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O acesso à informação é um pilar fundamental na transparência da gestão em saúde pública, permitindo o acompanhamento pela população da situação de saúde e dos serviços prestados. Na “era da informação”, com a expansão da tecnologia e disponibilidade de dados, a informação tornou-se acessível em praticamente qualquer lugar e momento. Um reflexo do período, é o conceito de saúde digital apresentado pela Organização Mundial de Saúde. Configura-se como um campo de conhecimento e prática multidisciplinar associada ao desenvolvimento e uso de tecnologias digitais na saúde, saúde eletrônica, saúde móvel, telessaúde e saúde baseada em dados, entre outros [1]. Com a pandemia de covid-19, a comunicação em saúde e a divulgação de dados de vigilância tornou-se necessária para a compreensão do comportamento da doença e ações. Para isso, os painéis ou dashboard estão utilizados, já que são ferramentas visuais e interativas que reúnem e apresentam um grande conjunto de dados por meio da combinação de representações visuais como tabelas, gráficos e mapas, que permitem o acompanhar a evolução de doenças, identificar tendências, avaliar o impacto de intervenções, auxiliar na tomada de decisões. Em Campinas, após a experiência positiva com Painel de Síndromes Respiratórias durante a pandemia de covid-19, o município expandiu a criação e implementação de painéis de monitoramento de dados epidemiológicos abertos à população.
O objetivo é fazer um relato de experiência sobre o processo de construção e implementação de painéis de monitoramento de dados epidemiológicos pela equipe do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde) junto ao Departamento de Vigilância em Saúde (DEVISA) Campinas, SP, para ampliar o acesso a informações sobre eventos relacionados à saúde pelos munícipes.
Optou-se pela plataforma Microsoft Power BI (PBI), definida como uma coleção de serviços de software, aplicativos e conectores que transformam fontes de dados não relacionadas em informações coerentes, visuais e interativas. Os dados podem estar em diversas fontes, como planilhas do Excel, bancos de dados MySQL e nuvem [2]. A primeira etapa busca compreender os objetivos, intencionalidade e público alvo. Junto à área técnica, definir os bancos de dados, seguido por uma análise exploratória dos mesmos para a definição das variáveis. A terceira etapa é a preparação dos dados, afim de deixar a atualização mais dinâmica e oportuna. Esse processo envolve a limpeza do banco, tratamento de valores ausentes, criação de novas variáveis/categorias, como faixa etária. Posteriormente, a etapa de criação de layout, elementos gráficos e indicares, como indecência e mortalidade. Essa etapa visa fornecer as informações de maneira organizada, compreensível visualmente e direcionada. Seguida pela etapa de avalição, fundamental para identificar possíveis erros, divergências, sendo desejável que essa etapa também seja realizada junto a área técnica. Por último, a publicação e divulgação do painel ao público alvo.
Estão disponíveis no site da prefeitura de Campinas, 3 painéis com dados e informações, os painéis interativos de Arboviroses, covid-19 e de Febre Maculosa. Os dados são extraídos do SINAN, SIVEP-Gripe e eSUS Notifica, com periodicidade de atualização definida para cada doença/ agravo, e incluem informações sociodemográficas, de exames laboratoriais, gravidade, sintomas, desfecho, letalidade, mortalidade e incidência. Também há filtros de distrito e centro de saúde de residência. O Painel Interativo de covid-19, anteriormente conhecido como Painel Interativo de Síndromes Respiratórias (criado em 2020), utiliza dados combinados dos sistemas SIVEP-Gripe e e-SUS Notifica. Essa combinação, realizada através de linkage, permite uma análise mais completa e precisa da situação epidemiológica. Durante o período da pandemia ele também monitorava a ocupação de leitos de UTI, entre os hospitais públicos e privados. O Painel Interativo de Arboviroses apresenta dados de dengue e chikungunya, exibindo o número de casos confirmados, em investigação e óbitos, e utilizando infográficos para apresentar de forma clara e visual os principais sinais e sintomas das doenças. O Painel Interativo de Febre Maculosa, traz informação sobre o distrito de provável de infecção, letalidade, principais sinais e sintomas em formato de infográfico, além disso, traz ilustrações dos carrapatos e pequenos textos informativos para instruir a população sobre as áreas de risco e a conduta após visitar esses locais.
Compreende-se, portanto, que a disponibilização de dados de saúde por meio de painéis de monitoramento epidemiológico representa um avanço significativo na gestão da saúde pública do município. Ao facilitar o acesso à informação, apresentando linguagem clara e atualizada, esses painéis fortalecem a transparência, a participação social e a tomada de decisões embasadas em evidências. A iniciativa de Campinas, ao adotar essa ferramenta, demonstra um compromisso com a modernização da gestão e promoção da saúde da população. A construção dos painéis também joga luz sobre a necessidade de uma maior integração dos sistemas de notificação do país. É observada uma multiplicidade de bancos de dados que, lamentavelmente, não se intercomunicam. Esta falta de integração acarreta dificuldades na obtenção ágil e completa de todas as informações. Além disso, evidencia o preenchimento inadequado das fichas de notificação, com muitos campos em branco ou “ignorados”. A qualidade dos dados é fundamental para a confiabilidade dos painéis e informações mais fidedignas.
TRANSPARÊNCIA, ACESSO, dados de saúde,painéis.
THAMIRIS GOMES SMANIA, VALÉRIA CORREIA DE ALMEIDA, KAMILA DE OLIVEIRA BELO, MILENA APARECIDA RODRIGUES SILVA, TESSA ROESLER, WANICE SILVA QUINTEIRO PORT