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Receber um diagnóstico de câncer representa o início de grande impacto emocional, despertando medos, incertezas e mudanças profundas na vida das pessoas e de suas famílias. Diante de tal circunstância, é vivido de maneira intensa a perda de sentido e valoração a própria vida. No contexto da Atenção Básica, percebe-se a importância de oferecer suporte psicoterapêutico, visando auxiliar pacientes a lidar com os desafios emocionais e psicológicos que acompanham a jornada oncológica. Na UBS Palmeiras, identificamos a necessidade de criar um espaço psicoterapêutico focado no acolhimento e na construção de narrativas que transformem dor em superação. Inspirados em histórias de pacientes que encontraram força para enfrentar o tratamento e realizar conquistas pessoais, buscamos promover intervenções que ressignifiquem o sofrimento e fortaleçam os recursos internos dos participantes. Esse projeto, composto por dois psicólogos, destaca a relevância da psicoterapia como uma ferramenta essencial para enfrentar os desafios impostos pelo diagnóstico e para construir uma travessia mais leve e esperançosa.
A partir da proposta, buscou-se eleger ferramentas que possibilitassem o fortalecimento dos recursos emocionais de cada participante, considerando sua história de vida e sua constituição subjetiva, dentre os quais podemos destacar: 1. Oferecer acolhimento psicoterapêutico para ajudar pacientes oncológicos a processarem as emoções associadas ao diagnóstico e ao tratamento. 2. Criar um espaço terapêutico seguro para a expressão de sentimentos, fortalecendo a autoestima e a esperança. 3. Promover a ressignificação do sofrimento, incentivando a autonomia e o protagonismo dos pacientes em suas trajetórias. 4. Estimular a construção de vínculos interpessoais, favorecendo o apoio mútuo e a troca de experiências significativas.
Desde Fevereiro de 2024, organizamos encontros quinzenais na UBS Palmeiras com pacientes oncológicos, seus familiares e amigos, fundamentado na Psicologia da Saúde. As sessões são pautadas em: 1. Acolhimento: Espaço para que os participantes compartilhem suas emoções e experiências em um ambiente terapêutico de confiança. 2. Ressignificação do Sofrimento: Visualizações positivas e intervenções reflexivas, ajudando os pacientes a construir novas perspectivas sobre seus desafios. 3. Incentivo à Esperança: Relatos de conquistas pessoais dos participantes, como forma de motivação coletiva e fortalecimento emocional. As intervenções psicoterapêuticas buscam construir um espaço de escuta ativa e troca, promovendo mudanças significativas nas formas de enfrentamento da doença e da vida.
A boa adesão à proposta, evidenciada pela transformação do espaço em um ponto de encontro e apoio, corrobora a importância do suporte psicossocial no enfrentamento do adoecimento. As alterações emocionais decorrentes do diagnóstico podem tanto impulsionar a busca por estratégias de enfrentamento quanto gerar resistência e negação. Os encontros psicoterapêuticos proporcionaram resultados significativos, tanto na esfera emocional quanto comportamental dos participantes. Fortalecimento emocional: A maior clareza emocional e a aquisição de novas habilidades para lidar com o impacto do diagnóstico, demonstram o papel da psicoterapia no desenvolvimento de recursos internos para o enfrentamento. Histórias de superação: Os relatos de experiências como a gestação durante o tratamento e a conquista da CNH, e a superação de desafios nunca imaginados antes do diagnóstico; além de inspirarem o grupo, evidenciam a resiliência e a capacidade de adaptação dos indivíduos diante das adversidades. Apoio mútuo: A troca de vivências e sentimentos fomentou a sensação de pertencimento e contribuiu para a redução do isolamento social, demonstrando o poder da rede de apoio no processo de adoecimento. Efeitos terapêuticos: O aumento da autoconfiança, a melhora na qualidade de vida e a adesão ao tratamento indicam o impacto positivo da saúde mental na trajetória oncológica.
O projeto “Travessia de Esperança” demonstra a potência da psicoterapia como instrumento de cuidado na Atenção Básica, especialmente para pacientes oncológicos. O acolhimento psicológico contribui para que os participantes enfrentem os desafios da doença com mais leveza, ressignificando suas vivências e promovendo bem-estar emocional. As histórias de superação e resiliência dos pacientes, como a gestação durante o tratamento e a conquista da CNH, inspiram não apenas os demais participantes, mas também os próprios autores do projeto, que se sentem profundamente tocados pela força e determinação demonstradas. A criação de um espaço seguro para a troca de experiências e sentimentos fortalece os vínculos sociais e promove a sensação de pertencimento, o que é fundamental para o enfrentamento do câncer. Ao proporcionar ferramentas para lidar com as emoções e os desafios da doença, a psicoterapia contribui para uma melhor qualidade de vida e para a adesão ao tratamento. A replicação dessa experiência em outras unidades pode fortalecer o papel da psicoterapia como pilar do cuidado em saúde pública, ampliando seu impacto e auxiliando mais pessoas a atravessarem momentos difíceis com coragem e esperança.
Psicoterapêutico, Oncológicos, Acolhimento
CLÉBER PEREIRA DA SILVA, CAMILE LARISSA FERREIRA