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Com o processo de transição sociodemográfica global em que as taxas de natalidade e mortalidade estão decaindo, o número de pessoas acima dos 60 anos vem aumentando. No entanto, apesar da alta expectativa de vida, os cuidados com a população idosa, merece um olhar diferenciado as suas necessidades, para que dessa forma, seja garantida maior qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2020), por volta dos 40 anos, o corpo começa a se desgastar, ficando mais lento e com menor capacidade funcional. Esse é um processo natural do envelhecimento, mas não investir em manter hábitos saudáveis ao longo da vida, pode sim ocasionar problemas de saúde. Para evitar a piora desse quadro, o melhor caminho é a prevenção, que acontece por meio de exercício físico, cognitivo, cultivo de amizades e relações sociais, bem como cuidados com a rotina, como alimentação saudável, sono adequado e outros. A prática de exercício físico na terceira idade, regula a frequência cardíaca, auxilia no controle de peso, aumenta a autoestima e a disposição, melhora a saúde óssea e articular, a capacidade respiratória e a flexibilidade, além de reduzir o risco de quedas e fraturas. Se engana quem pensa que só os músculos precisam de exercício. Com o cérebro não é diferente. Por meio de atividades simples, é possível movimentá-lo para garantir uma boa memória, atenção, concentração, linguagem, interpretação de texto, raciocínio e outros.
Oferecer um grupo terapêutico semanal, voltado para idosos moradores do território adscrito pelas Clínicas da Família Novo Horizonte e Almerinda Chaves com o objetivo de trabalhar os aspectos cognitivos, físicos e emocionais, por meio da prática de atividade física e cognitiva, convivência e informação a cerca dos cuidados em saúde da população acima de 60 anos.
A Clínica da Família Novo Horizonte (CFNH) e a Clínica da Família Almerinda Chaves (CFAC), são Unidades de Saúde da Família (USF) que compõe a Atenção Primária em Saúde (APS) do município de Jundiaí-SP. Juntas, atendem uma população estimada em 50mil pessoas. Para apoiar o cuidado, conta com uma Equipe Multidisciplinar (e-Multi) composta por Médico de Família, Pediatra, Ginecologista, Psiquiatra, Fisioterapeutas, Profissional de Educação Física, Terapeuta Ocupacional, Nutricionista, Assistente Social e Psicólogos. As Equipes de Saúde da Família (ESF), passaram a direcionar para a e-Multi, um grande número de mulheres, idosas, com queixas relacionadas à dificuldade de execução de Atividades de Vida Diária (AVD) em virtude de limitações físicas, perda de memória e solidão, em virtude do falecimento de seus companheiros, familiares e amigos. A partir dessa demanda, Fisioterapeutas, Terapeuta Ocupacional e Assistente Social, estruturaram a proposta de um grupo terapêutico semanal, que proporcionasse prática de exercício físico adaptado à necessidade das idosas, atividades de estimulação cognitiva e fortalecimento de vínculo e convívio entre as participantes. Foram chamadas as pacientes que haviam sido encaminhadas pelas ESFs e o grupo passou a acontecer às quintas-feiras às 10 h com duração de 1 hora no espaço da CFAC.
O grupo iniciou com 8 participantes e constantemente vem recebendo novas integrantes. Atualmente, os encontros são divididos em 20 minutos com atividades de estimulação cognitiva, como por exemplo, resgate de músicas antigas, caça-palavras, jogo da memória, leitura e interpretação de texto, artesanatos e outros, sempre considerando os interesses e desejos das usuárias. Em seguida, por mais 20 minutos, são executadas as práticas físicas, com o objetivo de promover fortalecimento muscular, melhorar amplitude de movimento e equilíbrio. Nos 20 minutos finais, são realizadas orientações para rotina, como higiene do sono, alimentação, prevenção de quedas e outros assuntos que possam ser de interesse do grupo, além de Auriculoterapia, prática da Medicina Tradicional Chinesa que trata de sintomas físicos e emocionais. As pacientes também são orientadas a fazer tanto os exercícios físicos, quanto cognitivos, em casa, através de material impresso que lhes é entregue ao final dos encontros. As idosas são assíduas e constantemente apontam relatos de melhora nos quadros de dor crônica e esquecimentos. Referem ainda, que são muito bem acolhidas, tanto pelas profissionais, quanto pelas demais integrantes, o que lhes confere ânimo e disposição para continuar.
A partir dos relatos de melhora, frequente das idosas, bem como da avaliação das profissionais, é possível considerar que o grupo é eficiente e atende para além das demandas apontadas como problemas no início. Isso sem dúvida se dá pelo olhar diverso da e-Multi que complementa seus saberes, além da lógica de cuidado integral do paciente, que não segrega as necessidades, mas entende, que uma está relacionada a outra. O grupo é aberto e as usuárias podem entrar e sair quando sentirem necessidade e apesar disso, nenhuma delas abandonou os encontros sem justificativa. Nota-se forte vínculo e interação entra as pacientes, o que fez com que elas tenham iniciado encontros para fora do horário e espaço da Unidade de Saúde, o que garante autonomia e independência no cuidado. Com os resultados positivos, fica evidente a necessidade de ampliar a oferta, visto que a procura pelos encontros, está aumentado. É também um pedido das atuais participantes, que as ações aconteçam mais vezes na semana, não ficando restrito somente às quintas-feiras.
idoso, envelhecimento saudável e grupo
Gabriela Tripicchio Gonçalves, Juliana Rossini Viel Ferro, Lilian Balestrin Lunardi, Laís Furlan Antognoli