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O Cuidado Centrado no Paciente (CCP) pressupõe o reconhecimento do paciente e de seus acompanhantes como parceiros ativos no processo assistencial, com direito à informação clara, à participação nas decisões e ao compartilhamento de responsabilidades relacionadas à segurança do cuidado. Nesse contexto, o acesso ao conhecimento constitui elemento fundamental para o empoderamento e para o exercício efetivo desse protagonismo. As Metas Internacionais de Segurança do Paciente (MISP), estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde configuram-se como diretrizes essenciais para a prevenção de eventos adversos e para a qualificação da assistência em saúde. Tradicionalmente, essas metas são direcionadas aos profissionais de saúde; entretanto, a limitação do conhecimento dos pacientes e acompanhantes acerca das MISP fragiliza sua participação no cuidado e reduz as possibilidades de corresponsabilização. Dessa forma, o fortalecimento do conhecimento dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre as MISP emerge como estratégia central do cuidado centrado no paciente, ao possibilitar maior compreensão dos riscos assistenciais, estímulo ao diálogo com a equipe multiprofissional e participação ativa na promoção da segurança durante a internação hospitalar. O presente estudo descreve a experiência do Programa Educativo de Acompanhantes e Pacientes em um Hospital Municipal, desenvolvido com foco no compartilhamento do conhecimento como ferramenta de segurança e humanização do cuidado.
Fortalecer o conhecimento de pacientes e acompanhantes sobre as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, sob a perspectiva do cuidado centrado no paciente. Estimular a participação ativa e informada dos usuários do SUS na promoção da segurança durante o período de internação hospitalar.
Trata-se de um relato de experiência de natureza educativa, desenvolvido por meio do PEAP de um hospital municipal. As ações ocorreram no período de junho a dezembro de 2025, contemplando os setores assistenciais adulto e infantil. O público-alvo foi composto por pacientes internados e seus acompanhantes. As intervenções educativas foram realizadas por meio de orientações verbais em pequenos grupos, com duração média de 20 minutos por quarto, conduzidas semanalmente por estagiárias de enfermagem, sob supervisão da Gerência de Enfermagem e do Núcleo de Educação Permanente. A metodologia adotada teve como eixo estruturante o cuidado centrado no paciente, priorizando o fortalecimento do conhecimento sobre as MISP como instrumento de empoderamento. As abordagens foram dialógicas, respeitando o nível de compreensão, as vivências e as necessidades individuais dos participantes. Como recurso educativo, utilizou-se material informativo elaborado com linguagem acessível, ilustrações, imagens e vídeos explicativos, entregues ao final das orientações como forma de reforço do aprendizado.
Participaram do PEAP, um total de 219 indivíduos, sendo 132 pacientes e 87 acompanhantes, provenientes de diferentes setores assistenciais. A ampliação do conhecimento sobre as Metas Internacionais de Segurança do Paciente foi evidenciada pela maior compreensão dos participantes quanto à importância da identificação correta do paciente, da comunicação efetiva com a equipe de saúde e da adoção de comportamentos seguros durante a internação. O fortalecimento do conhecimento possibilitou que pacientes e acompanhantes se reconhecessem como parte integrante do processo de cuidado, assumindo postura mais ativa, questionadora e colaborativa frente às práticas assistenciais. Essa mudança de percepção reforçou os princípios do cuidado centrado no paciente, ao promover autonomia, corresponsabilização e participação informada. Adicionalmente, observou-se melhoria na comunicação entre usuários e profissionais de saúde, favorecida pelo entendimento compartilhado sobre as MISP. A ação também contribuiu para a identificação de fragilidades nos processos de cuidado, estimulando reflexões institucionais voltadas ao aprimoramento da segurança do paciente.
O fortalecimento do conhecimento sobre as Metas Internacionais de Segurança do Paciente mostrou-se um elemento central para a efetivação do cuidado centrado no paciente no contexto hospitalar. A experiência do PEAP evidenciou que a educação em saúde direcionada a pacientes e acompanhantes amplia o protagonismo dos usuários do SUS, favorece a corresponsabilização e contribui para práticas assistenciais mais seguras e humanizadas. Conclui-se que estratégias educativas simples, fundamentadas no compartilhamento do conhecimento e realizadas no ambiente de internação, representam ferramentas potentes para a consolidação do cuidado centrado no paciente e para o fortalecimento da cultura de segurança nos serviços de saúde.
Segurança e Empoderamento do paciente
ANDERSON ALVES DE CAMARGO