Siga a gente
Av. Angélica, 2466 - 17º Andar
Consolação - São Paulo / SP
CEP 01228-200
55 11 3083-7225
cosemssp@cosemssp.org.br
Guaratinguetá é um município de 122.500 habitantes, localizado na região de saúde Circuito da fé e vale histórico com 17 municípios, macrorregião de Taubaté, que como qualquer outro, sofre com a falta de profissionais médicos especializados, principalmente na área da saúde mental, que nos últimos anos vem aumentando e pressionando a porta das unidades de saúde que por mais que se esforcem não conseguem dar respostas ao montante da demanda. Considerando tal falta de profissionais e o aumento da demanda para atendimento em saúde mental, oriundos do período pós Pandemia da COVID 19, que implicou em uma série de mudança nos hábitos, rotinas e modo de viver das pessoas, e de modo agudo aos usuários e trabalhadores dos serviços de saúde, com as pessoas tendo que ressignificar sua vida quer seja por conta do isolamento social, das perdas de entes queridos, perdas econômicas etc. agravando com a rede assistencial, em sofrimento no enfrentamento do desconhecido, volume de necessidades instaladas, por adoecimento da população como um todo, inclusive dos trabalhadores, por COVID e por excesso de trabalho devido a doença e necessidade de atendimentos. A gestão municipal diagnosticou a necessidade de uma intervenção no modelo de atenção à Saúde Local, onde foi necessário buscar reorganizar a rede, bem como qualificar e fortalecer o atendimento. Decidiu-se implementar a estratégia de Educação Permanente, trazendo a metodologia do matriciamento como proposta de capacitação das equipes.
Instrumentalizar, conscientizar e capacitar as equipes de saúde da rede municipal, com todos os profissionais envolvidos, para ofertar atendimento Humanizado, qualificado nas diversas áreas de assistência, desde o primeiro acolhimento na atenção primária, até a internação psiquiátrica, passando pelo ambulatório da atenção especializada e CAPS, e também a equipe medica, para mais facilmente identificar os casos que poderiam estar em acompanhamento e tratamento na rede de atenção básica, em tempo hábil, aliviando o sofrimento mental das pessoas, e ainda, qualificar a demanda para o ambulatório especializado de psiquiatria, bem como os encaminhamentos aos casos de CAPS, a fim de diminuir o agravo da doença do usuário. Garantir a efetivação da Política Nacional de saúde mental no SUS (Sistema Único da Saúde), bem como as ações de integralidade da atenção tendo como ordenadora do cuidado, a da Atenção Básica.
A equipe técnica da SMS organizou-se encontros semanais alternados com os diversos grupos de profissionais da rede de atendimento, médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, dentre outros, incluindo os serviços complementares à rede municipal de saúde, bem como outros setores da administração pública, como Educação e Assistência Social, no sentido de ampliar o cuidado e divulgar o trabalho proposto. Nos encontros com a equipe de enfermagem foi realizada a capacitação, através de discussão de casos, para identificar as demandas de sofrimento mental, compreendidas no âmbito da saúde mental. Foi desenvolvido um questionário norteador para ser utilizado pelo profissional a partir da escuta qualificada, identificando o caso e a melhor condução deste, para o devido encaminhamento. Nos encontros com a equipe médica, foi realizado um processo de formação e informação, buscando a capacitação de todos os profissionais para a tomada de decisão nos atendimentos. Foram abordados as principais doenças e transtornos mentais, bem como o devido tratamento, medicamentoso, buscando sempre o uso racional de medicamentos, ou não. E ainda, em casos de necessidade, para qual serviço, o paciente deverá ser referenciado. Ainda foram criados grupos, em ferramenta de rede social, para consulta dos profissionais da saúde, em suas diferentes categorias, contratado um profissional especializado, que permanece à disposição 24 hs, para orientações e auxilio nas decisões durante os atendimentos.
Com a instituição dos processos de trabalho, reorganizando e reestruturando o atendimento em saúde mental, conseguiu-se fidelizar o vínculo do usuário com a atenção básica, que hoje consegue acompanhar os casos, tanto os que são mantidos com as equipes de ESF e EAP, como os encaminhados aos serviços especializados, tornando as unidades de APS ordenadora do cuidado. Foi reestruturado o atendimento às pessoas com sofrimento mental da rede, descentralizando para todas as unidades de saúde, potencializando os ambulatórios especializado para os atendimentos necessários, melhorando o acesso e qualificando a assistência dentro do território do usuário, mais próximo de sua residência. Foi mantido a presença do psicólogo nos territórios, inclusive nos rurais, e melhorando a comunicação entre as equipes da atenção básica e o serviço especializado. Para fortalecer o cuidado e a assistência, foi realizada aquisição de testes psicológicos para auxílio no diagnóstico e tratamento psicoterápicos dos usuários, instituído atendimentos em grupos, e a terapia comunitária, no sistema Municipal de Saúde. Produziu-se o mapeamento e identificação dos usuários, foi visto que a rede não tinha, até então, referência para atendimento de TEA (Transtorno do Espectro Autista), resultando em compra do serviço especializado para atendimento destas demandas. Prescrições de medicamentos de saúde mental de forma racional, assertiva, efetiva, uma vez que em caso de dúvida, estas são discutidas nos atendimentos
Podemos considerar bem-sucedida a iniciativa do matriciamento em saúde mental na rede municipal, principalmente na atenção básica, qualificando o olhar e a escuta dos profissionais que fazem os atendimentos nos níveis de atenção. Aprimorou a atenção e agilizou o acesso e cuidado necessário. Organizou a porta de entrada dos pacientes no serviço, diminuindo o tempo de espera para o acesso. Estabeleceu fluxos dos pacientes conforme a rede. Qualificou e racionalizou de forma inteligente o tratamento medicamentoso. Os profissionais médicos participantes do matriciamento, passaram a participar dos grupos exercendo a função de triagem dos pacientes, levantando as demandas para as áreas de AB ou especializada, e a necessidade real de contratação de profissionais/serviços, para os atendimentos. O processo produziu mapeamento dos pacientes portadores de transtorno mental em cada território das Unidades básicas de saúde, possibilitando o acompanhamento das pessoas pelas equipes do seu território. É importante dizer que apesar dos resultados alcançados, ainda há um longo caminho a ser percorrido, visto que é notório o crescimento das necessidades em saúde mental, deixando o gestor instigado a buscas por melhorias na ofertas de serviços.
Matriciamento, reestruturação, qualificação.
ANA FLAVIA DA SILVA ANTUNES FERREIRA, CAROLINA ARECO