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A publicação “Mental Health and COVID-19: Early evidence of the pandemic’s impact: Scientific brief, 2 March 2022” (OMS,2022), evidência o aumento global na prevalência de ansiedade e estresse, reflexos diretos do prolongado período de isolamento social. O Banho de Floresta, é uma prática desenvolvida no Japão que utiliza a natureza como ferramenta de promoção à saúde,e, é reconhecida no Brasil pelo termo de referência da FIOCruz. Como resposta aos impactos da Pandemia as Unidades Básicas de Saúde Bom Retiro, Boracea e Santa Cecília, localizadas na Região Central da Cidade de São Paulo, por meio do Programa Ambientes Verdes e Saudáveis (PAVS), adaptou a ação para uma realidade local criando a Trilha Sensorial. Projeto que teve sua primeira edição em 06/2022, e é uma estratégia de alto impacto positivo e baixo investimento, que busca aproveitar as áreas verdes da região para oferecer experiências sensoriais enriquecedoras, por meio de diferentes estímulos sensoriais. Os participantes são convidados a conectar-se com a natureza de forma mais profunda e consciente, promovendo uma sensação de calma, relaxamento e conexão com o ambiente ao seu redor. Além disso, essa experiência proporciona um momento de pausa e reflexão em meio à correria do cotidiano, contribuindo para o alívio do estresse e a melhoria da saúde mental e emocional.
A trilha sensorial tem como objetivo contribuir com a melhoria da qualidade de vida da população, especialmente os idosos, principal grupo etário prejudicado, por meio de uma abordagem holística e integrada ao cuidado. Busca-se não apenas promover a saúde física, mas também fortalecer os aspectos emocionais e sociais dos participantes. Para isso, foram desenvolvidas estratégias que favorecessem a integralidade do cuidado, considerando as diversas formas de cuidado oferecidas pela Atenção Básica em Saúde . Ao promover a interação entre os diferentes atores envolvidos – usuários, profissionais de saúde, gestores públicos, voluntários e membros da comunidade – a atividade busca fortalecer os laços sociais e comunitários, reduzir o isolamento , e promover um senso de pertencimento e inclusão. Dessa forma, contribui não apenas para a melhoria da qualidade de vida dos participantes, mas também para o fortalecimento do tecido social.
Inspirada na prática japonesa Banho de Floresta, a Trilha Sensorial foi idealizada através de uma visita técnica ao Parque Jardim da Luz para reconhecer e mapear pontos de interesse para fomentar experiências sensoriais. Em grupos de até 15 pessoas, em cada parada apreciativa, proporcionou-se uma atividade sensitiva guiada pela equipe PAVS: Visão: fechar os olhos e observar além da visão, estimulando percepções como temperatura, textura do solo e contato com o vento; ao abrir os olhos, observar o entorno com suas formas e cores. Tato: tocar o tronco, galhos e folhas das árvores; a terra, areia, entre outros. Audição e olfato: ouvir e sentir os diferentes ruídos e odores urbanos e naturais. Após a imersão, os participantes são convidados a compartilhar sensações, memórias afetivas, trocar conhecimentos e refletir sobre a relação entre saúde, natureza e bem-estar. Para ampliar seu alcance, essa prática foi incorporada ao Projeto Ambientes Verdes e Saudáveis no Sistema Único de Saúde – Passus (projeto integrado entre as UBS da STS Santa Cecília, realizado no Parque Jardim da Luz, nas últimas quartas-feiras do mês), ou em ações extraordinárias conforme demanda das equipes de saúde. Todas as atividades foram previamente divulgadas pelas equipes através de Visitas Domiciliares, Atividades Coletivas, Canais Eletrônicos e reuniões de Conselho Gestor.
Ao longo do período em questão, foram realizadas 14 atividades, englobando aproximadamente 334 usuários. Durante esse intervalo, notou-se o fortalecimento dos laços entre os usuários, os profissionais de saúde e o Parque Jardim da Luz, a participação ativa e contínua dos idosos nas atividades educativas em saúde. As ações interdisciplinares e colaborativas, resultaram no estabelecimento de uma relação de proximidade e confiança entre os participantes e o ambiente natural do parque, áreas pouco ou nunca exploradas pelos idosos. Essa abordagem visa não apenas proporcionar momentos de lazer e recreação, mas também criar oportunidades para atividades terapêuticas e educativas que promovam o autocuidado e a promoção da saúde. Além disso, a iniciativa visa integrar as Unidades Básicas de Saúde Bom Retiro, Boracea e Santa Cecília, unindo esforços e recursos para oferecer uma assistência mais abrangente e eficaz à comunidade. Por meio dessa parceria, será possível compartilhar conhecimentos e experiências, identificar e resolver desafios comuns, e garantir um atendimento descentralizado e integrado.
A execução das atividades propostas pela trilha sensorial demonstrou ser essencial para ampliar a visão da equipe de Saúde em relação às iniciativas de promoção à saúde, destacando a importância de integrar os aspectos ambientais, biológicos e humanos, ou seja, incorporar a abordagem da Saúde Única nas práticas coletivas da AB. Outros benefícios observados, como a significativa adesão da população e as avaliações positivas, enfatizaram a importância de expandir essa prática para outras áreas. Isso implica em duas frentes: (i) ampliar a implementação das atividades para outras áreas verdes dentro do território das Unidades Básicas de Saúde, visando alcançar uma audiência ainda mais diversificada; e (ii) introduzir experiências olfativas utilizando óleos essenciais naturais, oferecendo uma dimensão sensorial enriquecedora que pode maximizar os benefícios para a saúde mental da comunidade. A equipe reconheceu a necessidade de repensar estratégias para fortalecer a interdisciplinaridade e a interseccionalidade entre a saúde e o meio ambiente. Isso representa mais do que uma simples iniciativa na atenção básica; trata-se de uma oportunidade de romper com os paradigmas tradicionais centrados no hospital e na doença.
trilha sensorial, saúde ambiental
Lucas Santos