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O Relato tem como objetivo compartilhar experiência das articulações de rede e reuniões de matriciamento entre Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e serviços da rede intra e intersetorial da zona leste da cidade de São Paulo, para organização do cuidado de adolescente com transtorno alimentar no serviço CAPS II Infantojuvenil de Guaianases, desde o período de seu acolhimento no mês de julho de 2023. O Centro de Atenção Psicossocial é regulamentado pela Portaria n.º 336/2002 (BRASIL, 2002) que determina na composição do serviço uma equipe multiprofissional capacitada para realizar atendimento prioritário de pacientes com intenso sofrimento psíquico em sua área territorial. O matriciamento é uma estratégia de produção de saúde, colaborativa, num processo de construção compartilhada entre duas ou mais equipes, com proposta de integração entre serviços de diferentes níveis de atenção à saúde. O apoio matricial propõe a ampliação do campo de atuação, retaguarda especializada e qualificação das ações em saúde mental por meio do suporte técnico (CHIAVERINI, 2011).
Organização do cuidado, matriciamento e integração da rede de serviços na condução do caso.
Diante da complexidade das necessidades do usuário, iniciamos encontros para discussão de caso e matriciamento entre gestão e equipe multiprofissional do CAPSi, Unidade Básica de Saúde (UBS) do território de referência do usuário – UBS Guaianases II (Nutricionista e Enfermeiro), Supervisão Técnica de Saúde – STS Guaianases (Interlocutor Técnico de Saúde Mental e Interlocutor Técnico de Nutrição), Programa de atendimento, ensino e pesquisa de transtornos alimentares na infância e adolescência do Instituto de Psiquiatria – PROTAD e Centro de Recuperação e Educação Nutricional – CREN de São Miguel Paulista. As atividades práticas estão sustentadas teoricamente por Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental do Ministério da Saúde (2011).
Com as discussões em rede observamos avanços na organização do cuidado da adolescente em intenso sofrimento psíquico e risco clínico. As discussões ampliaram o olhar assistencial do caso e possibilitaram investimentos e potência no manejo específico para pessoas com transtornos alimentares no serviço CAPS e na Unidade Básica de Saúde a partir da expertise de atores especializados em demandas nutricionais e de transtornos alimentares. Organizamos o cuidado da adolescente e de seus familiares partindo da compreensão de que o sofrimento está atrelado aos diferentes contextos psicossociais em que o sujeito está inserido. Durante os atendimentos compartilhados com a nutricionista da unidade básica de saúde, trabalhamos o vínculo e a integração de saberes na condução do cuidado nutricional, em saúde mental e clínico por meio de atendimentos compartilhados também com profissionais médicos durante as intervenções com a adolescente e seus familiares.Como principal objetivo elencamos a continuidade do cuidado do caso no território de vivencias comunitarias da adolescente, evitando a internação e a ruptura psicossocial.
As ações de matriciamento e articulação de rede foram fundamentais para a integração e alinhamento entre serviços nos diferentes níveis de atenção para a qualificação de práticas assistenciais e evoluções no tratamento. Ressaltamos a importância do projeto terapêutico singular compartilhado entre atores da rede de atenção psicossocial para alcance da integralidade das necessidades do usuário, promoção de reabilitação psicossocial e ampliação de sua jornada de cuidados pelo território.
Matriciamento, Infantojuvenil , transtorno
Régis Buldo Pires, Eudocha Antunes de Oliveira Rocha, Shirlei Cristina F. Martins