Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
As regiões de Cachoeirinha, Casa Verde, Limão, Freguesia do Ó e Brasilândia, do município de São Paulo, possuem 36 Unidades Básicas de Saúde (UBS), das quais 24 são cobertas pela Estratégia Saúde da Família (ESF), totalizando 135 equipes. A maioria dos profissionais médicos que trabalham nessas equipes são generalistas e não têm especialização em Medicina de Família e Comunidade (MFC), que contempla a inserção de contraceptivos de longa duração em seu Currículo Baseado em Competências. Além disso, apesar de diversas iniciativas, a rotatividade desses profissionais na Atenção Primária à Saúde (APS) continua sendo um desafio importante para a consolidação de processos de trabalho. O sucesso na realização desses procedimentos, mais especificamente do Dispositivo Intrauterino (DIU), depende de vários fatores, como uma boa indicação do método, habilidade prévia para a realização do exame ginecológico, disponibilidade do insumo, conhecimento das possíveis complicações, entre outros. Sabe-se que o DIU é um método contraceptivo altamente eficaz, com amplos benefícios para pessoas na faixa etária reprodutiva e baixo perfil de contraindicações ou complicações. A ampliação de sua oferta na Atenção Primária à Saúde (APS) certamente contribui para a garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, especialmente em regiões vulneráveis. Dessa forma, a equipe de Educação Permanente das referidas regiões desenvolveu um plano de capacitação para médicos generalistas da ESF a partir de 2020.
Ampliar a oferta da inserção e retirada do Dispositivo Intrauterino na APS na região Norte do município de São Paulo por meio do treinamento de médicos generalistas da Estratégia Saúde da Família.
A equipe de Educação Permanente da regional Norte da Associação Saúde da Família, em parceria com o município de São Paulo (SP), é composta atualmente por cinco médicos e médicas de família e comunidade, com crescimento progressivo desde 2020, além de uma ginecologista até 2023. Os ciclos de treinamento para a inserção de DIU, além de outros métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs), são realizados a partir do levantamento dos profissionais com essa necessidade de aprendizado, e sua priorização é feita com base nos indicadores de cada território adscrito, garantindo, em consonância com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), pelo menos um médico apto para sua realização em cada UBS. O treinamento é composto por um módulo teórico e módulos de prática realizados in loco, em cada UBS, sob supervisão de um médico de família e comunidade ou ginecologista, que avalia a habilidade do aprendiz em cada inserção ou retirada. Uma vez habilitado, a partir da percepção e avaliação do supervisor, após uma média de dez inserções, o profissional é liberado para executar o procedimento de forma autônoma, inserindo-se nos fluxos de sua UBS. A técnica de inserção e retirada, bem como a preparação, dispensação e coleta de termos de consentimento, seguem os fluxos padronizados pela SMS, pelo Ministério da Saúde e pelas evidências científicas mais atualizadas.
Houve um aumento de 60% nas inserções de DIU, de 513 (2022) para 825 (2023). Nesse período, houve aumento de inserções em 77% (17) das UBS. Até julho de 2024, havia 52 profissionais capacitados para a inserção e retirada de DIU, respeitando a média mínima de 1 por unidade.
Há consenso na cultura institucional de que este é um procedimento pertinente à ESF. As barreiras encontradas no processo de treinamento para a inserção de DIU foram: ausência de registro em prontuário sobre a oferta do DIU; disponibilidade de DIU e material esterilizado para inserção em tempo oportuno; dificuldades dos profissionais para realizar o exame físico ginecológico e alta rotatividade dos profissionais treinados. O papel exercido pelos especialistas foi semelhante ao da preceptoria no meio acadêmico, mas no formato de Educação Permanente. O aumento absoluto da realização do procedimento, bem como de profissionais treinados, demonstra a importância deste projeto. Para o futuro, sugere-se avaliar a efetividade das horas dispensadas para o treinamento, os indicadores de sustentabilidade do projeto, além de uma análise de impacto mais profunda sobre o planejamento sexual e reprodutivo da população assistida.
educação permanente; estratégia saúde da família
HENRIQUE TERUO ARAI, MARINA ALVES MARTINS SIQUEIRA, GUILHERME ANTONIACOMI PEREIRA, HELOANA APARECIDA JACINTO MARINHO, MARCIA ANITA MENINO