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A humanização da assistência é um dos princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS), visando promover cuidado integral, acolhedor e centrado nas necessidades do usuário. No contexto da coleta de exames laboratoriais em pediatria, observa-se que o medo, a ansiedade e o estresse das crianças e de seus familiares podem dificultar o procedimento, impactando negativamente a qualidade da assistência e a experiência no serviço de saúde. A experiência teve início em julho de 2025 e ocorre na Policlínica Dona Leonil Crê Bortolosso, localizada na Zona Norte do município de Osasco/SP. Foi desenvolvida pela enfermeira e técnicos de enfermagem do laboratório, com apoio da gestão da unidade. A iniciativa consistiu na adaptação de um espaço da sala de coleta para a criação de um ambiente lúdico e imersivo voltado ao público infantil. A escolha do tema “fundo do mar” fundamenta-se em estudos da área da saúde e psicologia ambiental que indicam que a cor azul está associada à sensação de calma, tranquilidade e redução da ansiedade, contribuindo para o bem-estar emocional. A experiência beneficia diretamente crianças usuárias do SUS e seus familiares e/ou cuidadores, fortalecendo o vínculo com a equipe de enfermagem e promovendo um cuidado mais humanizado no âmbito municipal.
Promover a humanização da assistência de enfermagem durante a coleta de exames laboratoriais em crianças, reduzindo o medo, a ansiedade e o estresse relacionados ao procedimento; Proporcionar um ambiente acolhedor e lúdico que favoreça a cooperação da criança e a participação ativa dos familiares; Melhorar a experiência do usuário pediátrico no serviço de saúde, aumentando a segurança emocional e a chance de sucesso na primeira punção venosa; Fortalecer o vínculo entre equipe de enfermagem, crianças e familiares, contribuindo para uma percepção positiva do cuidado ofertado pelo SUS municipal.
A experiência foi desenvolvida no setor de coleta laboratorial da Policlínica Dona Leonil Crê Bortolosso, com a participação direta da enfermeira e dos técnicos de enfermagem, contando com o apoio da gestão local. Inicialmente, foi adaptado um espaço dentro da sala de coleta, transformando-o em uma sala especial para atendimento infantil. O ambiente foi decorado com a temática “fundo do mar”, utilizando papel de parede azul e adesivos autocolantes de animais marinhos, algas e bolhas, criando uma experiência imersiva que remete à entrada em um submarino. Paralelamente, foram desenvolvidas estratégias de reforço positivo, como a criação do “certificado de coragem”, entregue à criança ao final da coleta, e do “mural da coragem”, onde as crianças pintam as mãos com tinta guache e deixam sua marca no mural. Durante o atendimento, a equipe utiliza linguagem adequada à faixa etária, explicações simples e postura acolhedora, envolvendo pais ou familiares no processo. As atividades são realizadas diariamente conforme a demanda do serviço, integrando o cuidado técnico ao cuidado humanizado.
Os resultados observados indicam impacto positivo da experiência na assistência prestada. As crianças demonstram menor resistência ao entrar na sala de coleta, apresentando-se mais calmas e curiosas em relação ao ambiente decorado. O clima lúdico contribui para a redução do medo e da ansiedade, facilitando a realização do procedimento. Os pais e familiares relatam maior sensação de acolhimento e segurança, o que reflete diretamente no comportamento da criança durante a coleta. Observou-se aumento significativo da taxa de sucesso na primeira punção venosa, associado à diminuição do estresse e à maior colaboração do público infantil. As estratégias de recompensa, como o certificado de coragem e o mural, auxiliam na mudança do foco da criança, que passa a associar a coleta a uma experiência positiva. Muitas crianças saem da sala satisfeitas e orgulhosas, reforçando a construção de memórias positivas relacionadas ao serviço de saúde.
A experiência evidencia que ações simples, de baixo custo e baseadas nos princípios da humanização podem gerar impactos significativos na qualidade da assistência de enfermagem. A ambientação lúdica e o uso de estratégias de acolhimento mostraram-se eficazes na redução do medo e da ansiedade das crianças, além de fortalecer o vínculo entre equipe, usuários e familiares. O processo de desenvolvimento da experiência favoreceu reflexões sobre a importância do olhar sensível da enfermagem para além do procedimento técnico, reconhecendo as necessidades emocionais do público pediátrico. Os resultados alcançados reforçam a relevância de iniciativas que promovam cuidado integral no SUS municipal. Como expectativa futura, pretende-se manter e aprimorar a experiência, estimulando sua replicação em outros serviços de saúde e ampliando as ações de humanização voltadas à infância, contribuindo para uma assistência cada vez mais acolhedora e resolutiva.
Humanização, Pediatria, Enfermagem
KAREN CRISTINA ALVES NASCIMENTO