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O envelhecimento populacional constitui fenômeno demográfico crescente que impõe desafios à organização dos serviços de saúde, exigindo práticas que garantam cuidado integral, longitudinal e humanizado, conforme os princípios do Sistema Único de Saúde. No município de Santo André-SP, a implantação da estratégia “UBS Amiga do Idoso” foi orientada pela análise territorial, priorizando uma das unidades do município com maior proporção de população idosa adscrita, evidenciando necessidade ampliada de qualificação das práticas assistenciais. A experiência teve início em janeiro de 2024 e aquisição formal do selo se deu em 17 de abril de 2025. A unidade também se destaca por ser campo de formação da Residência Multiprofissional em Saúde do Idoso da Faculdade de Medicina do ABC, cuja atuação foi estratégica na estruturação das ações. A adesão formal ao programa estadual ocorreu em evento institucional com participação do Coren-SP e alinhamento às diretrizes da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, reforçando o compromisso técnico e organizacional com a qualificação da atenção à pessoa idosa, sendo a primeira UBS do Estado de São Paulo a receber tal certificação. A experiência surgiu da necessidade de organizar processos capazes de responder às demandas clínicas, funcionais e psicossociais desse público, fortalecendo a Atenção Primária como coordenadora do cuidado.
•Qualificar o cuidado ofertado à população idosa na Atenção Primária; •Adequar fluxos assistenciais às necessidades de território com alta prevalência de idosos; •Promover abordagem integral, multiprofissional e centrada na pessoa; •Fortalecer autonomia, prevenção de agravos e envelhecimento saudável; •Integrar ensino-serviço como estratégia de inovação assistencial; •Consolidar a unidade como referência territorial em atenção à pessoa idosa.
A experiência foi desenvolvida por meio de processo estruturado de transformação organizacional e assistencial. Inicialmente realizou-se diagnóstico territorial e análise dos fluxos de atendimento. Em seguida, foram promovidas oficinas formativas periódicas envolvendo todos os trabalhadores da unidade, com o objetivo de alinhar conceitos, práticas e linguagem comum sobre atenção à pessoa idosa. Os residentes multiprofissionais atuaram como apoiadores técnicos na elaboração de protocolos, instrumentos de avaliação multidimensional e reorganização dos processos de trabalho. Paralelamente, foram realizadas adequações estruturais e de ambiência visando acessibilidade, acolhimento qualificado e segurança do usuário. A atualização dos cadastros da população idosa contou com participação ativa do Conselho Local de Saúde, fortalecendo a integração entre equipe, território e controle social. A partir da adesão ao programa estadual, intensificou-se o uso sistemático da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa, instrumento oficial do Ministério da Saúde que reúne informações clínicas, funcionais e sociais e orienta o planejamento longitudinal do cuidado. As ações foram incorporadas gradativamente à rotina da unidade, garantindo sustentabilidade e consolidação das mudanças.
Observou-se qualificação dos processos assistenciais, maior integração entre profissionais e fortalecimento do trabalho multiprofissional. As oficinas contribuíram para uniformização de condutas e maior segurança técnica das equipes. Houve ampliação do vínculo entre equipe e usuários idosos, aumento da adesão às consultas e melhor identificação de vulnerabilidades clínicas e sociais. A participação do Conselho Local de Saúde favoreceu atualização cadastral mais fidedigna e planejamento de ações territoriais mais precisas. A intensificação do uso da caderneta fortaleceu a continuidade do cuidado e a organização das informações clínicas, permitindo monitoramento mais eficaz das condições de saúde e elaboração de planos terapêuticos individualizados. A atuação da residência multiprofissional mostrou-se determinante para a consolidação das práticas, apoiando monitoramento de indicadores e qualificação dos fluxos assistenciais. A adesão institucional ao programa estadual reforçou a legitimidade da iniciativa e consolidou a unidade como referência local em atenção qualificada ao envelhecimento.
A experiência demonstra que a qualificação da atenção à pessoa idosa na Atenção Primária depende da articulação entre análise territorial, educação permanente, reorganização do processo de trabalho, participação social e integração ensino-serviço. A estratégia possibilitou transformação concreta das práticas assistenciais, fortalecimento da cultura institucional e ampliação da resolutividade do cuidado. Destaca-se o papel estruturante da formação em serviço e da atuação multiprofissional como indutores de mudança. Trata-se de iniciativa sustentável, replicável e alinhada às necessidades demográficas contemporâneas, contribuindo para a construção de serviços mais responsivos ao envelhecimento populacional e comprometidos com a integralidade do cuidado.
Saúde da Pessoa idosa, Envelhecimento saudável.
DANUBIA LOPES BRANCO, ANA PAULA MOINO JANOTI, DANYELA CASADEI DONATELLI, ERICA HIROMI NAKATA, MARCIO RENEI SILVA SANTOS