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Segundo o Plano Municipal de saúde de 2023/2024, para evitar e reduzir a transmissão e incidência das arboviroses urbanas e seu impacto na saúde da população, sobretudo prevenindo as formas graves e os óbitos, estabelece os seguintes objetivos e metas: Manter a letalidade por dengue dentro da meta da OMS; detectar precocemente situações de risco e a ocorrência de casos suspeitos de dengue de modo a garantir ações de prevenção e controle de novos casos. Tradicionalmente, nos períodos chuvosos e de altas temperaturas, o número de casos de dengue, tendem a aumentar exponencialmente. Dados da Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA), 2024 mostram incidência dos casos da dengue com aumentos progressivos, onde na sexta semana epidemiológica de 28 de janeiro a 05 de fevereiro, já se somavam 5957 casos confirmados e comparado com o mesmo período do ano anterior e com o ano de 2015. Ainda durante todo ano de 2024 tivemos 623437 casos positivos com 475 óbitos, indicando o pior cenário epidemiológico. Com o cenário atual e apoio do Programa Ambiente Verdes e Saudáveis (PAVS) da Secretária Municipal de Saúde de São Paulo (SMS), foi desenvolvido um projeto para mitigar os impactos das arboviroses no território da Unidade Básica de Saúde Jardim São Pedro, Itaquera.
Mitigar a incidência do número de casos da dengue, chikungunya e zika vírus no território, aliando a importância da notificação e mapeamento da área em uma UBS EAB.
O projeto foi desenvolvido a partir de uma mobilização social para mapeamento dos criadouros no território, onde foram envolvidos todos os serviços de apoio e a população do território. Foram realizadas reuniões com o núcleo de vigilância local mensalmente, como também reunião com conselho gestor, sobre os pontos de risco a proliferação de arboviroses dentro do território. Desenvolvemos um QR code com um formes de endereços, que foi exposto em áreas visíveis na unidade básica de saúde, comércios locais, escolas e pontos de maiores movimentações de pessoas, dentro do território, para que os usuários acessem e indiquem os endereços dos potenciais criadouros, para que assim seja realizado um mapeamento online. Dividimos o território em 4 quadrantes, onde responsabilizamos membros para monitorar, mapear e organizar as ações por cada quadrante. Com os dados georreferenciados, realizamos educação em saúde dentro do território, voltado ao combate à dengue, onde os casos críticos ou de difícil acesso, foram mapeados e encaminhados para vigilância, e os de possíveis acesso foram realizadas ações de eliminação de criadouros pela equipe da UBS; trabalhamos também o pertencimento do usuário quanto ao seu território e a UBS, tornando-o um vigilante e participando em toda construção do projeto.
Foram 15 criadouros mapeados pela população, onde 12 foram destruídos pela equipe da unidade de saúde, tendo 80% de efetividade; Participação popular ativa no mapeamento do território; Realizado a inserção e manutenção das reuniões do núcleo de vigilância local, sendo realizado 100% das reuniões no período planejado; Inserção do tema em 5 das 7 reuniões mensais do conselho gestor, realizada na unidade no período planejado, totalizando 71% das reuniões, contemplada com o tema; Instituído rotinas de ações em sala de espera da unidade, onde foram realizadas 10 ações voltada a temática.
Com o cenário epidemiológico de 2024, foi possível a realização do projeto parcialmente, pois tivemos a maior epidemia de dengue da história, sendo um dificultador para mapeamento dos criadouros e os esforços da equipe estavam concentrados na assistência ao paciente. O projeto nos levou a alguns questionamentos sobre o conceito da dengue e sua sazonalidade, sendo que já tínhamos casos em dezembro de 2023 até o momento. Com o projeto, atingimos um grande feito e está dentro das diretrizes do SUS, como a participação popular no processo de intervenção dentro do território. Durante todo projeto foi notória a importância da construção de um projeto com a participação de todas as redes de apoio, como também uma equipe engajada e o apoio popular. Percebemos também o quanto as arboviroses estão diretamente interligadas ao fator mudanças climáticas e que cenários como o de 2024, podem se tornar mais recorrentes, e que as ações de prevenções da unidade, juntamente com apoio populacional, precisam ser intensificadas e virar práticas recorrentes, não apenas em períodos sazonais.
enfrentamento, arboviroses, tecnologia, popular
JONATHAN DE PAULA DO NASCIMENTO, LIGIA MOURA DE SOUZA, NÁDIA APARECIDA F. DE JESUS CARVALHO, LARISSA SILVA SANTOS