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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística a população brasileira era composta por 51,1% de mulheres. No Sistema Único de Saúde (SUS) as mulheres são as principais usuárias na Atenção Primária em Saúde (APS). Sendo assim, a linha de cuidado à saúde da mulher exige prioridade no planejamento das equipes de saúde que precisam estar capacitadas para acolher as necessidades dessas mulheres, proporcionando acesso facilitado e acompanhamento integral, longitudinal e coordenado. As situações de morbimortalidade materno-infantil ocorrem geralmente na primeira semana após o parto, e é um período visto como oportunidade de contato das equipes com a mulher e o recém-nascido. No início das atividades de residência multiprofissional em março de 2022 em Unidade Básica de Saúde em Campinas/SP, observou-se que cuidado à saúde materna era realizado predominantemente por médicos ginecologistas e não haviam ações coletivas de educação em saúde voltadas à esta população. Nesse período, notou-se que após o parto poucas puérperas retornavam para o próprio cuidado, e o acompanhamento se concentrava no cuidado infantil em consultas pediátricas realizadas por médicas pediatras. A partir do exposto foi pactuado entre profissionais e gestão a necessidade de reestruturação da linha de cuidado materno-infantil na Unidade Básica de Saúde buscando estimular o trabalho multiprofissional e compartilhado e promover ações de educação em saúde.
Geral: Descrever a experiência relacionada às ações individuais e coletivas de fortalecimento da linha de cuidado materno-infantil no contexto da Atenção Primária à Saúde. Específicos: Descrever ações do trabalho multiprofissional, considerando a integração de saberes entre a Equipe de Saúde da Família (ESF) e a Equipe Multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (eMulti); Identificar as estratégias utilizadas para ampliação do acesso e garantia da qualidade da assistência; Descrever espaços coletivos criado para a promoção da saúde; Discorrer sobre as estratégias desenvolvidas para a redução da morbimortalidade materno-infantil no território.
Trata-se de um relato de experiência vivenciado por uma enfermeira residente, no biênio 2022-2024, em um Centro de Saúde no município de Campinas-SP. O trabalho foi dividido em duas partes. Na primeira parte intitulada Projeto mãe-bebê, foram realizados atendimentos compartilhados com a profissional fonoaudióloga ao binômio mãe-bebê preferencialmente na 1ª semana de vida, com dia e horário concomitantes a aplicação da vacina BCG na unidade. Nessa parte também foram confeccionados três materiais informativos. Na segunda parte foram criadas rodas de conversas entre profissionais de saúde e gestantes, os encontros iniciaram-se com acolhimento, seguidos de discussão de temas relacionados ao ciclo gravídico-puerperal e ao final construído plano de parto.
Foram realizados 91 atendimentos no Projeto mãe-bebê e nove rodas de conversas. As consultas foram compartilhadas, em sua maioria, entre enfermeira e fonoaudióloga, com foco em ações de amamentação, primeiros cuidados com o recém-nascido, reconhecimento de redes de apoio e identificação de riscos biopsicossociais. Parte do processo de trabalho interdisciplinar incluiu a médica pediatra para a ampliação do escopo de ações em saúde e a corresponsabilização do cuidado, sendo possível a construção de vínculo e manejo das principais intercorrências nas primeiras semanas após o parto. As rodas de conversas estimularam o trabalho multiprofissional ao contarem com a participação de mais profissionais da equipe e fortaleceram as estratégias de educação em saúde no cuidado materno.
O estudo evidenciou a necessidade de ampliar a produção científica relacionada ao cuidado materno-infantil de forma multiprofissional no âmbito da Atenção Primária; também trouxe contribuições para as usuárias, os profissionais e a residente e abre diálogo sobre as possibilidades de ações de educação em saúde materno-infantil individuais e coletivas.
Interdisciplinar, linha cuidado materno-infantil
PRISCILA DE PAULA MARQUES, CLAUDIA CAROLINA COSTA BRAGA