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A experiência do município de Colina (18.486 habitantes), retrata o processo de organização, implementação da transição e continuidade do cuidado em rede. Trata-se de um processo de fortalecimento na relação entre os serviços hospitalares e atenção básica no contexto da Estratégia de Saúde da Família (05 ESF e 01 Ambulatório de Especialidades), com a intenção de melhorar a qualidade de atendimento aos pacientes e reduzir complicações decorrentes da falta de acompanhamento adequado no pós alta. Iniciou-se em 2023 no Hospital José Venâncio, reuniões mensais para identificar as demandas, necessidades, planejamento de cuidado e ações a serem desenvolvidas durante o período de hospitalização. Em seguida, houve uma ampliação desse escopo, estendendo para a rede extra hospitalar, viabilizando uma maior aproximação e fortalecimento do vínculo entre as equipes do hospital e da atenção básica. Com a efetivação da possibilidade do acompanhamento no pós-alta, outras estratégias foram agregadas: criação de formulários, cartão de alta hospitalar, atendimento agendado do binômio na AB, visando estabelecer uma rede de cuidados integrados, que respeitem as necessidades das mães e seus bebês, e assegurem a continuidade do cuidado após a alta hospitalar. Em agosto de 2024 esse processo de qualificação das altas se expandiu, passando a incluir também pacientes vulneráveis e com comorbidades, consolidando a Humanização na integralidade do cuidado como princípios fundamentais do SUS.
•Elaborar, implementar e consolidar práticas de humanização no atendimento hospitalar e atenção básica no acompanhamento pós-alta às puérperas, recém-nascidos, pacientes com comorbidades e vulnerabilidades; •Implementar e qualificar o dispositivo Alta Responsável como um arranjo de processo de trabalho, continuidade da assistência, fortalecimento da atenção integral compartilhada e em rede; •Instituir e monitorar planilha de acompanhamento entre a Instituição Hospitalar e a Atenção Básica como ferramenta, dentre as estratégias de comunicação em rede integrada de cuidados; •Monitorar as reinternações.
Utilizou-se do “método da roda” para implementação e desenvolvimento da experiência. Foi estruturada de forma a integrar múltiplas etapas e estratégias, com foco na participação ativa dos profissionais, colaboração entre os diferentes níveis de atenção à saúde e a contínua avaliação dos resultados. Desenvolveu-se as seguintes ações: criação de um cartão para as puérperas e recém-nascidos, elaborado conjuntamente pelos profissionais do Hospital e da Atenção Básica, com informações detalhadas sobre os cuidados realizados durante a internação, orientações para o acompanhamento pós-alta e dados essenciais para garantir a continuidade do cuidado; desenvolvimento de uma planilha eletrônica no “Google Drive”, individualizada por Unidade, que permite a inserção de dados sobre os pacientes: alta hospitalar, comorbidades, agendamentos e prioridades de acompanhamento, facilitando o compartilhamento das informações em tempo real, bem como o monitoramento pelas equipes do Hospital e Atenção Básica. Os profissionais da AB e as Agentes Comunitárias de Saúde acompanham essas altas através das visitas domiciliares e atendimentos pela ESF, considerando também o critério de vulnerabilidade e as necessidades de cuidados. Isso favorece um fluxo de informações rápidas e eficiente de acompanhamento dos pacientes em rede. A equipe se reúne regularmente para discussão dos avanços e dificuldades, com revisão dos dados da planilha e monitora o impacto das ações implementadas.
O fortalecimento do vínculo entre os serviços de saúde, a redução das reinternações, e a ampliação do atendimento para pacientes com comorbidades são alguns dos resultados concretos. Reuniões multidisciplinares que estabeleceram novas ações a serem implementadas com gestantes, puérperas e RNs, orientando sobre os cuidados pré-existentes e necessários para mãe e bebê, além de ofertar subsídios para que a mãe tenha os dados necessários para os cuidados apropriados ao seu RN no momento da alta; Elaboração de cartão do RN que contém todos os cuidados realizados no centro cirúrgico e maternidade, orientações para os pais sobre cuidados com RN, como desengasgar o bebê por exemplo, exames e todos os contatos do serviços de saúde ofertados pelo Município; Aprimoramento do fluxo e ampliação do processo de alta responsável para os pacientes com comorbidades e vulnerabilidades, aumentando a confiança e a satisfação da população com os serviços de saúde; Criação de um sistema de monitoramento pós-alta, por meio de uma planilha eletrônica compartilhada entre o Hospital e a ESF sem custos financeiros; Durante esse período de acompanhamento, foram observadas grandes avanços de redução nos índices de reinternação, de complicações, ampliação do acesso à AB, com agendamentos mais rápidos e eficientes, especialmente para aqueles com condições de saúde mais complexas; O sistema em tempo real permitiu à equipe hospitalar uma resposta mais rápida, tornando o acompanhamento pós alta mais eficiente.
O processo de apoio em Humanização iniciado para elaboração do Plano Institucional de Humanização, produziu impactos consistentes na melhoria da comunicação, articulação e qualificação na produção de cuidado integrado entre equipes e serviços de saúde. A equipe observa redução significativa em reinternações, no acesso facilitado da AB com a instituição, e nos resultados das solicitações de demandas rápidas e resolutivas para a alta do paciente. A contratação de novos profissionais em 2024, possibilitou expandir o modelo de alta responsável para pacientes com comorbidades e situações de vulnerabilidade social, com melhoria de acesso. A combinação de uma metodologia participativa e de ferramentas tecnológicas geraram benefícios para os pacientes e para o sistema de saúde, com promoção de uma saúde mais humanizada e integrada. O feedback recebido foi positivo em relação ao processo de acolhimento e como a comunicação foi facilitada entre o hospital e a Atenção Básica. As estratégias adotadas têm o potencial para ser ampliadas para outras áreas e grupos de pacientes, consolidando a Humanização como princípio fundamental no sistema de saúde pública de Colina.
Humanização, atenção básica, alta hospitalar.
ANALICE PEDRO RIZZO, PATRICIA PESSIM, SUZANA CHIARELLI DOS SANTOS BASSO, GUSTAVO HENRIQUE DE SOUZA JUNQUEIRA, VERA LÚCIA COELHO, DANIELA PEREIRA ALVES CANTORI, ELANIA MARIA FERREIRA E FERREIRA, MARIA CONCEIÇÃO VIANA PEREIRA, JUVENATA CARVALHO DEL ANGELO, IVANA CLEMENTE CASTRO