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A Secretaria de Saúde de acordo com as diretrizes nacional e da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências do Ministério da Saúde de 2001, o Plano Nacional de Enfretamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, 2013. Apoiada nas diretrizes da Organização Mundial de Saúde – OMS, que aponta a violência como problema de saúde pública. Adotamos a classificação da violência proposta pelo “Relatório Mundial de Violência e Saúde” que subdivide a violência em três amplas categorias: violência auto infligida ou autoprovocada, violência interpessoal e violência coletiva, dentro de cada tipo de violência o Ministério da Saúde, classifica a natureza dos atos de violência é classificada como: física, sexual, psicológica e maus tratos/abandono. As definições nos auxiliam a compreender as diferentes formas de violência e suas manifestações que não acarretam necessariamente lesão ou morte, mas que oprimem pessoas, famílias, o sistema de saúde, as escolas, os ambientes de trabalho e toda a comunidade. A Rede de Urgência e Emergência, iniciou no ano de 2022 processo de formação para diferentes categorias profissionais de saúde de todos os pontos de atenção para a construção da Linha de cuidado à pessoa em situação de violência. No período de março à novembro/2022 foram realizadas 27 turmas, com aproximadamente 772 participantes de diferentes categorias profissionais com 13 aulas que abordaram temas sobre direitos humanos e violência.
Instruir e potencializar o conhecimento sobre violências, suas manifestações e segmentos mais vulneráveis, para tanto é fundamental identificar e cuidar das nossas próprias dores e fragilidades, para assim qualificar os profissionais de saúde na identificação, acolhimento e assistência às pessoas em situação de violência.
As metodologias baseadas na construção de aulas dialogada e reflexiva, favorecendo a troca de saberes e a construção do cuidado de forma coletiva, apresentando conceitos sobre a literatura recomendada de forma a dar subsídios para as ações a serem desenvolvidas. Entre as temáticas sugeridas, a aula 2 denominada tipos de violência, tinha como proposta sensibilizar os participantes sobre o tema e para tanto, foi utilizado recurso áudio visual – música, uma pergunta disparadora: – “O que eu trago?” E após foi realizada a dinâmica do “Varal da Violência” que teve por objetivo compreender as diferentes violências que ocorrem no cotidiano e discutir como é possível lidar com essas situações. A dinâmica proposta, aconteceu da seguinte forma, foi distribuído para cada participante 4 pedaços de folhas de sulfite, foram realizadas 4 perguntas e as respostas eram descritas no papel e após penduradas no varal. As perguntas realizadas foram: 1 – “Quais violências já viveram na vida?” 2- “Quais violências já praticaram contra outras pessoas?” 3- “Como se sentem quando são vítimas de algum tipo de violência?” 4- “Como se sentem quando são violentos com alguma pessoa?”
As respostas que surgiram nos provocou reflexões e indagações que perpassam sobre a formação profissional das diferentes categorias de saúde, as dificuldades no acolhimento e manejo de situações de violência relatada por vários profissionais e a necessidade de cuidado com os profissionais de saúde. Para a primeira pergunta, demonstrou que 52% dos profissionais já sofreram violência psicológica, 26% violência física e 21% referiram violência sexual. Em relação às motivações para a violência vivida apareceu: assédio moral e sexual, violência doméstica e urbana, violência obstétrica e discriminações: racismo e intolerância religiosa, homofobia, xenofobia, gordofobia, maus tratos e abandono. A segunda pergunta, quando questionado sobre as violências provocadas, os profissionais responderam: 61% causou violência psicológica, 36% afirmam ter cometido violência física, sendo as motivações: bullying, trânsito, intolerância religiosa, assédio moral e sexual, discriminações: racismo, homofobia, gênero e etarismo. Quanto aos sentimentos quando foi alvo de violência, questionado na terceira pergunta as respostas predominantes foram: raiva, tristeza, impotência e medo o que equivale a 66% dos profissionais, os outros 34% estão relacionados aos sentimentos de revolta, humilhação, angústia, injustiça, vulnerabilidade, abandono, dor, baixa estima, decepção, desamparo, constrangimento, violação, invasão, culpa, vergonha,fracasso, adoecido e ideação suicida.
Considerando as respostas dos profissionais, podemos inferir que a violência permeia o nosso cotidiano pessoal e profissional, dada a sua naturalização devido os aspectos multifatoriais do processo sócio histórico cultural da nossa sociedade. Definido pela OMS como violência estrutural referindo-se aos processos sociais, políticos e econômicos que reproduzem as desigualdades sociais, de gênero, de etnia e mantêm o domínio adultocêntrico sobre crianças e adolescentes. A maioria dos tipos de violência citados pelos profissionais tem base na violência estrutural, o que demonstra a necessidade de construirmos enquanto política de saúde ações integral e integradas com a rede intersetorial para a prevenção, promoção e reabilitação. A proposta da aula – tipos de violência, provocou uma sensibilização entre os profissionais de que a violência está em nós e que também somos alvos e provocadores de violência e que para enfrentar as violências é fundamental cuidar de nossas próprias dores, contar com apoio da equipe de trabalho qualificada e termos a clareza de que as violências não depende da ação isolada de um único profissional, o que reforça a importância do trabalho em rede intra e intersetorial.
Tipos de violência, vulnerabilidade, qualificação
Simone dos Santos de Lima, Aila Maria Barros da Costa Duarte, Gilmara Correia Azenha