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O envelhecimento populacional impõe desafios crescentes ao Sistema Único de Saúde, especialmente em territórios com vulnerabilidade social, onde pessoas idosas apresentam maior risco de fragilidade, multimorbidades e isolamento social. Nesse contexto, torna-se fundamental a adoção de estratégias que ampliem o cuidado integral, promova autonomia e reduzam iniquidades no acesso aos serviços de saúde. A Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa (AMPI) é uma ferramenta essencial para identificar riscos clínicos, funcionais, cognitivos e sociais, porém sua aplicação, muitas vezes, limita-se ao ambiente da unidade de saúde, reduzindo o alcance e a adesão dos usuários. Diante desse cenário, a UBS identificou a necessidade de fortalecer o cuidado à pessoa idosa por meio da articulação com equipamentos do território, destacando-se o Núcleo de Convivência do Idoso (NCI), espaço já consolidado de socialização e promoção do envelhecimento ativo. A parceria UBS–NCI surge como estratégia para ampliar o acesso à avaliação, qualificar o cuidado e promover um envelhecer digno, ativo e com equidade, alinhado aos princípios do SUS.
Objetivo Geral: Promover o cuidado integral à pessoa idosa por meio da articulação entre a UBS e o Núcleo de Convivência do Idoso, utilizando a AMPI como ferramenta central para o planejamento de ações voltadas à longevidade com equidade. Objetivos Específicos: •Ampliar a aplicação da AMPI no território; •Identificar precocemente fragilidade e riscos à saúde da pessoa idosa; •Fortalecer o vínculo entre idosos, UBS e NCI; •Integrar ações de promoção, prevenção e cuidado à saúde; •Qualificar o planejamento do cuidado com base nas necessidades identificadas.
A experiência foi desenvolvida a partir da construção de uma parceria entre a UBS e o Núcleo de Convivência do Idoso, com planejamento conjunto das ações. Inicialmente, foi realizado o alinhamento entre as equipes quanto aos objetivos, fluxos e utilização da AMPI como instrumento norteador do cuidado. As ações incluíram a realização da Avaliação Multidimensional da Pessoa Idosa em atividades desenvolvidas no NCI e na UBS, possibilitando maior acesso e adesão dos usuários. A partir da estratificação de risco, foram elaborados planos de cuidado individualizados, considerando aspectos clínicos, funcionais, emocionais e sociais. Também foram realizadas ações educativas, orientações sobre autocuidado, estímulo à funcionalidade, prevenção de quedas e incentivo à participação em atividades coletivas. A articulação com a rede e com outros equipamentos do território garantiu encaminhamentos adequados e continuidade do cuidado. O monitoramento das ações ocorreu de forma contínua, com discussão de casos e reavaliação periódica dos idosos acompanhados.
A parceria UBS–NCI possibilitou a ampliação significativa da aplicação da AMPI no território, alcançando idosos que anteriormente apresentavam baixa adesão às ações realizadas exclusivamente na unidade de saúde, tendo resultados expressivos no aumento das avaliações onde em 2024 tivemos 235 avaliações e durante 2025 conseguimos atender 609 idosos, compreendendo 62% dos idosos cadastrados A avaliação nos permitiu a identificação precoce de fragilidade, riscos funcionais e vulnerabilidade social, qualificando as intervenções propostas. Observou-se fortalecimento do vínculo entre os idosos e a equipe de saúde, maior participação nas ações coletivas e melhor integração entre os serviços de saúde e convivência. A utilização da AMPI como eixo organizador do cuidado contribuiu para intervenções mais assertivas, centradas na pessoa idosa e alinhadas às suas necessidades reais. A experiência favoreceu a promoção do envelhecimento ativo, a ampliação do acesso aos serviços e a redução de iniquidades, reforçando o papel do território como espaço estratégico para o cuidado integral.
A experiência demonstra que a articulação entre a UBS e o Núcleo de Convivência do Idoso é uma estratégia potente para enfrentar os desafios do envelhecimento no SUS. O uso ampliado da AMPI no território fortaleceu o cuidado integral, aproximou os serviços de saúde do cotidiano dos idosos e promoveu ações mais equitativas e resolutivas. A iniciativa reforça a importância da intersetorialidade e do trabalho em rede para garantir um envelhecer digno, ativo e com qualidade de vida. Trata-se de uma experiência exitosa, passível de replicação em outros territórios, contribuindo para a consolidação dos princípios do SUS e para a construção de estratégias sustentáveis de cuidado à pessoa idosa.
envelhecer com equidade
ELAYNE APARECIDA SANTOS DE JEUS, BIANCA GRANJA DE SOUSA, CHISLENE SOUZA DE ALMEIDA