exercícios físicos e finalizavam com relaxamento/troca de experiências.
O projeto iniciou com a avaliação de dez usuários na ESF São Roque. Com o desenvolver do grupo, permaneceram quatro usuários, porém, somente dois aceitaram fazer a reavaliação. Entretanto, podemos observar que nesses dois usuários houve redução na taxa de risco de queda de 27% para 13% de um usuário e de 13% para 07% do risco de queda em outro. Já na ESF Parque Rodovias, iniciamos a avaliação com cinco usuários e finalizamos o grupo com oito, porém, não foi possível fazer a reavaliação. Entretanto, consegui avaliar de forma qualitativa os usuários, durante todo o acompanhamento do grupo, percebendo que eles estavam conseguindo realizar tarefas simples, que antes não eram possíveis, como sentar e levantar da cadeira sem apoio, realizar exercício em apoio unipodal, realizar exercício de membro superior e inferior ao mesmo tempo, não oscilando o equilíbrio. Além dos relatos dos próprios usuários, sobre a melhora na realização de suas atividades diárias. Isso nos mostra que um programa de exercício físico que envolva treino de equilíbrio, coordenação motora e fortalecimento de membros inferiores, pode ajudar a reduzir a taxa de risco para queda em idosos.
Os grupos são uma possibilidade de estimular uma vida social mais saudável, além de ser um veículo para a educação em saúde, já que geram um espaço para o cuidado e o compartilhamento de necessidades de mudanças, favorecendo a compreensão sobre as diversas formas de lidar com o processo de envelhecimento, além do baixo custo para o sistema público de saúde. Observou-se que um programa de exercício físico em grupo, envolvendo treinos de equilíbrio, coordenação motora e fortalecimento de grandes grupos musculares, principalmente de membros inferiores, trouxe mais autonomia aos usuários, impactando diretamente na qualidade de vida e diminuindo a taxa para o risco de queda.
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Kássia Rodrigues Mendes