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O Programa Nacional de Controle da Tuberculose tem como meta, até 2035, reduzir a incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e diminuir os óbitos. Um dos indicadores utilizados para avaliar as ações de controle da tuberculose é o percentual de cura dos novos casos, a meta recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é identificar 70% e curar, pelo menos, 85% dos casos. Nesse cenário, em 2023, Mauá implantou estratégia coordenada pela Vigilância em Saúde, junto a Atenção Primária à Saúde (APS) e Atenção Especializada (AE), fortalecendo o cuidado e a articulação em rede. Participaram equipes da Vigilância Epidemiológica, das Unidades de Saúde, equipe multiprofissional e gestores municipais. A iniciativa beneficiou diretamente pessoas em tratamento de TB e seus comunicantes domiciliares, qualificando fluxos assistenciais e ampliando o diagnóstico oportuno na rede. Ao elevar a taxa de cura e diminuir a transmissão, a experiência fortalece o envelhecimento saudável, evidenciando que longevidade com qualidade depende do controle das doenças. A transmissão intradomiciliar aumenta a vulnerabilidade do idoso e o risco de desfechos graves. A taxa de incidência nos idosos (por 100 mil hab.) foi 15,02 em 2024 e 15,15 em 2025, equivalente a 20 casos por ano. A TB repercute no processo de envelhecimento, contribuindo para perda funcional, descompensação de comorbidades e fragilidade precoce, especialmente quando o diagnóstico e o tratamento ocorrem de forma tardia.
Integrar as equipes de Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária à Saúde e Atenção Especializada, para melhorar o diagnóstico oportuno, adesão terapêutica e cuidado longitudinal, contribuindo para a prevenção da fragilidade precoce e para a construção de uma longevidade digna e com equidade no SUS municipal. Qualificar as equipes municipais para o enfrentamento da tuberculose, fortalecendo o acompanhamento dos casos e a integração da rede de atenção. Ampliar a taxa de cura, reduzir o abandono e intensificar o rastreamento de comunicantes, assegurando diagnóstico oportuno e adesão ao tratamento. Embora direcionada a todos os públicos, a estratégia impactou positivamente a saúde da pessoa idosa, grupo mais vulnerável ao diagnóstico tardio, à transmissão intradomiciliar e a desfechos graves, contribuindo para o envelhecimento saudável.
Trata-se de relato de experiência interventiva iniciada em março de 2023, conduzida pela Vigilância em Saúde com integração à APS e à AE, através do ambulatório de tisiologia (CEMMA). Foi implantada ferramenta padronizada de monitoramento mensal dos casos, com consolidação dos dados em planilha única e envio sistemático às unidades de saúde para acompanhamento compartilhado. A cada mês, os indicadores eram analisados pela equipe técnica, sendo emitidas notificações de não conformidades às unidades quando identificadas falhas no acompanhamento, ausência de TDO, atraso em consultas, exames pendentes ou inconsistências nos registros. Essa devolutiva estruturada de forma intensificada, fortaleceu a corresponsabilização das equipes e a tomada de decisão oportuna. Foram realizadas supervisões programadas nas unidades básicas de saúde, reuniões de grupo técnico periódicas e capacitações contínuas. O rastreamento de comunicantes domiciliares foi intensificado, com atenção prioritária aos idosos conviventes. Implementou-se o Tratamento Diretamente Observado, inclusive em modalidade virtual. Participaram profissionais da Vigilância Epidemiológica, equipes da APS-Unidades Básica de Saúde, enfermeiros, médicos, agentes comunitários e equipe especializada, consolidando uma estratégia integrada, territorializada e centrada na proteção dos pacientes em tratamento refletindo no cuidado da pessoa idosa.
Como resultado das ações integradas, em 2025 o município de Mauá alcançou proporção de cura de 84,1% nos casos novos de tuberculose pulmonar, sendo reconhecido nacionalmente pelo Ministério da Saúde pelo desempenho alcançado. Observou-se melhora expressiva no acompanhamento sistemático dos casos, redução do abandono de tratamento, ampliação do Tratamento Diretamente Observado e maior rastreamento de comunicantes, especialmente idosos expostos no ambiente domiciliar. A ferramenta mensal de monitoramento, associada ao envio de pasta consolidada e às notificações de não conformidades, fortaleceu a cultura de análise crítica dos dados e correção oportuna de falhas assistenciais. Houve maior engajamento das equipes, fortalecimento da integração entre Vigilância e Atenção Básica e qualificação do cuidado às pessoas com comorbidades. A experiência demonstrou que a organização do processo de trabalho, aliada à governança dos indicadores e à atuação territorial, é determinante para interromper a cadeia de transmissão e proteger a população idosa, contribuindo para o envelhecimento saudável no SUS.
Considerações finais A experiência demonstra que o enfrentamento qualificado da tuberculose é estratégia central para promoção do envelhecer saudável no SUS. Ao interromper a cadeia de transmissão, especialmente no ambiente familiar, protege-se a pessoa idosa e previnem-se desfechos graves associados à fragilidade e às comorbidades. Reconhecendo a tuberculose como doença socialmente determinada, fortemente associada à vulnerabilidade, pobreza e condições precárias de moradia, as ações estruturadas priorizaram territórios e populações mais expostas, reafirmando o compromisso com a equidade. A integração entre Vigilância, Atenção Primária à Saúde e Atenção Especializada mostrou-se fundamental para garantir diagnóstico oportuno, adesão terapêutica e cuidado longitudinal. A incorporação do TDO virtual e do monitoramento sistemático ampliou a capacidade de resposta municipal. Mais do que elevar indicadores, a experiência fortaleceu a cultura de cuidado integral e corresponsabilidade na rede. Ao enfrentar a tuberculose com organização e equidade, o município reafirma o papel do SUS na proteção dos mais vulneráveis e na construção de uma longevidade digna, saudável e socialmente justa.
Tuberculose, longevidade, envelhecer,
KELLY CRISTINA DEL RÉ, LUCIMARA FRANCISCA DE CARVALHO BITENCOURT, FABIANA MARINHO DE MACEDO VIEIRA, MARIANA ALVES MATIAZZI