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Sou M.F., homem trans, enfermeiro da UBS Bom Pastor, no município de Santo André-SP, e relato aqui uma experiência que transformou não apenas minha trajetória profissional, mas também o processo de trabalho da equipe e a percepção do território sobre diversidade de gênero. Ao iniciar minhas atividades na unidade, como homem trans, carregava expectativas e receios comuns a pessoas que historicamente enfrentam preconceito e invisibilidade nos espaços institucionais. A Atenção Primária, por sua natureza territorial e relacional, exige construção constante de vínculo, confiança e respeito mútuo. Desde minha chegada, fui acolhido pela equipe de forma respeitosa e profissional. Esse acolhimento possibilitou que minha identidade não fosse barreira, mas instrumento de fortalecimento da discussão sobre diversidade, equidade e humanização no cuidado. A vivência cotidiana passou a provocar reflexões na equipe e nos usuários, ampliando o olhar para o respeito às diferenças e para o cuidado livre de discriminação.
Relatar a experiência de inserção profissional como homem trans na UBS Bom Pastor, evidenciando o impacto do acolhimento institucional na construção de ambiente inclusivo, na transformação da percepção da equipe sobre diversidade de gênero e no fortalecimento de práticas assistenciais baseadas no respeito, equidade e humanização.
A experiência desenvolve-se no cotidiano da prática assistencial na Atenção Primária, articulando cuidado direto à população e ações de educação permanente. Desde minha inserção na UBS Bom Pastor, contei com apoio institucional da gestão, especialmente da coordenação de enfermagem, que reconheceu a importância da representatividade e da inclusão no ambiente de trabalho. A gestão garantiu minha participação ativa em espaços formativos voltados à diversidade de gênero, tanto na unidade quanto em outras equipes da rede municipal, ampliando o debate sobre identidade de gênero, acolhimento e equidade no SUS. Esses momentos ocorreram por meio de rodas de conversa, encontros de educação permanente e discussões em reuniões técnicas, favorecendo sensibilização e qualificação das práticas assistenciais. No cotidiano da unidade, a construção do ambiente inclusivo ocorre por meio do diálogo aberto, da reflexão sobre linguagem e abordagem ética, e da naturalização da diversidade como parte da realidade social do território. A articulação entre prática assistencial e espaços formativos fortalece a cultura institucional de respeito e humanização.
A inserção profissional ocorreu de forma acolhedora, fortalecida pelo suporte da gestão e pela atuação ativa da coordenação de enfermagem. A participação em espaços formativos ampliou a discussão sobre diversidade de gênero em diferentes equipes da rede, promovendo maior sensibilidade institucional e qualificação do atendimento à população LGBTQIAPN+. Observou-se mudança na postura da equipe, abordagem respeitosa e reconhecimento das especificidades relacionadas à identidade de gênero, mediante educação permanente dentro da unidade, sanando dúvidas da equipe e usando exemplos reais do dia a dia. A experiência também ampliou a confiança de usuários no serviço, consolidando a UBS Bom Pastor como espaço seguro e inclusivo. A atuação conjunta entre profissional e gestão demonstrou que o apoio institucional é elemento fundamental para promover transformação cultural no ambiente de trabalho e fortalecer práticas baseadas na equidade.
Minha trajetória na UBS Bom Pastor demonstra que a inclusão e o respeito à diversidade fortalecem o cuidado na Atenção Primária. A representatividade não se limita ao aspecto simbólico, mas produz impacto concreto na cultura institucional e na forma como o território percebe o serviço de saúde. A experiência reafirma que ambientes acolhedores promovem transformação coletiva, consolidando práticas assistenciais baseadas na equidade, dignidade e respeito às singularidades.
Diversidade gênero, equidade, representatividade.
FERNANDO MIGUEL DE LIMA MARTINS, MARCIO RENEI SILVA SANTOS