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A febre amarela é uma doença viral aguda transmitida por mosquitos infectados, sem transmissão direta entre pessoas, com circulação predominante em áreas de mata. Os primatas não humanos (PNH) são altamente sensíveis ao vírus e atuaram como sentinelas ecológicas, sendo vítimas da doença e indicadores precoces de circulação viral. Por se tratar de agravo de notificação compulsória imediata, casos suspeitos em humanos ou óbitos de PNH deveriam ser comunicados às autoridades sanitárias em até 24 horas. No município de Guarulhos, a confirmação recente de febre amarela em PNH demandou a adoção de medidas preventivas, incluindo a intensificação da vacinação por quatro semanas, conforme recomendação da UVIS Ambiental de Guaianases. Nesse contexto, o projeto desenvolvido pelo Programa Ambientes Verdes e Saudaveis (PAVS) em parceria com o Nucleo de Viligilancia (NUVIS-AB) visou fortalecer a vigilância epidemiológica e Ambiental, ampliar a cobertura vacinal e promover a sensibilização da população sobre a importância da prevenção e da preservação da fauna silvestre. As ações foram implementadas nas equipes 01 e 04, áreas com extensa cobertura vegetal e presença de primatas, onde práticas inadequadas, como a alimentação dos animais, elevaram o risco de exposição. O projeto teve duração de seis meses e esteve alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 12 e 15.
Orientar a população adscrita sobre os riscos e benefícios associados à presença de macacos na região, além de fornecer diretrizes adequadas para o manejo responsável da espécie.
Foram realizadas visitas domiciliares com a equipe Multiprofissional, Agente Comunitário de Saúde (ACS), visitas ambientais com Agente de Promoção Ambiental (APA), utilizando uma filipeta para monitoramento das visitas. Realizamos a capacitação dos profissionais da UBS e orientações nas escolas para ampliar o conhecimento da temática, alinhamos campanhas de vacinação em todo território de abrangência da Unidade Básica. Ao longo do período de execução do projeto, foram realizadas 139 visitas domiciliares pela APA, nas quais 142 pessoas receberam orientações sobre prevenção e vigilância em saúde. As Agentes Comunitárias de Saúde (ACS) efetuaram 276 visitas, orientando aproximadamente 300 pessoas. No âmbito educacional, duas escolas foram contempladas, alcançando 462 crianças com ações de orientação e conscientização. As atividades coletivas incluíram a participação de 8 integrantes do Conselho Gestor e 35 pessoas em Reunião Geral, fortalecendo o diálogo comunitário e a disseminação de informações qualificadas. Foram realizadas quatro capacitações voltadas às equipes envolvidas no projeto, contribuindo para o aprimoramento técnico e a integração das ações.
No que se refere à vigilância epidemiológica, sete casos foram discutidos em reuniões da NUVIS. Observou-se que, na Microárea 19, não houve novos registros de mamíferos; na Microárea 01, verificou-se redução no número de registros; e na Microárea 27, a presença de mamíferos ainda foi identificada, indicando a necessidade de manutenção das ações de monitoramento. Além disso, foram realizadas quatro campanhas de vacinação contra a febre amarela. No período de janeiro a agosto de 2024, registrou-se a aplicação de 635 doses em 2024 e 631 doses em 2025, demonstrando a continuidade e a adesão da população às ações de imunização, durante os meses do projeto Março a Agosto 2025 – Foram aplicadas 459 doses da vacina.
O projeto cumprindo 100% das metas propostas. Foram realizadas visitas domiciliares pelos ACS e APA, sensibilização em escolas, capacitações de colaboradores, discussões em reuniões NUVIS e abordagens em diferentes espaços coletivos. Além disso, a divulgação da temática contribuiu para ampliar o conhecimento da comunidade e reforçar a importância da prevenção da febre amarela. Entre as dificuldades enfrentadas, destacou-se a resistência inicial de alguns munícipes, que demonstraram curiosidade em manter contato com os animais, o que dificultou a sensibilização. No entanto, ao longo do processo, observou-se maior aceitação do tema, com engajamento crescente da população e apoio de lideranças locais. O envolvimento da equipe, a realização das capacitações e a articulação com parceiros foram fundamentais para garantir o êxito das ações, mesmo em cenários desafiadores. O projeto será uma prática incorporada da unidade onde, contribuiu não apenas para a prevenção da febre amarela, mas também para o fortalecimento da política socioambiental no território, criando bases para futuras iniciativas de vigilância, educação em saúde e promoção do cuidado coletivo.
Animais silvestres - Febre amarela - Vacinação
TATIANE DOS SANTOS BIBIANO LEAL, ROBERTA LIBONATTI, CAROLINA SIMÃO PASCOAL, VANESSA ALVES RODRIGUES