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O serviço de fisioterapia comunitária de Suzanápolis, iniciou-se para tratar queixas de dor, causada por lesões osteomusculares, sempre com grande demanda de mulheres que no decorrer do tratamento, observamos vários contextos de violência e isolamento social sofridos por elas. O grupo de fisioterapia comunitária faz uma abordagem inovadora e eficaz para ajudar mulheres vítimas de violência e isolamento. Ao oferecer um espaço seguro e acolhedor para elas compartilharem suas experiências e emoções, ajudando a reduzir o estresse e a ansiedade promovendo um estado de calma e relaxamento, a fisioterapia pode ajudar a promover a reabilitação física, emocional e social. Esse grupo de mulheres, em sua maioria buscando um melhor EnvelheSER, se uniram para melhorar esse novo espaço terapêutico cedido pela prefeitura, onde possam compartilhar experiências, aprender e se fortalecer mutuamente. Com suas habilidades em crochê, decidiram decorar com suas obras-primas, criando um ambiente acolhedor e estimulante. Essa iniciativa não apenas promove a saúde física e mental, mas também fortalece o vínculo social e comunitário, essencial para o bem-estar. A união delas é um exemplo de como o SUS pode ser um instrumento de transformação social, promovendo a inclusão, a solidariedade e a melhoria da qualidade de vida. Ao criar esse espaço terapêutico, elas estão não apenas cuidando de si mesmas, mas também contribuindo para o desenvolvimento do município de Suzanápolis.
– Decorar o espaço terapêutico com peças de crochê, tornando-o mais aconchegante e estimulante para os usuários. – Empoderar as mulheres, fornecendo-lhes as ferramentas e a confiança necessárias para tomar controle de suas vidas; – Fortalecer o vínculo social: Promover a interação e o senso de comunidade entre as participantes, combatendo o isolamento social. – Estimular a criatividade e a autonomia: Incentivar as mulheres a expressarem sua criatividade e se sentirem protagonistas no processo de criação do espaço. – Melhorar a autoestima e a confiança das mulheres; – Promover a saúde integral das mulheres, abordando suas necessidades físicas, emocionais e sociais fornecendo um atendimento humanizado e respeitoso, considerando as necessidades e experiências únicas de cada mulher. – Contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo a inclusão e a igualdade de oportunidades para todas as mulheres e idosos.
O serviço de fisioterapia comunitária no município de Suzanápolis.foi iniciado em março de 2023, com a finalidade de reduzir a demanda reprimida, bem como ampliar o acesso da população as ações de reabilitação, promoção e prevenção em saúde, com enfoque biopsicossocial e abordagem humanizada. Percebemos numa pesquisa anterior, com um grupo de mulheres, uma porcentagem de vulnerabilidade e risco de violência doméstica com um questionário anônimo aplicado. Baseado nesta pesquisa e na busca de incentivar essas mulheres, surgiu a ideia de melhorar um novo espaço que a prefeitura disponibilizou para atividades terapêuticas em grupos, com isso decidimos decorar este lugar com os crochês, que as mesmas produzem buscando um resgate cultural e histórico. A integração de atividades artesanais, como o crochê, às práticas fisioterapêuticas configura-se como uma estratégia complementar relevante no cuidado integral à saúde, especialmente entre mulheres idosas em contexto comunitário. Essa associação ultrapassa os benefícios estritamente físicos, alcançando dimensões emocionais, cognitivas e sociais do processo terapêutico. Do ponto de vista funcional, o crochê estimula a coordenação motora fina, a mobilidade das articulações, a destreza manual e a concentração, podendo contribuir para a manutenção da capacidade funcional. No âmbito psicossocial, a prática do crochê em grupo favorece a socialização, fortalece vínculos interpessoais e promove sentimento de pertencimento.
Os resultados observados a partir da participação das mulheres idosas na decoração do novo espaço terapêutico no município de Suzanápolis, demonstraram impactos positivos nos aspectos emocionais e sociais. Na pesquisa verificamos que: 89,65% obtiveram evolução favorável nas disfunções físicas e algias, 96,55% melhoraram o quadro emocional e 93,10% tiveram melhora na inclusão social. Verificou-se melhora na autoestima, especialmente ao visualizarem suas produções artesanais em crochê expostas no ambiente terapêutico. A valorização pública de suas criações contribuiu para o reconhecimento de suas habilidades e potencialidades, fortalecendo o sentimento de pertencimento e utilidade social. A construção coletiva da denominada “parede de crochê e a contemplação do resultado final, proporcionaram momentos de satisfação, alegria e realização pessoal. Tais vivências favoreceram a promoção da saúde mental e o fortalecimento da identidade individual e coletiva do grupo. Destaca-se que parte das participantes relatava histórico de violência verbal e/ou física. No contexto grupal, essas mulheres encontraram um espaço seguro de acolhimento, escuta e valorização, favorecendo o empoderamento feminino, a reconstrução da autoconfiança e o fortalecimento da autonomia. O grupo configurou-se, portanto, como instrumento de transformação social, promovendo autovalorização e maior independência, além de favorecer a construção de uma comunidade mais solidária, participativa e inclusiva no município.
A fisioterapia comunitária se mostra fundamental em Suzanápolis e deve ser parte de uma abordagem integral que inclua os serviços do SUS, os fisioterapeutas devem trabalhar o empoderamento dessas mulheres, garantindo que elas sejam envolvidas em todas as etapas do processo de saúde física e emocional, promovendo saúde com inclusão social. Ao decorar o novo espaço terapêutico com seus crochês, encontraram um ambiente de apoio, autoestima e autoconhecimento dos seus valores. Essa união fortaleceu vínculos e reduziu a exclusão, especialmente entre aquelas que superaram experiências de violência. O projeto destaca a importância de espaços de cuidado e convivência para a saúde integral, contribuindo para uma comunidade mais solidária e inclusiva. Mulheres fortes são como o crochê: delicadas por fora, mas com uma estrutura inquebrável, tecendo sua própria história ponto a ponto, com persistência e criatividade, transformando fios simples em obras de arte inabaláveis. O próximo resgate cultural será feito com uma exposição de fotos da fundadora da cidade: dona Suzana, que representa a mulher forte e inabalável! Fica a experiência exitosa, para incentivar outros municípios e profissionais, a fazer a diferença na vida dessas mulheres!
Crochê, Fisioterapia Comunitária e Empoderamento.
GUSTAVO MAURO WITZEL MACHADO, DEISE CARLA DE ARAUJO LOPES