Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Em consonância com as políticas públicas que tratam do conceito de inclusão e acessibilidade à saúde bucal, a população com deficiência ainda encontra inúmeras barreiras, resultando no acúmulo de necessidades odontológicas. Processos dolorosos ou infecciosos de origem odontogênica trazem sofrimento e alterações na homeostase do organismo do indivíduo. No caso de pessoas com deficiência (PCDs), por vezes com severas dificuldades na comunicação, acabam se expressando pela mudança no comportamento habitual impactando negativamente nas suas atividades diárias. Dentro das características de cada deficiência alguns indivíduos apresentam maior resistência às técnicas de manejo comportamental para aceitar o tratamento odontológico em ambiente ambulatorial, seja pelo comprometimento intelectual, sistêmico, ou por alterações sensoriais. Para estes cenários, pensamos em oferecer saúde de forma integral buscando recursos de maior complexidade. O tratamento odontológico em nível terciário está contemplado na Política Nacional de Saúde Bucal e para atender a estes casos específicos faz-se necessário a interlocução entre os serviços da Atenção Primária à Saúde (APS), Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e Hospital, além de uma equipe multiprofissional composta por dentistas, auxiliares, médicos, enfermagem e técnicos do setor administrativo.
Viabilizar tratamento odontológico em pessoas com lesões neurológicas, síndromes, transtornos comportamentais onde o atendimento ambulatorial não foi possível.
A porta de entrada se dá pela Atenção Básica do município de São Sebastião, onde a Equipe de Saúde Bucal (ESB) encaminha os casos de maior complexidade ao CEO. Após uma avaliação mais direcionada na especialidade e quando identificado que as possibilidades deste nível de atenção não serão suficientes para o atendimento do caso é então proposto o atendimento hospitalar. Coletamos informações da história familiar e médica e realizamos o exame clínico e complementar, para elaboração de um plano de tratamento. São solicitados exames pré operatórios e avaliação pré anestésica. Alguns casos neste momento precisam de um olhar diferenciado de toda a equipe envolvida, pois barreiras como locomoção, colaboração para realizar exames laboratoriais, por exemplo, podem ser fatores dificultadores importantes na conclusão desse processo. Por fim, a Autorização de Internação Hospitalar (AIH) é emitida pelo setor de regulação responsável, em seguida é agendado conforme a disponibilidade do centro cirúrgico do Hospital de Clínicas de São Sebastião (HCSS). No dia marcado, o paciente é admitido pela enfermagem e a equipe médica de anestesiologistas em conjunto com os dentistas responsáveis conduzem o atendimento. Os procedimentos odontológicos são realizados pelos cirurgiões Buco Maxilo que compõem o corpo clínico do HCSS e profissionais do CEO. Sanadas as necessidades nesta sessão o paciente retorna para acompanhamento periódico em nível ambulatorial e manutenção da saúde bucal junto à família o
No último ano foram realizados atendimentos eletivos e de urgência em crianças e adultos com deficiência, principalmente com transtorno do espectro autista (TEA) nível 3 de suporte e deficiência intelectual (DI). Foram realizados procedimentos odontológicos clínicos e cirúrgicos. Com a aquisição de um equipamento odontológico portátil foi possível realizar em centro cirúrgico restaurações em dentes anteriores, devolvendo além da função também a estética, resultando em um tratamento mais conservador, melhorando a autoestima do paciente, trazendo maior satisfação dos familiares e agregando qualidade ao tratamento. Com estes atendimentos foi possível envolver os familiares, oferecendo suporte nos desafios do cuidado no dia-a-dia em relação à importância da saúde bucal. Diminuindo o impacto que os agravos bucais trazem para a PCD em relação ao sofrimento, prejuízo nas funções como alimentação e interação social. Com a oferta deste serviço dentro do município, conseguimos superar alguns desafios dos processos relacionados ao acesso aos serviços de saúde, como por exemplo a dificuldade de locomoção, devido à barreira geográfica imposta pela localização litorânea da nossa cidade, distante de grandes centros. Por fim, constatamos que a atuação da odontologia no âmbito hospitalar e o trabalho multiprofissional e em rede configuram integralidade no cuidado ao cidadão, especialmente se tratando da população com deficiência.
As políticas públicas são ferramentas importantes para permitir que os serviços de saúde cheguem à população com deficiência, e permitam seu desenvolvimento pleno e integral com saúde bucal e melhor qualidade de vida.
saúde bucal, tratamento, inclusão, deficiência
CAROLINA CLEMENCIO SANTANA, AERTON POMBO, DANIEL KAKIMOTO DE CAPITANI, LAYSA CHRISTINA PIRES DO NASCIMENTO, DILMARA OLIVEIRA ABREU