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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), diz que há uso racional de medicamento quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. A automedicação como uso irracional compreende o uso de medicamento sem prescrição, orientação e/ou acompanhamento do médico ou dentista; esta definição difere do conceito de automedicação responsável, que define o uso de medicamento não prescrito, porém, sob a orientação e acompanhamento do farmacêutico que favorecerá uma conduta racional para o uso dos fármacos. Entretanto a grande preocupação em relação a automedicação é as consequências que podem acarretar ao indivíduo, tais como; resistência bacteriana, reações de hipersensibilidade, dependência, sangramento digestivo, abstinências, sintomas de descontinuação e ainda aumentar o risco de uma neoplasia. Diante desta realidade, a Assistência farmacêutica do município de Mauá realizou uma ação em prol do dia nacional do uso racional de medicamento para conscientização da população com o intuito de reforçar o alerta de automedicação, do uso indiscriminado de medicamento e do descarte correto.
Avaliar e propor ações, estratégias e orientações para a promoção do uso racional e o descarte correto de medicamentos.
A metodologia adotada para promover a conscientização sobre o uso racional e o descarte correto de medicamentos envolveu duas estratégias. A primeira estratégia utilizada foi a exposição de painéis informativos, disponibilizados pelo Conselho Regional de Farmácia exposto em uma tenda na região central do município de Mauá, onde farmacêuticos da rede de saúde municipal, forneceram informações sobre o tema aos munícipes circulantes na região. A segunda estratégia envolveu uma técnica de investigação com 16 questões referentes ao tema exposto. Nesse período, os farmacêuticos abordaram a população com engajamento nas perguntas e interações com a comunidade, coletando informações sobre o uso racional de medicamentos (URM) com as questões formuladas específicas para a população, avaliando seu conhecimento e comportamento. As principais questões abordadas foram automedicação, uso de medicamentos de familiares, conhecimento sobre a possibilidade de emergência. Essa abordagem metodológica permitiu avaliar a conscientização e os hábitos relacionados ao uso de medicamentos e o seu descarte.
Nesta ação, foram entrevistados 98 pessoas obtendo os seguintes resultados: • 51,94% recorrem a automedicação quando enfrentam algum problema de saúde, sendo 48,06% afirmam não recorrer. • 16,66% costumam utilizar medicamentos pertencentes a familiares; 83,34% não utilizam. • 66,64% possuem consciência dos riscos associados a automedicação; 33,36 declaram não possuir conhecimento. • 71,54% possuem conhecimento de que a automedicação pode levar a uma emergência médica; 28,46% dizem não ter consciência. • 52,92% possuem conhecimento dos nomes dos medicamentos que fazem uso; 47,08% declaram não ter conhecimento. • 76,44% afirmam utilizar corretamente os medicamentos; 23,56% não utilizam. • 60,76% afirmam que tomam os medicamentos nos horários corretamente; 39,24% admitiram que não segue um horário fixo. • 87,22% declaram que realizam a ingestão do medicamento com água, 2,94% com leite e 1,96% com suco. • 46,06% optam em tomar os medicamentos em outro horário em casos de esquecimento, 35,28% informam que pulam a dose e 14,7% tomam as duas doses juntas. • 42,14% declaram que armazenam os medicamentos na cozinha, 45,08% no quarto, 7,84% na sala e 0,98% no banheiro. • 49% relatam que realizam o descarte de medicamentos vencidos ou em desuso nas Unidades Básica de Saúde (UBS), 38,22% descartam em lixo comum e 8,82% em vaso sanitário.
A conscientização do uso racional de medicamentos e de seu descarte responsável é um desafio constante. Num contexto geral, pelo menos metade da população não possui conhecimento sobre a gravidade do uso irracional de medicamentos. Com base no questionamento e nas respostas da população, pelo menos 50% dos medicamentos adquiridos no município de Mauá são comprados sem prescrição profissional. Os resultados indicam uma parcela significativa da população que praticam a automedicação, descarte e armazenamento incorreto dos medicamentos. Com isso, destaca-se uma necessidade continua na educação e conscientização sobre os riscos associados a esse comportamento, e de uma forma geral, enfatizar o mais importante que é a saúde da população a ter uma melhor qualidade de vida.
Uso racional; medicamento; descarte correto.
Alessandra Pereira Oliveira Scapinelli, Marilza Sales Neves Plácido, Daniele Cestari Marino de Oliveira, Júlia Eiko Teruya, Priscila Rico da luz Loureiro